sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Terminei hoje um ciclo político

O meu discurso de hoje na Assembleia Municipal da Seia

"Termino hoje, aqui e agora, um ciclo político que iniciei há 12 anos enquanto deputado na Assembleia Municipal de Seia, em 3 mandatos, dois dos quais como líder de bancada do PS. 
Doze anos mais quatro seriam dezasseis anos e, por entender ser já longo o tempo, decidi, em consciência e com a sensação de missão cumprida, colocar um ponto final neste ciclo.

Uma caminhada que muito me honrou, pela oportunidade que o meu partido me deu, a partir desta tribuna, de dar contributos para o Concelho onde sempre vivi, vivo e trabalho.
Desde que tenho consciência de mim, que me fui envolvendo na defesa de valores que considerei desde sempre fundamentais, quer no plano profissional, enquanto trabalhador do município, quer no quadro de cidadania, enquanto dirigente associativo e, naturalmente, na política, usando o tempo disponível, através do exercício dos cargos para que fui eleito.

Valores assentes, fundamentalmente, na defesa da dignidade humana, do valor do trabalho, do respeito para com o outro, do bem comum. Quem me conhece, sabe que é assim, sabe que tem sido esta a minha forma de actuar.

Neste tempo, além de 12 anos de Assembleia Municipal, registo ainda 30 anos de militância no PS, com várias participações em cargos políticos concelhios e distritais e, neste mandato, a Presidência da Assembleia da CIMBSE. Currículo e obra feita e publicada.

Na minha profunda convicção, fui defendendo aquilo que eu próprio julgava ser o essencial e o fundamental.

Na qualidade de deputado municipal, desde 2005 que intervenho activamente nessa defesa, de diferentes modos. Assumi a função e a militância como uma outra família. Aquela que também defendi em todas as circunstâncias. Aquela que tomou parte do meu tempo, da minha vida, numa entrega total.

Na política, com espírito de missão, travei inúmeros combates, sempre na defesa do que julgava ser o melhor. No confronto com os adversários políticos, dos vários partidos, onde todos procuram fazer o seu melhor. E vivi a política por dentro, as suas virtudes e as “manhas”, dando a cara pelos projetos e ideias em que acreditava. Nem tudo foi fácil. Nem sempre saí vencedor. Contudo, sempre o fiz e me pautei pelas mesmas convicções. Aquelas que ainda hoje me orientam na procura do melhor caminho, das melhores soluções.

Mas hoje é o dia em que me despeço, perante esta Assembleia onde cada um faz o que pode e sabe pela causa pública, pela defesa do interesse público, pela defesa da população local, pela defesa, intransigente, das pessoas e dos valores.

Por mim, procurei influenciar naquilo que considerava ser o melhor caminho, a melhor estratégia. Com espírito crítico e olhar atento. Convicto da importância de Seia no quadro da nossa região, numa perspectiva global, de quem a vê num lugar universal, defronte para o mundo e não numa perspetiva redutora ou provinciana. Com entrega, com paixão e persistência, sem nunca partir para outra terra, procurando sempre fazer o melhor pela sua, a partir deste lugar de eleição que hoje deixo.

Mesmo na adversidade, interna ou externa, nunca baixei os braços. Nunca esmoreci, mesmo quando tudo parecia ruir. Quando se perdiam serviços pelo centralismo avassalador que marca o espectro politico português. Reconhecendo as inúmeras adversidades de um território do Interior onde é quase heroico fazer política. Mas onde a marca que cada um de nós deixa é fundamental, sendo imperioso cada um saber se cumpre ou não a função.

Independentemente das adversidades e das pedras no caminho, fui seguindo, seguro e sempre com a mesma vontade. Porque o caminho também proporcionou momentos de felicidade, de conquistas. E cada passo em frente, neste território longínquo é sempre uma conquista. Onde tudo custa muito e o pouco custa sempre mais. Mas onde não se pode vacilar, nem recuar. Onde se redobra o empenho, o engenho e a vontade.

