quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Mário Branquinho _ A surpresa dos amigos


Guardo aqui o filme do Eduardo Galguinho e voz de Ricardo Alvo, para memória futura, a propósito da surpresa que os amigos da Associação de Arte e Imagem de Seia me fizeram na última edição do festival ARTIS 2016, a 7 de Maio.

sábado, 1 de outubro de 2016

Vila Cova (Seia): Uma história multissecular de António da Silva Brito



Antes de mais, quero dizer que é uma honra para mim ter sido convidado pela família do Prof. António da Silva Brito para apresentar o livro escrito pelo mesmo. Uma honra e um enorme desafio, esperando poder estar à altura da qualidade da obra apresentada, do prestígio de quem a escreveu e do convite formulado.
Foi em meados dos anos oitenta que eu me cruzei com Silva Brito, era eu um jovem agente e animador cultural a dar os primeiros passos, sobretudo no associativismo juvenil. Foi, de resto, o movimento associativo que nos juntou num projeto comum: a criação da Inter-associações do concelho de Seia, eu na qualidade de Presidente da Associação Recreativa e Cultural do Sabugueiro e Silva Brito enquanto Presidente do Centro Juvenil de Vila Cova. Uma estrutura que agrupava perto de 100 coletividades do concelho e que procurava elaborar projetos comuns, numa perspetiva de desenvolvimento cultural inclusivo e abrangente. Uma estrutura que coordenou actividades, lançou projetos e ideias novas, estimulou o associativismo e criou campo fértil para a melhoria no desempenho dos vários dirigentes associativos do concelho de Seia.
Mais tarde, encontrámo-nos noutros projetos, incluindo os jornalísticos, quando Silva Brito foi diretor do jornal Porta da Estrela e eu um modesto colaborador.
Entretanto, em 1996, convido-o para escrever o prefácio do meu primeiro livro, Sentido Figurado, o que muito me honrou, um livro cuja capa foi concebida por Sérgio Reis. Uma honra redobrada anos mais tarde quando, em março de 2015, Silva Brito aceita fazer a apresentação do meu terceiro livro, Estranhos Dias à Janela. E quanto empenho Silva Brito colocou na análise desta obra!
E assim nos fomos cruzando e partilhando ideias, na doce descrição de um intelectual que este ano o concelho de Seia perdeu.
Agora cheguei aqui e espero estar à altura de lhe retribuir expressando algumas palavras acerca uma obra riquíssima, cuja leitura se recomenda e, quem sabe, um dia servir de mote para espetáculos de teatro comunitário ou para reflexão sobre vários aspetos de desenvolvimento local.
Um livro que dignifica quem o escreveu, ainda que publicado após o seu desaparecimento do mundo dos vivos, que o autor dedicou à sua família “para que a ligação às raízes nunca se extinga”.

