terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Histórias da rádio em Seia que não têm nada a ver com curral de Moinas

Não sou adepto do Telerural da RTP 1, não tenho paciência, nem tempo para ver um programa do princípio ao fim. De vez em quando espreito e fico cinco minutos a saborear o texto laboriosamente escrito para retratar a saloiice portuga. Há instantes dei comigo a ver um excerto em que se dava conta da instalação ou coisa parecida de uma escola Politécnica com uns cursos marados, na tal terra de Curral de Moinas. Aparecia um tipo a entrevistar outro e a falar do dito curso, ora coçando as partes, ora tirando macacos, ou o contrário, ou coisa parecida, coisa e tal - tal e coisa e palavrão daqui, outro dali e pi..., para explicar o curso e seu conteúdo e não dizer nada com nada, até surgir, assim como assim a notícia de que o fulano tal tinha descoberto petróleo na quinta, que afinal não era petróleo, talvez liquido de umas fossas, e por aí fora até eu mudar de canal e partir para outra, que a páginas tantas ‘tou’ a ver tudo ao contrário e a pensar que daqui a pouco está o tipo a pedir umas mines, a dizer mais palavrões, a falar de garinas e de tudo o que lhe vem à cabeça.
Já vi muita gente a dizer bem do dito programa e alguns a dizer mal. A mim, que tanto me faz como fez e só vejo o que quero, faz-me lembrar histórias da rádio do tempo da pirataria em Seia e na região, para não falar de algumas que ainda hoje oiço nas redondezas, passadas duas décadas. Na altura ficou célebre a história do relatador de um jogo de futebol – é golo do Seia, golo do gajo que trabalha no Bingo. Histórias enternecedoras, como aquela do indivíduo que fechava a rádio à meia-noite, desligava o emissor e depois passados cinco minutos, porque resolveu continuar, reaparece no éter dizendo - caro ouvinte, se já desligou o seu rádio volte a ligá-lo, porque hoje, excepcionalmente vamos ficar até à uma ou duas da manhã. Você merece!
Ou aquela que se contava da Rádio Altitude da Guarda, carinhosamente chamada “Rádio Mocas” porque lá as horas eram dadas abrindo-se o microfone e dando com uma moca num gongo, - toing, toing, boa tarde, são duas horas; até que um dia o locutor abre o microfone e ouve-se dizer, então a moca, onde está a moca?
Grandes mocas, grandes momentos, deliciosas tiradas que se faziam e eu também fiz, nesses tempos de rádio pirata, mas que não tinham nada a ver com esta coisa de Curral de Moinas. Foi há vinte anos atrás. Em 1989, era eu sócio do Rádio Clube Serra da Estrela e funcionário a tempo inteiro, a comandar uma equipa de perto de quarenta colaboradores voluntários e num Domingo de Páscoa coube-me assegurar a emissão todo o dia, de manhã à noite. A dada altura, tipo seis da tarde, entra uma senhora pelo estúdio adentro, com uns bolinhos e um Porto a dizer, - tome lá, que eu tenho estado a ouvi-lo desde as oito e deve estar a precisar.
Enfim histórias das muitas que se podem contar à medida que vão lembrando,…

2 comentários:

Novembro Azul disse...

Belos tempos =))
Saudades...

deep disse...

dos tempos do surgimento das rádios ditas livres ou locais pouco resta que nõ sejam histórias , muitas delas hilariantes, como as que referes, porém havia um certo espirito de construção livre de um poder dominador o que fez que apesar de todos os erros e ingenuidades haja coisas que perduram na memoria das pessoas...hoje o consumo dos tempos de radio e ou televisão está vocacionado para um humor fácil de consumo desprovido de critica ou entao para o canalizar de interesses muitas vezes ditados por lobbies bem colados aos poderes, quer politicos ou economicos...num país cada vez mais separado por litoral e interior querem "vender" os mesmo conteúdos a gentes tão diferentes.
um abraço