Da minha parte, é com essa vontade, que nunca me abandona, que me despeço. E o faço com a emoção de quem deixa a sua casa. Aquela que ajudou a erguer, passo a passo, na defesa e na luta pelo bem comum.

Um agradecimento a todos pela amizade e solidariedade.

Um agradecimento particular ao Filipe Camelo, que em mim depositou a confiança para levar a “bom porto” os meus mandatos nesta Assembleia. Ao teu lado combati. Na tua ausência te defendi. Sempre convicto de que farias o que estivesse ao teu alcance para defenderes um território e uma população.

Aqui chegado, reafirmo o melhor para o nosso Concelho, em prol do seu desenvolvimento, na certeza de que só com emprego se promove o futuro.

Na certeza, também, de que os lugares são feitos pelas pessoas, pelas empresas e entidades. Onde todos contam.

Na certeza de que os territórios, as cidades competem uns com os outros com o objectivo de melhorar a qualidade de vida dos residentes, mas também para atrair pessoas, visitantes turistas e investimentos.

Na certeza da crescente importância da sutentabilidade e qualidade de vida nas cidades, na qual Seia se enquadra na perfeição e na ambição desejável que vem praticando.

Confiança no futuro é o que reafirmo enquanto cidadão e agente de desenvolvimento que sou e pretendo continuar a ser no quadro da cidadania. Já que, da política, apenas poderei dizer que “vou andar por aí”.

E, para terminar, ocorre-me um pensamento de Fernando Pessoa que resume emoções, sentimentos e percepções que foram resultando em mim, nesta caminhada política que agora termina:

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

Obrigado a todos.

Seia, 15 de setembro de 2017


Mário Jorge Branquinho

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

23ª EDIÇÃO DO CINEECO DIVULGA SELEÇÃO OFICIAL


Inspirada numa das mais importantes obras sobre alterações climáticas, de Naomi Klein, a edição de 2017 do CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, centra-se na ideia de que “Tudo pode mudar: Oceanos, Clima e Economia” e coloca 100 filmes em exibição dos mais de 500 rececionados.

Em Seia, de 14 a 21 de outubro, estarão em competição, nas várias categorias do Festival, películas oriundas de mais de 25 países. Desde Longas e Curtas, Documentários e Reportagens de Televisão, Regionais, Nacionais e Internacionais, são 100, as películas que serão exibidas na Casa da Cultura de Seia durante uma semana.

O livro “Tudo Pode Mudar: Capitalismo vs Clima de Naomi Klein, considerado um dos mais importantes alguma vez escritos sobre alterações climáticas, e o documentário de Avi Lewis, que conta com a participação da famosa economista, foram a inspiração para esta 23ª edição.

O pressuposto de que Tudo Pode Mudar é partilhado pelo Festival ao considerar possível renunciar à obsessão do crescimento a curto prazo, por nos impedir de criar um sistema económico e social ao qual o termo 'sustentável' se possa aplicar com justiça e igualdade. Foi com esta premissa que foi pensada e estruturada a programação e a Seleção Oficial 2017 tornada agora pública.


Este documentário de Avi Lewis, ‘This Changes Everything” no original, vai aliás fazer a pré-abertura do CineEco 2017 a 15 de setembro (fora da competição), marcando o lançamento de várias atividades que vão acontecer por toda a cidade e que culminarão com a sessão oficial de abertura do Festival a 14 de outubro.

A Sessão de Abertura, vai ter lugar no sábado, 14 de outubro às 21h30, simbolicamente com a projeção do clássico do cinema mudo português ‘Os Lobos’,  de Rino Lupo (1923), um drama rodado no ambiente rural das gentes de Seia, na Serra da Estrela e com a partitura musical de António Tomas de Lima, composta em 1925.

A partir daí vão ser apresentadas as várias Competições: Longas e Curtas Internacionais, Longas e Curtas em Língua Portuguesa, Documentários e Reportagens de Televisão, Panorama Regional. A Seleção Oficial do CineEco 2017 completa pode ser consultada em www.cineeco.pt.