Um livro que nos apaixona na leitura, prendendo-nos às histórias contadas, numa longa viagem de séculos, devidamente enquadradas nos contextos históricos e respaldadas no empenho, engenho e arte do escritor, aqui feito historiador.
Uma monografia de Vila Cova de Seia cujo exemplo pode muito bem ser seguido por outras personalidades, para enriquecimento do património cultural do nosso concelho. Neste sentido, este livro expressa o seu contributo.
Na leitura desta obra dei por mim a decifrar os códigos descritos por Silva Brito e a viajar na história. Partimos assim numa expedição onde Silva Brito nos descreve vivências com muitos séculos, ou melhor, uma sucessão de histórias multisseculares sobre Vila Cova de Seia.
Silva Brito convoca-nos para essa tal viagem de memórias que começa nos primórdios da nacionalidade até aos nossos dias. Viagem com marcas nos campos, nas casas, nos monumentos, nas praças, nas ruas, onde ainda hoje nos reencontramos com a história do lugar. “Histórias de vida, esforço e ambição, de milhares de pessoas anónimas, de todas as condições, que deixaram, cada um a seu modo, uma pedrinha, mais ou menos decisiva na construção da nossa casa comum”, como se pode ler na lombada do livro.
Silva Brito começa por ir às raízes, aos primórdios de Vila Cova, por trilhos e anotados caminhos, buscando, nos arquivos e nas obras publicadas, em aturado estudo e paciente dedicação, respostas a perguntas para trazer à luz deste século XXI um estudo importante sobre esta localidade situada nas margens do rio Alva.
Uma monografia cientificamente irrepreensível, uma obra que dignifica um povo, enfim, um aturado trabalho histórico para os vindouros, a partir deste presente emergente.
Contudo, o escritor, aqui na pele de historiador, interroga-se várias vezes na decifração de fenómenos, começando precisamente nos vestígios que apontam para a ocupação do local na época romana, no sítio das Cabeças. Quem sabe assim se esta obra poderá incentivar novos estudos sobre a ocupação romana do nosso território, como aliás sugere o autor: “quando se fala de ponte romana de Vila Cova, esta convição precisa de ser suportada em estudos adequados. O que sabemos - acrescenta - é que é pelo menos medieval, dos séculos XII e XIII. E como sustenta o mesmo “devia ser classificada de imóvel de interesse público e vedada a trânsito pesado”.
Como refere o autor, Vila Cova constituiu-se como um agregado populacional de pequena dimensão, por volta dos séculos X e XI. Vila Cova era um núcleo de agricultores que aqui se estabeleceu, que ganhou estrutura e identidade próprias com o passar dos tempos. Era uma villa como tantas outras, com gente que labutava nos campos. Há um ano de referência,1138, numa carta do príncipe Afonso, onde é feita a primeira alusão ao topónimo Vila Cova, o que não quer dizer que não tenha sido habitada antes.
A palavra villa vem do Latim quinta, terreno de exploração. Daí, ainda hoje, os lugares “cimo da vila” e “fundo da vila”. E a palavra Cova com o sentido de concavidade ou depressão tem a sua razão de ser na orografia do local.
No século XVI, surge uma referência a Vila Cova à Coelheira, tendo-se registado a partir daí alguma confusão com um nome idêntico ou igual relativo a outra Vila Cova à Coelheira. Por isso, Silva Brito recomenda na sua obra aos órgãos autárquicos que se ocupem desta questão toponímica. Há mesmo um documento importante, que remonta às Inquirições Gerais de 1258, que comprovam a toponímia de Vila Cova.
E nessa viagem rápida que vos trago em jeito de síntese, através da leitura apaixonada do livro de Silva Brito, apresso-me a dizer que, de 1496 a 1527, a população aqui cresceu 91%! Em 1585, terá passado para o domínio dos Marqueses de Gouveia.
Trazendo algumas novidades do livro à luz destes dias, em termos de património religioso, sublinho o facto do templo de Vila Cova ter sido edificado no século XIII. A Igreja encontraria local definitivo onde é hoje o cemitério, aí se mantendo até alvores do século XX. E claro, o orago, é, desde sempre, São Mamede. Da igreja primitiva sobrou a atual capela do cemitério, a que corresponderá uma parte do primitivo templo.
Já a capela do Santíssimo Sacramento remonta ao século XVI.
Ainda outro templo da Freguesia, que atesta a profunda religiosidade da população, foi, durante séculos, a capela de São Pedro, existente no local onde desde o início do século XX está implantada a atual igreja.
Da instituição paroquial de Vila Cova pouco se sabe até ao século XVII. Foi um longo percurso até passar a ser paróquia de facto e a ter o seu próprio cura, que era indicado pelo vigário de Santa Maria de Seia. Desde os alvores da nacionalidade até 1882, Vila Cova pertenceu à Diocese de Coimbra, passando, neste ano, para a Diocese da Guarda. Desde os alvores do século XIII pertenceu ao Mosteiro de Santa Cruz.
No lugar da Praça existiu um Pelourinho, onde teriam também existido a Cadeia do concelho e a Câmara, até finais do século XIX, princípio do século XX. Hoje, há uma peça que comprova tal existência à entrada da sala da Junta de Freguesia. Em 1974, a Junta mandou construir um Pelourinho, mas este tem pouco a ver com o antigo.
Entretanto, refere Silva Brito, a antiga casa da Câmara e a Cadeia foram adquiridas pela D. Ana Clementina. Esta alienação e posterior reconstrução fizeram perder mais um símbolo da velha autonomia da vila.
Da leitura da obra, uma outra referência se impõe e que tem a ver com as visitas pastorais, nos séculos XVII, XVIII e XIX (1612 – 1830), porque “assim os bispos vigiavam o estado de conservação das igrejas e controlavam o seu património.
Continuando a viagem histórica multissecular de Silva Brito, Vila Cova foi reconhecida como estrutura municipal enquanto freguesia e concelho rural autónomos desde o século XIII, até precisamente ao ano de 1836, altura em que passou a pertencer ao concelho de Sandomil, até 1855. Dezanove anos, portanto, passando posteriormente a integrar o Concelho de Seia. Ou seja, terá sido concelho desde o século XIII até à primeira metade do século XIX. E assim, ao longo dos tempos, Vila Cova contou com um ou dois Juízes, Vereadores e um Procurador, além de outros magistrados.
Deliciosa é também a descrição de como eram eleitos os vereadores, mas isso, deixo para lerem a partir da página 209!
Nas mudanças administrativas, cabe o destaque para a Junta da Paróquia de Vila Cova, antepassadas das Juntas de Freguesia, criadas em 1830, com um Regedor, um Secretário e um Tesoureiro, para gerir os bens da Paróquia. Posteriormente, passou a ser composta por um Presidente, que era o pároco, um Secretário e dois membros eleitos, já que, com o fim da Câmara, esta responsabilidade passou para este órgão.
Nas delícias bem contadas, aprimoradas e contextualizadas nas épocas por que o nosso país passava, ficamos também a saber como foi construída, em 1815, a Levada Pública, assim como nos retemos nas recambolescas histórias do conflito com a Empresa HidroEletrica da Serra da Estrela, por causa da utilização das águas do rio Alva. Estávamos em 1934, ano em que se negoceiam as contrapartidas e é salvaguardada a questão do caudal para a rega das propriedades. Decorrem negociações com advogados, engenheiros, a empresa, o povo e a Junta de Freguesia. E até o Governador Civil da Guarda, Borges Pires, se dispõe a mediar o conflito, mas sem efeito. Chega a ir de Vila Cova uma delegação ao Ministério das Obras Públicas a Lisboa. Avançam as obras, continua a controvérsia e há, inclusivamente, registo de uma carta enviada a Salazar dando conta do desagrado. Em 1938, continuam as obras e continua a faltar a água nos campos. Surgem, entretanto, levantamentos populares e expressões como “Bota a baixo que a água é nossa”.
A luta valeu a pena e a Levada Pública sobreviveu.
A Central de Vila Cova tinha sido inaugurada em Janeiro de 1937 e a inauguração da Luz nesta terra ocorreu em 17 de janeiro de 1938, ou seja, um ano depois da entrada em funcionamento da Central.
No livro de Silva Brito também se refere a atividade mineira, das areias do rio Alva que teriam ouro e da extração de Volfrâmio e de Estanho, por alturas da Segunda Guerra Mundial. Era tempo de guerra, havia muita pobreza e privação. A mina do Volfrâmio localizava-se no sítio dos Vales.
Entretanto, um à parte, para dizer que em 1951 foi inaugurada a Casa do Povo, onde funcionavam vários serviços e, na parede exterior da mesma, chegaram a ser exibidos filmes ao ar livre!
E assim, nesta viagem que vos trago muito resumidamente, chegamos ao quadro dos lanificios, uma atividade artesanal que cedo evoluiu para uma produção industrial e que marcou uma época na história de Vila Cova. No século XIX e início do século XX, havia em Vila Cova tecedeiras e tecelões que disso faziam atividade habitual. No início do século XX, instalou-se uma unidade industrial têxtil, pertencente a Joaquim Silva Abranches. Por essa altura, M. Amaral Marques fundou a Fábrica do rio Alva. Em 1937, esta unidade empregava 40 pessoas. Nas primeiras décadas do século XX, forma-se a Martinho Fael e Moura, Lda. que viria a dar sustento a quase 200 pessoas. Em 1981, sucedeu na empresa Célio Martinho. Modernizou-a, passando a designar-se Lanificios Martinho. Em 2004, o neto, Amândio Martinho, tomou o difícil encargo da sua gestão até à sua liquidação.
E assim vamos chegando aos nossos dias, passando por referências à existência de Tele-escola, desde 1969 até 1973, por iniciativa do Padre Jaime Carvalheira; às vias de comunicação; ao edifício das Repartições Públicas de Vila Cova; às redes de água, saneamento e ETAR; aos equipamentos desportivos e de lazer.
Igualmente referências incontornáveis ao associativismo em Vila Cova, registando-se na segunda metade do século XX, nos princípios da década de cinquenta, a criação do Rancho Folclórico “Estrela D’Alva”.
E claro, o Centro Paroquial de Cultura Juvenil, criado em Setembro de 1967, de que Silva Brito foi principal impulsionador.
A matriz essencial da ação do autor era fazer e divulgar a cultura, em todas as suas vertentes, da popular à erudita. Começou com uma Biblioteca, a publicação do Boletim “Rumo ao Alto”, a criação de um Rancho Juvenil e de um Grupo de Teatro, este considerado o mais duradouro e mais sério dos projetos culturais do Centro. O Grupo teve um longo e rico historial, tendo inclusivamente representado o Distrito da Guarda, em Lisboa, na XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, em maio de 1983, além de levar o teatro a muitas aldeias e cidades do centro de Portugal.
Realizava sessões de cinema com regularidade, recorrendo a exibidores ambulentes e à Fundação Caloustre Gulbenkian.
A dinâmica Cultural do Centro, de que Silva Brito era a verdadeira mola real, levou igualmente à criação do Grupo de Cantares “Águas Novas” que depressa ganhou notoriedade, sendo requisitado para muitas digressões pelo país, chegando a atravessar a fronteira, em 1988, para atuar em Contrexeville, no contexto do ato de geminação desta cidade francesa com Seia e com o Luso.
Ao longo de um quarto de século de atividade, o Centro Cultural de Vila Cova levou a cabo inúmeras atividades culturais, recreativas e desportivas – colóquios, exposições, passeios, festivais de música tradicional e coral, concursos literários, classes de dança, jazz, entre outras. Uma das mais originais e surpreendentes foi a existência de uma estação de rádio, com o nome de “Rádio Horizonte”, que funcionou entre abril de 1987 e janeiro de 1989.
No campo associativo, regista-se também a Associação Operária de Vila Cova, fundada em Outubro de 1974, mais vocacionada para a área do desporto.
Outros factos e marcos descritos na obra poderiam ser sublinhados, sem haver a pretensão de qualquer secundarização dos mesmos, mas trata-se de uma impossibilidade dada a dimensão da obra e o objetivo desta apresentação no sentido de evidenciar as inegáveis qualidades do autor, quer enquanto escritor quer como homem da terra que o mesmo procurou preservar através de um importante testemunho público. (podes terminar o texto com uma frase dentro deste género para não quebrar logo o texto ou as descrições feitas, parece-me mas vê o que achas melhor)
E assim se completa a viagem, interrompida na fase de apresentação pública e que hoje aqui cumprimos, nesta cerimónia simples e singela, tão simples e tão ao jeito da personalidade de Silva Brito.


Mário Jorge Branquinho
Vila Cova, 1 de outubro de 2016


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CineEco 2016, com filmes que podem mudar o mundo



De 8 a 15 de outubro, Seia volta a ser a capital do cinema ambiental em Portugal, com a realização da 22ª edição do CineEco 2016. Durante oito dias, a Casa da Cultura acolhe sessões, de manhã à noite, em várias competições e sessões especiais. São quase 100 filmes de 20 países para olhar o mundo e procurar mudar hábitos em prol de um futuro sustentável.


O cinema e as questões ambientais dão, mais uma vez, o mote para o encontro em Seia do público com realizadores e diretores de festivais de todo o mundo e outros agentes culturais, proporcionando momentos de partilha e sã convivência.

O tema central da edição deste ano, relativamente à programação, tem a ver com a questão dos perigos da energia nuclear, que estará em foco em diversas sessões e debates. O acidente de Chernobyl faz agora 30 anos e por isso estará em foco no festival. Uma atenção também centrada na Central de Almaraz, que levanta questões de segurança as quais devem ser tidas em conta pelas autoridades portuguesas no que concerne aos riscos de rutura desta central.

No festival será igualmente assinalada a passagem dos 40 anos após a criação do Parque Natural da Serra da Estrela, através de um workshop e de uma conferência, com a participação de figuras de referência no âmbito da temática do potencial paisagístico a preservar.

No rol de atividades paralelas, cabem ainda, um concerto de olhos vendados, com Luís Antero, para ouvir os sons da natureza; uma exposição de pintura e escultura, caminhadas à serra, provas de vinhos e debates pontuais.

As escolas vão marcar presença no festival, assistindo a sessões direcionadas, mas o CineEco também vai às escolas. Desta feita será exibido um filme infantil nos centros escolares e será realizado um workshop sobre cinema e ambiente, com convidados.

O Festival de Cinema Ambiental de Buenos Aires - FINCA será o convidado do CineEco, na linha das boas relações estabelecidas entre o festival de Seia e os restantes 35 festivais que compõem o Green Film Network.

São várias as propostas oferecidas e fáceis os caminhos para Seia, ao encontro desta festa do cinema, onde todos serão bem recebidos e onde a natureza combina com os afetos.

Mário Jorge Branquinho
Diretor
www.cineeco.pt 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Comunidade Intermunicipal promove debate sobre os acessos ao maciço central da Serra da Estrela


Agora fala-se de planos de prevenção de fogos florestais e de como combater o flagelo em tempo de “guerra”, com os fogos aí na ordem do dia, neste Verão quente de 2016.
Entretanto, aproximamo-nos de mais um Inverno e tão depressa teremos o assunto dos acessos ao maciço central outra vez na comunicação social, onde se fala do corte de estradas na sequência da queda de neve. Uma situação com mais de trinta anos e que ano após ano é recorrente.
Por isso, a Assembleia da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela, a que presido, vai realizar um debate no próximo dia 9 de Setembro, no Auditório da Torre, de acordo com a seguinte nota de imprensa:




“Assembleia da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela promove debate na Torre sobre os acessos ao maciço central

No âmbito das suas atribuições, a Assembleia da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE) em colaboração com o Conselho da respetiva CIM, vai organizar no próximo dia 9 de setembro, pelas 10 horas no Auditório da Torre, um debate sobre os acessos ao maciço central da serra da Estrela. 
O Ministro das Infraestruturas de Portugal, Pedro Marques foi convidado para participar neste debate para o qual estão também convidados os Presidentes de Câmara e deputados da CIM das Beiras e Serra da Estrela, deputados eleitos pelos distritos de Guarda e Castelo Branco, Presidentes de Juntas de Freguesia, Turistrela, Turismo do Centro, empresários, forças policiais e de Proteção Civil, entre outros. 