As Sessões Especiais acontecerão igualmente durante esta semana, onde se destacam, bem a propósito, filmes como o novo “Uma Sequela Inconveniente: A Verdade Para o Poder”, de Al Gore, realizado por Bonni Cohen e John Shenk, e “A Odisseia”, de Jérome Salle, sobre a vida e obra do oceanógrafo Jean-Yves Cousteau. Uma especial atenção ainda para uma ampla programação de Sessões Matinais de Curtinhas Ambientais e filmes de animação dedicadas ao público infantil, com filmes como: “Amarelinho”, de Christian de Vita e “A Canção do Mar”, de Tomm Moore.

Para além dos Prémios considerados no Regulamento para as competições internacionais longas e curtas, séries televisivas e filmes de língua portuguesa, este ano está previsto haver Prémios Especiais para filmes com diferentes abordagens sobre a Água. Filmes esses que vão ser exibidos durante o Fórum Mundial da Água, que decorrerá em 2018 em Brasília, no quadro da participação de Seia e do CineEco nesta importante cimeira.
O CineEco 2017, é organizado como habitualmente pelo município de Seia sendo este ano reforçado pela valorização dos recursos naturais preconizada pelo Festival iNATURE Serra da Estrela e que estará bem patente as atividades paralelas do Festival, como nas comemorações que antecedem a semana do CineEco.


O CineEco é um dos mais antigos festivais de cinema de ambiente do mundo e integra a Green Film Network, uma plataforma de 40 festivais, da qual é igualmente membro fundador.

sábado, 22 de julho de 2017

Viral Virtual



Um vírus não se vê à vista desarmada, mas tudo o que quer estatuto de viral, tem de ser visto por milhares ou milhões, sem recurso a qualquer ponta ótica ou estreito de ilusões. Apenas na ótica da diferença, da crença ou do inusitado, face à vulgaridade da norma.
Viral, pelo que se vê ou não vê e crê, e tudo a espalhar-se como um vírus, voraz, derramando na imensidão que se estende, sem ângulo e sem lânguida visão.
Tanto pode ser como quem tenta sobreviver a uma epidemia apocalítica, em quarentena, como reforçando ao máximo a exposição para o fenómeno fátuo. Uma que se quer, outra que se evita, por onde der ou por onde puder.


Hoje virou negócio no mercado de valores virtuais fazer vídeos virais, que não são mais que histórias breves inusitadas. Histórias simples que despertam curiosidades, em bom rigor, matreiras, por tanto fazer subir como descer um índice de popularidade. Ou criar atratividade, ou gerar distâncias ou repugnâncias, ou admirações ou frustações, ou espanto ou desilusões.
Seja. Vídeo viral tem estatuto. E adquire-o do alto poder de circulação na internet, como algo que se mete, configurando fenómeno de popularidade. Na verdade, vídeo só é viral se for visto em larga escala, se for além de visualizações normais em quantidade, independentemente da qualidade. Quase sempre resultam da espontaneidade. Quase sempre brotam da captação oportuna, do instinto da bruma ou da circunstância que a fúria assuma.
Fúria de ver e mostrar, ânsia de a todos chegar, seja na ótica do comprometido utilizador ou no instinto do manipulador. Nem tudo o que se vê é o que se veja, nem tudo que sobeja é. Seja por ser virtual, espontâneo ou composto, não deixa de ser real o fenómeno que corre o mundo, independentemente de credos, conceitos e preconceitos.
Consta que sim, que o que é viral-virtual é bom, mas, assim-como-assim, nada como ter certas reservas, não vá o vírus ir além do efémero e instalar-se no mal que perdura e dure para sempre. Até ao fim.

Mário Jorge Branquinho

Junho 2017

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Morreu José Hortêncio


O senense José Hortêncio, morreu hoje, 20 de Julho de 2017, aos 88 anos, vítima de doença oncológica.

Partiu um homem bom de Seia. Dinâmico e muito dedicado ao associativismo, com relevância na área da música. Enquanto músico autodidata e enquanto dirigente de várias formações.