No entender da Assembleia, esta será uma jornada de elevada importância e uma oportunidade para juntar vários intervenientes e procurar respostas para um problema que prevalece há várias décadas e com consequências para a imagem e economia da região. 
Com as alterações climáticas, tem diminuído de forma acentuada a queda de neve na serra da Estrela, mas mesmo assim, sempre que cai neve, são cortados os acessos ao maciço central, impedindo o acesso das pessoas àquele ponto. 
O que fazer então para promover a mobilidade na única estância de esqui em Portugal? 
Este é o desafio do debate que a Assembleia da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela vai realizar na Torre, a quase dois mil metros de altitude.”




quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O Real e o Fantástico de Luís Rente em Trancoso nos anos 60



“Entre o Real e o Fantástico – Memórias de Trancoso nos anos 60”, é o título da mais recente publicação de Luís Vieira Rente, onde relata episódios da sua infância e adolescência que viveu na terra de Bandarra.



Numa escrita leve e descontraída, às vezes com travo de sátira e humor subliminar, Rente inscreve recortes de prosa apurada e simultâneamente travos de storytelling, por entre uma narrativa corrida de histórias de sua vida enquanto jovem. Histórias de vida banais, em Trancoso, como em tantos lugares recônditos, de um país soterrado em expedientes de vida difícil, onde perpassam alegrias e feitos de quem se contenta com pouco.
Uma escrita escorreita, onde num quadro real se contemplam descrições de vizinhanças, andanças e locais míticos, colocando ênfase nos primeiros estudos e episódios de juventude de Rente, para quem a origem do apelido contínua envolta em mistério.
Nesta escrita, entre episódios reais e outros tantos disfarçados de fantásticos, espreita a hilariante descrição de episódios de vida simples, onde pontuam pessoas e lugares que marcaram a época. Quem é de Trancoso e tem mais de quarenta, revê isso mesmo, lugares e pessoas. Quem não é, como eu, entra num universo de histórias encantadoras. Simples episódios, como as que rodam à volta da Pacheca, o autocarro da Companhia Manuel Pacheco, que diariamente fazia o percurso Lamego – Guarda e retorno, onde iam e vinham encomendas, sobre o olhar atento do cobrador, ”um homem honestíssimo, o senhor Araújo de seu nome”.
Ingredientes bastos, entrecruzando entre os tempos livres, o desporto e o clube da terra, as peripécias e os jogos, os homens que passaram e fizeram história, ou as mulheres simples e influentes na vida da vila, como a cabeleireira, a modista ou a professora. O café, lugar de encontro e afetos, o Senhor da Pedra, altar de celebrações da Primavera e deambulações diversas.
Na segunda parte do livro, entra o fantástico onde resultam “personagens de recriação romanesca, vagamente inspiradas em figuras reais”, como o autor alerta, redundando em “coincidências fortuitas” com a realidade.
Por onde se deambula pelo Louva-a-deus, descrevendo-se o “Turinho” barbeiro; o “bom vivant” do Sargento; a Chefe dos Correios “senhora esmoler”, de grande dedicação e amor à arte; o Ângelo da Fonseca, outra figura típica e conhecida por feitos e desventuras, ou o Manel Sampedro, que tivera uma vida faustosa, entretanto dissipada. As descrições em torno do Zézinho Pombal, funcionário público, que se reformou da máquina de escrever e do ofício com o surgimento dos computadores; o Bitobá, considerado “um tipo porreiro”, sem horário para “despegar” do trabalho ou o Artur que sonhava ter uma Florett, um brinco de moto que acabou por ter, e perder mais tarde, com a própria vida, debaixo de um camião.
Assim se lê e se percebem episódios da vida de Rente na infância e juventude, como quem lê histórias simples de uma vila, numa escrita escorreita, leve e fresca, por entre o real e o fantástico descritos e separados.
Resta acrescentar que Luís Vieira Rente, embora nascido no Brasil (1956), viveu a sua infância e adolescência em Trancoso. Vive em Seia desde 1982, onde é professor do quadro de um dos agrupamentos de escolas da cidade. Licenciou-se em História (1979) e concluiu Mestrado Interdisciplinar em Estudos Portugueses (2003) com dissertação editada pela Câmara Municipal de Seia “O Marcelismo e o 25 de Abril vistos em dois jornais locais – Subsídios para a história recente de Seia (1968- 1975)”.

Mário Jorge Branquinho
Jornal Terras da Beira, 4 de Agosto de 2016








sábado, 23 de julho de 2016

O desenvolvimento de Seia, transformações e paradigmas


A propósito da instalação de uma superfície comercial no lugar de uma das mais emblemáticas fábricas têxteis do concelho, entretanto desactivada  e no seguimento de desabafos e conjecturas entretanto feitas, ocorreu-me abordar esta temática por se relacionar com o processo de desenvolvimento do concelho de Seia.

Durante décadas, no concelho de Seia prevalecia uma mono-indústria, a dos têxteis, de que Lúcia Moura aborda no seu livro O Concelho de Seia em Tempo de Mudança (1997), com enfoque nesta indústria dos finais do século XIX ao desabar da 1ª República. Um sector que prevaleceu, até ao séc. XX, desabando esmagada pela invasão de produtos chineses, na década de 90. O impacto poderia ter sido muito desastroso para o concelho, pela super-dependência desta indústria, mas graças à intervenção do poder politico, os encerramentos foram feitos paulatinamente, apesar de algum sofrimento. No período áureo, estimava-se que estivessem empregadas nesta indústria e vários subsectores, cerca de 3 mil pessoas, entre Fisel, Vodratex, Fercol, Vila Cova, Loriga e Santa Marinha. Foi um período próspero, impulsionado por um homem: Joaquim Fernandes (1915 – 1996), no próximo dia 9 de Dezembro completam-se 20 anos após a sua morte.

Essa é a questão, quando um concelho está demasiado dependente de uma fonte de riqueza.

Naturalmente que em paralelo se desenvolveu a actividade de aproveitamento hidro-eletrico, mas de menor impacto na absorção de mão de obra, sobretudo depois de feitas as barragens e centrais da Estrela.

Como a necessidade aguça o engenho, com a queda dos têxteis outras pequenas indústrias foram emergindo e hoje podemos referenciar o sector de calçado, através de investimento alemão, mas significativo. Podemos igualmente referenciar o sector dos lacticínios, quer através das queijarias artesanais, quer através das várias fábricas de queijo, que abastecem os mercados nacionais e internacionais. Um sector a necessitar de matéria prima, ou seja leite de ovelha bordaleira, para poder expandir ainda mais. Fenómeno idêntico ao da produção de medronho, que tem uma procura imensa no mercado dos anti-oxidantes. Acrescenta-se ainda nesta área de negócios com peso na economia local os relacionados com os vinhos, o pão, a fruta, o mel e os enchidos.


Neste paralelo, surgiram os chamados call-center’s, mas é o mercado turístico, com o incremento dos alojamentos, restauração, lojas de produtos, que ganha espaço e relevo no quadro económico do concelho. É evidente que tirando o agro-alimentar, que se impôs graças ao empenho de agentes empreendedores, a área do artesanato em geral não logrou render muito para a nossa região, porque, tirando os Chinelos da Avó, resultantes também de dinâmica empreendedora de uma jovem local, não temos um produto dito artesanal da Serra da estrela que se tenha imposto no mercado.

Em paralelo, surgiram alguns serviços que se reputam de muito importantes, no quadro do desenvolvimento local, particularmente na área do ensino, como sejam o incremento da Escola Superior de Turismo e Hotelaria, do ensino artístico da Escola Profissional da Serra da Estrela e do Conservatório de Música. A intervenção destes e de outros estabelecimentos e instituições, sobretudo da área social, que têm igualmente forte impacto na economia local, tem entroncado na estratégia do município, que tem feito da cultura e do ambiente, factores de desenvolvimento local. Uma estratégia que tem passado igualmente por incrementar o espírito empreendedor dos jovens, através de intervenções nas escolas e instituições, que tem dado frutos, mas ténues. E vários são os factores que estrangulam o apetite de investimento nesta região, a começar pelos decorrentes da Interioridade, que todos já conhecemos.

Apesar disso, não podemos baixar os braços, nesta quadra de capitalismo selvagem, que não tem forma de impedir que se instalem um número indefinido de supermercados numa pequena cidade de um dia para o outro. Já houve a fase em que todos abriam pastelarias, depois seguiu-se a fase do fim do monopólio das farmácias e agora não há regras nem entidades reguladoras que nos valham.

Apesar de conhecermos as transformações operadas e os novos paradigmas surgidos, não podemos desistir de continuar a incrementar o espírito empreendedor, para que os jovens percebam que não basta procurar emprego, mas sim procurar criar empresas para gerar investimento e criar riqueza, independentemente das angústias e outros constrangimentos associados.

Apesar de se saber que nunca foi tão difícil como agora abrir um negócio, criar uma indústria, com tantos “custos de contexto” como pomposamente lhe chamam, porque só quem tem de pagar as contas todas ao fim de cada mês, sabe o que custa ser empresário e empreendedor.

E aqui como no resto, resta acrescentar que já todas as frases foram inventadas para salvar o mundo, falta apenas uma coisa, salvar o mundo!


MJB

domingo, 12 de junho de 2016

Em Buenos Aires com o CineEco de Seia




Acabo de participar em mais uma jornada de trabalho na área do cinema de ambiente que me deixa marcas profundamente positivas, tanto no campo pessoal, como no aspecto profissional.

Regresso de Buenos Aires, essa grande capital da Argentina, onde participei como júri da competição internacional de longas-metragens do FINCA – Festival Internacional de Cinema Ambiental, assim como orador numa conferência sobre festivais de cinema ambiental e numa Mostra de filmes CineEco de Seia. Tudo numa semana intensa, de 1 a 8 de junho deste 2016, com o Verão a chegar a Portugal e o Inverno frio e desconfortável a penetrar na terra de Carlos Gardel. Uma experiência na sequência do convite que me foi dirigido pela Diretora do festival, Florência Santucho, na minha qualidade de diretor do CineEco e membro do Green Film Network, rede de 32 festivais de todo o mundo de que também somos fundadores.

Uma oportunidade para dar e receber, partilhando o que de melhor fazemos há 22 anos e aprendendo para melhorar, num processo de partilha e intercâmbio entre festivais da mesma rede. Uma forma de actuar e conhecer, onde cada festival que convida assegura as respectivas despesas através de apoios e patrocínios diversos, como fazemos em Seia, onde o município, entidade organizadora procura todos os anos aproximar a receita da despesa e assim manter o festival ano após ano. Uma aposta continuada pelo Presidente Carlos Filipe Camelo, reiterando os propósitos de ver na cultura e no ambiente, factores de desenvolvimento local.

Por isso, esta foi uma experiência marcante num festival impactante, na senda da afirmação internacional do festival de Seia, sobretudo nos principais países da América Latina. Depois de em anos recentes ter sido Júri em festivais e levado Mostras do CineEco ao Brasil – festival Filmambiente no Rio de Janeiro; festival Fica em Goiás e Festcineamazónia em Porto Velho e ao México – Cinemaplaneta em Cuernavaca, surgiu agora esta oportunidade na Argentina.

Desde logo a longa viagem de Lisboa a Buenos Aires, com escala em São Paulo, uma passagem só possível com o apoio da embaixada de Portugal na Argentina, que prontamente acedeu ao pedido da organização do FINCA, pela referência que tinham do festival português! E depois, chegar a uma cidade densa e maravilhosa, como é Buenos Aires, com muita marca europeia, muito para ver e apreciar, num momento de situação política, económica e social complexa, dura e difícil.

Em primeiro lugar o trabalho.