Para a posterioridade fica a sua obra, sucintamente retratada nesta biografia que elaborei com ele ainda em vida e que publiquei em 2009. Agora só acrescentei um pouco mais, do muito que ainda acrescentou nestes anos.

Biografia

José Manuel Mendes Hortêncio nasceu na Rua 1º de Dezembro, em Seia, a 29 de Junho de 1929. oitenta e oito anos de vida e mais de setenta de músico.

Começou a sua carreira musical em 1941, na Banda dos Bombeiros Voluntários de Seia, regida na altura por António Augusto Rosa. Nesses tempos, cruza-se ainda com os maestros Basílio Monteiro, Laurentino de Serra e Moura, Sena Pinheiro e António Campos e com os directores Albano Gomes Cabral e Manuel Toscano Pessoa.

Nos princípios da década de 50 interrompeu a sua actividade na banda, por incompatibilidades com a actividade profissional na Companhia Herminios, voltando em 1964, na altura em que era regente o seu irmão Virgílio.


Em 1966 foi transferido da Companhia de Transportes Hermínios para a Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela (EHESE), no mesmo ano em que era fundada a Banda desta empresa, tendo José Hortênsio ainda tocado simultaneamente na Banda de Seia e na chamada “Banda da Empresa”. Nesse mesmo ano, foi também um dos fundadores da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Seia. Nos anos seguintes, fez parte da Orquestra da Folgosa do Salvador e dos Grupos “Sena Jazz”, “Ases do Ritmo” e “Diapasão”, parando em 1979, por motivos de saúde. Voltou mais tarde à Banda de Seia, em 1983 (até 1994), quando era maestro Manuel Pancão Cola.

Como instrumentista, executou trompete, saxofone alto e tenor. Passou transitoriamente também pelas Bandas Filarmónicas de Arcozelo da Serra, Gouveia, Paços da Serra e Moimenta da Serra.

Além de músico, ao longo destes anos foi também director da Banda de Seia, Director do Rancho Folclórico e Director Artístico da tocata do mesmo, na altura em que foi gravado o disco do Rancho.

Foi autor de algumas marchas e letras para a Rua Nova e Bairro Salazar, nas Marchas Populares de Seia.

No Orfeão de Seia, além de ter sido Tesoureiro da Direcção, foi coralista entusiasta, pondo também muito do seu empenho na organização do “Festival de Música Coral em Terras de Sena”.

Na Academia Sénior de Seia, integrou o Grupo “Cantares e Cantigas”, numa forma descontraída e saudável de lazer e convívio, próprios de quem muito tem dado à causa pública.

Fez parte da Orquestra Juvenil da Serra da Estrela como fundador e executante, tendo exercido cargo de vice-presidente. E aqui, tem naturalmente de destacar-se o empenhamento de José Hortênsio na realização do Festival de Orquestras de Música Ligeira, numa caminhada conjunta com Marco Paulo Santos. No final deste ano o festival cumpre a sua 18ª edição. Uma ocasião para a qual já tinha assegurado a presença da Orquestra Ligeira do Exercito.


Já em 2007, com o seu irmão Virgílio e Cesário Mota - três conceituados músicos despontados ao longo dos tempos em Seia - criaram o grupo “Lendários”, que acompanhados por 4 familiares, gravaram um CD e DVD com músicas dos anos 50.
Em 29 de Novembro, integrado no X Grande Festival de Orquestras de Música Ligeira de Seia, que decorreu na Casa Municipal da Cultura, José Manuel Mendes Hortêncio foi homenageado pela Orquestra e público presente.

No Feriado Municipal de Seia, 3 de Julho de 2010 foi-lhe atribuída pelo Presidente Carlos Filipe Camelo a ”Campânula Municipal de Mérito e Dedicação”, pelo seu trabalho enquanto dirigente associativo.

A sua última aparição pública foi no concerto da Orquestra Juvenil da Serra da estrela, no ultimo Feriado Municipal de Seia, 3 de Julho, após a cerimónia de entrega de Câmpanulas de Mérito Municipal.