Reparti o Júri com Marcelo Burd, docente da Faculdade das Ciências e da Comunicação da UBA, realizador e guionista e Damián Verzeñassi, médico, professor titular e responsável académico de saúde ambiental e práticas finais da carreira de médico na Universidade Nacional de Rosário.

Assisti aos filmes em competição – 7 longas-metragens de grande qualidade, com abordagens diversas, desde o desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, soberania alimentar, os impactos das extrações minerais, as contaminações, energias renováveis e a mãe terra, essa terra de onde tudo provém!

Atribuímos o primeiro prémio a “Sagrado Crescimento” / Sacrée Croissance, (França), de Marie-Monique Robin, um trabalho que propõe um conhecimento às alternativas e alterações possíveis frente ao paradigma do crescimento hegemónico e apresenta experiências colectivas que estão em marcha, para ajudar a construir sociedades mais saudáveis. Atribuímos ainda Menção Honrosa a La Tierra Roja, de Diego Martinez Vignatti (Argentina, Bélgica e Brasil), uma ficção que interpela o espectador frente a conflitos ambientais, sociais e políticos presentes numa região, sobretudo no que toca à problemática das contaminações nos alimentos e a La Buena Vida, de Jens Schanze, (Alemanha) que aborda problemáticas ligadas às extrações mineiras em grande escala e a consequente destruição dos povos, suas culturas e territórios.

Por aqui dá para ver o interesse dos temas tratados do ponto de vista ambiental, à semelhança de muitas outras abordagens também presentes noutras sessões paralelas e na Mostra de Filmes CineEco. Esta Mostra, que constituiu mais um factor de afirmação do festival de Seia, contou com a exibição das curtas: Um Verão Interminável, de Carmen López Carreño (Espanha); Cinema Dehors, de Filippo Rivetti e Tatiana Poliektova (Austrália, Rússia); Decadence of Nature de Olga Guse (Alemanha); Si J’avais une vache, de Norma Nebot (Espanha) e Pies secos do realizador chileno Joaquin Baús Auil, que esteve presente e com quem conversámos a propósito da estreia mundial deste filme em Seia, na edição do ano passado do CineEco.

Foram ainda exibidos nesta mostra as longas A Mulher e a Água, de Nocem Collado, (Espanha); Buscando desesperadamente uma zona branca, de Marc Khanne (França) e Todo o Tempo do Mundo, de Suzanne Crocker, (Canadá), que também esteve presente e com quem recordámos o sucesso que o filme teve em Seia e que se repetiu em Buenos Aires.

Foi um gosto participar nesta Mostra onde o público aderiu e registou o aroma de filmes que habitualmente passam no único festival de cinema de ambiente que se realiza em Portugal e um dos mais antigos no mundo.

Para um dos dias do festival estava também marcada uma conferência - Como organizar um festival de cinema com compromisso social, onde foi apresentado um “manual para organizadores de eventos cinematográficos de direitos humanos e meio ambiente” e que conta com um texto que me foi solicitado, a propósito do “CineEco, como caso de estudo”. O manual pode ser consultado aqui: http://imd.org.ar/manual/

Entretanto, um dos momentos altos do festival foi a conferência sobre Soberania Alimentar, que decorreu na Aula Magna da Faculdade de Medicina de Buenos Aires, com a presença de Vandana Shiva, filosofa e escritora indiana, ativista em favor do ecofeminismo, criadora da Fundação para a investigação científica, tecnológica e ecológica. Um auditório completamente cheio para ouvir uma voz autorizada no combate aos agrotóxicos. Porque a comida é a porta de entrada para quase todas as doenças, é preciso combater a hegemonia das grandes indústrias alimentares, como é o caso da Monsanto que acaba de fundir-se com a Bayer e que é causadora do surto exponencial de cancros e outras doenças mortais em todo o mundo.

Outra actividade importante foi a reunião aberta de Vandana Shiva e Marie-Monique Robin com a Comissão de Ambiente e desenvolvimento sustentável do Senado da Nação Argentina, para sensibilizar o poder político para estas questões de soberania alimentar.

A organização do FINCA, que cumpriu este ano a 3ª edição sob a direção de Florência Santucho, pertence ao Instituto Multimédia de Direitos Humanos de que é presidente Júlio Santucho. Esta organização promove igualmente um Festival de Cinema de Direitos Humanos, que vai na sua 15ª edição, tendo por isso uma equipa muito profissional, coesa e solidária, bem como uma extensa lista de voluntários que dão vida e dinâmica às iniciativas.

Durante a semana, fui sempre acarinhado e bem recebido por esta equipa fantástica do festival e outros convidados, com destaque para os realizadores Ricardo Gomes – Mar Urbano (Brasil), Giulio Squarci – Os Guardadores da água (Itália), Miryam López, diretora de comunicação do Festival da República Dominicana, entre muitos outros.

Para além das actividades em que estive envolvido, deu ainda para desfrutar da cidade, passeando junto ao Rio Del Pata, na Feira de San Telmo, no Caminito,... Nas várias caminhadas entre hotel e cinemas por ruas movimentadas, Florida, Tucuman, Córdoba, Rivadavia e Avenida Corrientes, esta última com as suas salas de teatro e por isso considerada a “rua que nunca dorme” e por vezes conhecida como a Broadway de Buenos Aires.

Ainda o imponente Obelisco, a praça San Martin, o bairro de Palermo Soho e a mítica livraria Ateneu, onde comprei o último livro de Eduardo Galeano, El Cazador de histórias, editado após a sua morte no ano passado e que ainda não chegou a Portugal.

A convite da organização, deu para assistir a uma noite de Tangos no mítico café de Los Angelitos, tango que ainda havia de dançar para a fotografia numa das ruas do centro, para turistas e noutro local a uma festa de folclore.

Porque no domingo não tinha programa, aproveitei para fazer o Bus Turístico, onde encontrei um grupo de portugueses que de Seia conheciam “os joelhinhos”! E de joelhos e restante corpo meio frio, pelo ar gélido da cidade, assim fui conhecer melhor os lugares de que falavam e que antecipadamente tinha anotado, sobretudo da imponência do seu centro e outras zonas residenciais, que configuram grandes contrastes entre zonas ricas de um lado e bairros pobres do outro.

Por fim um imprevisto, o taxista que me esperou no hotel às 6 da manhã, levou-me para o aeroporto errado. Como ainda faltavam duas horas e meia, entrei noutro táxi, quase já sem pesos e alguns euros, mergulhando num trânsito imenso, meio angustiado, na incerteza de chegar a tempo e a ver os minutos passar. Não ganhei para o susto e por um minuto não fiquei em terra!









 









Mário Branquinho
#cineeco #finca #seia #cinemambiental

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Seia deve reivindicar a sede do Geoparque da Serra da Estrela



Recentemente 9 municípios da Serra da Estrela e o Instituto Politécnico da Guarda procederam à assinatura de um Memorandum com vista à prossecução de uma candidatura para a classificação da Serra da Estrela a Geopark Global da UNESCO.
Este Memorandum, como foi salientado constituiu os primeiros alicerces daquilo que virá a ser um novo paradigma para o desenvolvimento deste território.

Neste sentido e enquanto deputado com responsabilidades na Assembleia Municipal de Seia, entendo que a sede deste futuro Geoparque da Serra da Estrela, deve desde logo ser reivindicada para Seia. Várias são as razões que podem sustentar esta justa reivindicação, desde logo pela existência da Escola Superior de Turismo e Hotelaria, entidade com responsabilidades acrescidas na criação deste projeto.

A existência do CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, enquanto estrutura orientada para o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e de valorização do património ambiental da serra da Estrela. A realização do CineEco, único festival de cinema ambiental que se realiza em Portugal, há mais de 20 anos e um dos mais proeminentes internacionais.

Também o Seia Smart Mountains Living Lab, que está em processo de criação, será igualmente um factor inovador e decisivo no contexto de valorização e inovação de aspectos da ruralidade à luz da modernidade.

Acresce a centralidade de Seia e a sua proeminência na sua estratégia de desenvolvimento em torno do potencial da montanha, com exemplos dados num quadro de valorização de tradições culturais. Todo um trabalho que tem vindo a ser seguido na promoção do desenvolvimento turístico e integrado, em torno do potencial turístico da região da Serra da Estrela, de forma sustentável, integrada, criativa e inovadora.

O Geopark Estrela, com mais de 2 mil quilómetros quadrados  e aproximadamente 170 mil habitantes, engloba uma área que inclui os municípios de Belmonte, Celorico da Beira, Covilhã, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Oliveira do Hospital e Seia, mais do que uma classificação a território da UNESCO, consagrará a Serra da Estrela como território de Educação, Ciência e Cultura.



Mário Jorge Branquinho
Líder da bancada do PS na Assembleia Municipal de Seia
Seia, 17 de Janeiro de 2016



sábado, 12 de dezembro de 2015

Dá que pensar



Dá que pensar não pensar muito, assim como soa estranho, passarem os anos, quase meio século e nós redobrados nas nossas interrogações e incertezas do caminho. Do percurso que fazemos, das histórias de vida concebidas, dos sonhos e realidades conseguidas, assim como de tudo o que fomos capazes de enfrentar, nas alegrias e nas tristezas, no bom e no mau que decifrámos. Um caminho alucinado de esperanças e iluminado de crenças, umas vezes bem-sucedidos, outras frustrados, mas quase sempre assentes na banalidade efémera das causas, por não durarem como queríamos.

Dá que pensar, lembrando quando fomos crianças e sonhámos em ser crescidos e pelo meio do caminho recebermos doces e rebuçados, jogos, prendas e enamoramentos e muitos divertimentos. Podemos incluir memórias de tempos e momentos de parcos recursos e aqui e ali dalguma dor, por ser normal, mas sempre felizes, com quase nada.

Dá que pensar lembrar como fomos crescendo, sonhando pela normalidade de quem quer emprego e posses e família e filhos e carro e casa e mesa e roupa lavada e tudo o mais que leve a um padrão de conforto, além do que pudesse vir por direito próprio. Como também a lembrança da caminhada que foi prosseguindo, nem sempre a melhor, por tantas vezes optarmos por males menores em nome de estabilidade, em nome de princípios e regras e normas, com amor, com dedicação e sempre, mas sempre com denodada entrega ao trabalho, malfadada sina de quem não sabe fazer mais nada.

Dá que pensar não poder fazer a caminhada contrária, da cova às entranhas, como no estranho caso de Benjamin Button. Uma interrogação de quem chega a um provável meio caminho e se desdobra nas encruzilhadas, entre impulsos e recalcamentos, vontades contidas e desejos incontinentes e amiúde inconsistentes.

Dá sempre que pensar, mas chegados á ponta de onde se começa a ver vários fins de ciclo, de amigos que partiram e tempos que não voltam, quase explodimos. Quase saímos da repetição dos dias e das horas, das rotinas que acenam tontas e quase diluímos preconceitos de quem não está para mais nada senão para ver e sentir. De quem já ouviu de tudo e não quer saber de mais nada, de quem já perdeu e já ganhou, de quem já foi avisado e de quem mais ninguém se lembra se não for notado.

Pode parecer estranho desfiar assim um rosário de contas deitadas à vida, desta forma redonda, mas pode impor-se assim, sem mais.

Pode parecer estranho, mas só resvalando nalgumas inquietações, numa dose moderada de interrogações, escutando imprudentes silêncios, se pode augurar o sabor dos efeitos colaterais de um atrevimento de sentido contrário à norma.



MJB, 10 de Dezembro de 2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O valor da marca Seia coloca-nos em 79º lugar no ranking das melhores cidades para viver



No universo de 308 municípios portugueses, Seia encontra-se entre as melhores 79 cidades para viver, segundo um estudo da consultora Bloom Consulting, revelado pelo Jornal de Negócios. Lisboa continua a ser a melhor cidade para viver, seguindo-se Porto e Braga.

A lista compara diversos indicadores de natureza económica com um conjunto de 26 perguntas-chave, que agrega o que as pessoas procuram num município a nível mundial.

O ranking foi elaborado através do cruzamento de diversos dados estatísticos, como desemprego, número de hospitais, salário médio, taxa de criminalidade ou dormidas turísticas por município.