No decurso destes 80 anos de vida, José Manuel Mendes Hortênsio viveu feliz, rodeado da família – os “Ceiras” - conhecidos por terem excelentes dotes musicais e que muito têm dado ao panorama musical do concelho de Seia. Dádivas, das quais foi retirando como compensa, o gosto pelo trabalho, as canseiras dos desafios e as incompreensões que sempre surgem num percurso longo e difícil e tantas vezes escasso de meios.


Muito mais haveria para dizer, da vida de José Hortêncio dedicada à causa do associativismo através da música, mas fica o essencial de um percurso longo e saudável, de um senense temperado na forja de um auto-didatismo feliz e voluntarioso. De um homem honesto e humilde, que sempre soube criar laços e cultivar a amizade ao longo dos tempos, nesta “Seia querida”!

Mário Jorge Branquinho


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Homenageados com Campânula de Mérito 2017 no Feriado Municipal de Seia


O Município de Seia, presidido por Carlos Filipe Camelo, homenageou neste dia 3 de Julho de 2017, Feriado Municipal de Seia, várias personalidades e empresas do concelho numa perspetiva de reconhecimento público pelos relevantes serviços prestados à comunidade.

Fica o resumo dos seus currículos:

ANTÓNIO MANUEL COELHO SILVA, Campânula Municipal de Mérito e Dedicação



António Manuel Coelho Silva é natural de Seia e tem 33 anos de vida. Formado na Escola Profissional da Guarda (Manteigas), as primeiras experiências com o vinho, num contexto de restauração, advêm das práticas em dois dos restaurantes mais ilustres e emblemáticos do nosso país: o Tavares Rico (Lisboa) e a Fortaleza do Guincho (cascais). No grupo Quinta das Lágrimas, dedicou mais de cinco anos ao serviço de vinhos (2006-2011).
Em outubro de 2011, o sommelier senense, muda-se para Espanha, onde viria assumir as funções de “Head Server” no Can Farbes, um espaço com um longo historial, chefiado por um dos monstros sagrados da alta gastronomia espanhola - Santi Santamaria - em 1994 chegou a atingir três estrelas Michelin, mas acabaria por encerrar em 2013.
Terminada a aventura, ingressa, em 2012, no mundo Berasategui, mais propriamente no restaurante Lasarte. Em 2014, faz uma pausa para adquirir novos conhecimentos: em Itália, no restaurante Villa d’Amelia, com uma estrela Michelin e já em Espanha, novamente, no restaurante Martín Berasategui, com três estrelas Michelin.
Atualmente, continua a brilhar no Lasarte, assumindo também a função de Maître (chefe de sala). Em 2017, chega o reconhecimento. António Coelho é considerado pela revista WINE - A Essência do Vinho, “Sommelier / WineDirector do Ano 2016”.


JAIME REIS,Campânula Municipal de Mérito Cultural

(foto by Alexander Graeff)

Natural de Seia, iniciou os seus estudos musicais com António Tilly, no Conservatório de Música de Seia.
Licenciou-se em Composição na Universidade de Aveiro, onde recebeu três bolsas de mérito. Frequentou seminários com Emmanuel Nunes e K. Stockhausen. Investiga no Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md), que tem sede na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL).
É fundador e diretor artístico do Festival DME - Dias de Música Eletroacústica. Desde 2003 organizou mais de 50 edições.
Como compositor tem apresentado a sua música em países como: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, China, Coreia, Espanha, Estados Unidos da América, Filipinas, França, Grécia, Holanda, Itália, Japão, Mónaco, Polónia, República Checa, Turquia, Ucrânia; e trabalhado com entidades como: IRCAM (Paris), Musik Fabrik (Colónia), ZKM (Karlsruhe), Musiques & Recherches (Bruxelas).
Tem lecionado em instituições como: Conservatório de Música de Seia, Instituto Piaget, Escola de Música Nossa Senhora do Cabo - EMNSC, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.
É professor na Escola Superior de Artes Aplicadas – Instituto Politécnico de Castelo Branco.