 As três categorias em análise são Negócios (Investimento), Visitar (Turismo) e Viver (Talento), ou seja, qualidade de vida, turismo e ambiente. No ano passado Seia encontrava-se em 76º, o que significa que este fenómeno pode ser usado em benefício do desenvolvimento local.


Vale o que vale, mas quando às vezes se referem exemplos de concelhos vizinhos, seria bom verificar a localização de algumas dessas cidades: Oliveira do Hospital - 150º; Gouveia – 140º; Nelas – 136º; Mangualde – 97º e Fundão – 94º.

Apesar de ser um município do Interior do país, e de enfrentar muitas debilidades inerentes à sua localização, a que não é alheia a própria situação financeira do município, não deixa de ser pertinente constatar-se o valor da nossa marca territorial.

É evidente que para este ranking muito terá contribuído a dinâmica empreendida, as infraestruturas construídas, assim como o património cultural e paisagístico, nesta encosta da Serra da Estrela. Não deixam de ter importância os pequenos contributos das iniciativas desenvolvidas e dos esforços empreendidos, que vai da rede de museus, ao CISE, aos eventos das aldeias de montanha, das feiras de produtos e festivais realizados, entre os quais o CineEco, que projetam uma imagem de excelência para o exterior, assim como o contributo das empresas, instituições e escolas. Estas últimas têm tido um papel preponderante, sobretudo no que se refere à excelência do ensino ministrado, começando nas Escolas Básicas, passando pela Escola Profissional, Conservatório de Música e Escola Superior de Turismo e Hotelaria.

Todavia, não pode o resultado deste estudo servir para nos encostarmos à sua sombra, mas antes para aproveitarmos o mesmo para nos servir de alavanca e estimulo para crescer. O mesmo resultado só comprova que Seia tem potencialidades, mas terão de ser ainda mais bem aproveitadas, usando-se de persistência, criatividade e inovação, no quadro do estímulo que permanentemente tem de usar-se, por todos nós.

Ou seja, comprova-se que Seia tem futuro, mas o sucesso depende de nós e o que fizermos hoje terá reflexos no imediato, para o bem ou para o mal.


MJB

quinta-feira, 14 de maio de 2015

ARTIS XIII - Festival de Artes Plásticas de Seia 2015



Arrancou no dia 2 de maio a XIII edição do ARTIS - Festival de Artes de Seia, um dos eventos de referência da programação cultural concelhia que se tem vindo a destacar pelo contínuo crescimento qualitativo, assumindo-se como um espaço privilegiado para a promoção das artes do concelho.
A inauguração contou com homenagens ao artista senense Júlio Saraiva, desenhador profissional, e Geofff Kilpatrick (a título póstumo), personalidade das belas artes e artesão, a que se seguiu um concerto com a Orquestra didática do Conservatório de Música de Seia.
António Júlio Vaz Saraiva dedicou a maior parte da sua vida ao desenho, como desenhador profissional na empresa Hidroelétrica da Serra da Estrela e como artista, representando particularidades do património histórico de Seia e do concelho, retratando figuras locais e ilustrando obras de autores senenses. Nascido em 1928, também é fotógrafo amador desde 1940 e tem participado em diversos trabalhos de valorização e promoção do património histórico local. A sua obra acompanha o desenvolvimento de Seia na segunda metade do século XX, interrogando agora, no início de um novo milénio, os caminhos senenses para o futuro. 
Até 15 de junho, muitos dos seus trabalhos podem ser vistos na galeria do Posto de Turismo de Seia.

Geoffrey Norman Kilpatrick foi um dos artistas presentes na primeira exposição de artistas senenses, em 1999, na Casa Municipal da Cultura, participação repetida em várias edições da ARTIS. Geoffrey nasceu em Inglaterra, a 16 de janeiro de 1961, onde estudou belas artes, no politécnico de Coventry, e residiu em Pinhanços – Seia até 2000. Do seu percurso de artista é de assinalar a realização de várias exposições na Inglaterra, Irlanda e Portugal, tendo igualmente se dedicado ao artesanato. As suas “casas de xisto” – miniaturas das casas tradicionais em xisto – fizeram escola na região, servindo de modelo e inspiração a outros artistas e artesãos.
Algumas das suas obras podem ser vistas nas Galerias da Casa Municipal da Cultura, durante os dois meses do Festival ARTIS.

A ARTIS é promovida pela Câmara Municipal, em parceria com a Associação de Arte e Imagem de Seia, coorganizadora do evento, e desempenha um importante papel na promoção e desenvolvimento cultural da comunidade, diversificando e qualificando a oferta cultural e artística, estimulando não só a participação das pessoas e organizações culturais, como também facilitando o acesso das populações à criação e fruição culturais.
O Festival decorre até ao dia 30 de junho na Casa Municipal da Cultura e Posto de Turismo de Seia, sendo composto por uma Mostra de Pintura, Escultura e Fotografia, integrado num programa que contemplará outras áreas artísticas.
Destaque, neste âmbito, para a instalação performativa “Experiências do Presente Peneiram o Futuro” de Ricardo Cardoso, que teve lugar junto ao Mercado Municipal de Seia, no dia 13 de maio, performances de rua pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Seia, nos dias 20 e 27 de maio na parte da manhã e a 3ª edição da Mostra de Música Moderna de Seia (MMMS) e a 6ª edição do Festival Especial, que irão decorrer no Cineteatro da Casa da Cultura, respetivamente, nos dias 16 (21:30h) e 17 de maio (15:30h).
Nesta 13ª edição do Festival ARTIS, a expressão dramática também merece destaque, incluindo na sua programação, de 25 a 30 de maio, o VIII Motin – Mostra de Teatro Infantojuvenil, com espetáculos dos grupos de teatro das escolas do concelho, do ator António Fonseca, encerrando com espetáculo "Oxalá não demore ao céu cair para abraçar o fogo que nos consome", do Teatro da Academia de Viseu.
No âmbito do festival estão ainda programadas ações como a apresentação do exercício final do Curso de teatro, performances do Agrupamento de Escolas de Seia, sessões de filmes ligados às artes – 7ª Sena _ Núcleo Cinéfilo de Seia, atividades de rua, oficinas de pinturas, etc.

Blogue oficial do Festival de Artes e Imagem: www.artisdeseia.blogspot.pt