MARIA REGINA CARVALHO DA FONSECA BABO, Campânula Municipal de Mérito Desportivo


Regina Babo nasceu a 11 de maio de 1960, é natural de Baião (Porto), e vive em Seia desde 29 de junho de 1964.

REGINA BABO (ATLETA)
Iniciou a sua carreira desportiva aos 14 anos (1974), representando o CLUBE DESPORTIVO DA FERCOL, tendo-se sagrado Campeã Nacional de 600m (pista ar livre), logo nesse ano.
Ao longo da carreira alcançou vários títulos de Campeã Nacional, nas provas de 400m planos, 800m e na estafeta 4X400m. Representou a Seleção Nacional, por 4 vezes, em Taças da Europa.
Representou ainda outros clubes, tais como: CLUBE DE FUTEBOL SANTA CLARA, SPORT LISBOA E BENFICA, FUTEBOL CLUBE DO PORTO, NÚCLEO DESPORTIVO E CULTURAL DE GOUVEIA.
Praticou atletismo de 1974 a 1987.

REGINA BABO (TREINADORA)
Licenciou-se na Faculdade de Desporto e Educação Física da Universidade do Porto, onde tirou a especialização em Treino de Alto Rendimento, na modalidade Atletismo.
Iniciou-se como treinadora no ano 2000, tendo até ao momento presente, alcançado:
- Mais de 25 Pódios Nacionais
- 15 Internacionalizações em Campeonatos da Europa, Campeonatos Ibero-Americanos e Campeonato do Mundo
Nota: destaca-se o facto de ter conseguido levar um atleta ao 2º lugar (medalha de prata), no Campeonato da Europa de Juvenis, registando nessa competição a 2ª melhor marca europeia do ano.
Participou e colaborou como técnica em diversos estágios nacionais, da Federação Portuguesa de Atletismo, e como técnica nacional responsável, numa competição europeia.
Foi-lhe atribuído pelo Instituto de Desporto de Portugal (IDP), em 2005, o prémio nacional de treinadora de jovens.


PE. JOÃO ANTÓNIO GONÇALVES BARROSO,Campânula Municipal de Mérito e Dedicação

(foto: Tó Amaro)

Nascido em Orjais (Covilhã), a 26/11/1965, é filho de António Barroso e de Maria Alice Pais Gonçalves. Ordenado Sacerdote a 2 de fevereiro de 1992, desde o ano 2000 que serve pastoralmente o arciprestado de Seia, começando na Paróquia de Alvoco da Serra e suas anexas, seguindo-se, dois anos mais tarde, Loriga e Cabeça. Desde 2005 que tem a seu cuidado, além das paróquias referidas, Sazes da Beira e Valezim. E, nos últimos cinco anos também Teixeira e Vide.
Desempenha o cargo de arcipreste de Seia desde o ano de 2008.
Seguindo o seu percurso de vida, a infância foi passada em Orjais, sua terra natal, onde frequentou a escola primária, até aos 10 anos de idade. Depois, seguiu para o Seminário do Fundão e, posteriormente, para o Seminário da Guarda, onde concluiu o Curso Superior de Teologia, em junho de 1990.
Terminados os estudos no Seminário, fez o estágio pastoral nas paróquias de São Miguel da Guarda, Alvendre, Rocamonde e Avelãs de Ambom, então confiadas ao Pe. António Manuel Moiteiro Ramos e Pe. José Manuel Martins de Almeida.
A 7 de julho de 1991 foi ordenado diácono. Em setembro do mesmo ano, acompanhou o Pe. Joaquim António Marques Duarte na sua entrada como pároco nas paróquias de Trancoso, Moreira de Rei e Valdujo, auxiliando ao mesmo tempo o Pe. Alfredo Marques Gabriel nas paróquias de Fiães e Aldeia Nova.
A 2 de fevereiro de 1992 foi ordenado presbítero, na Sé Catedral da Guarda, por D. António dos Santos, bispo desta diocese. Em setembro do mesmo ano, veio para as paróquias da Guarda (Sé e São Vicente), fazendo equipa com o Pe. António Albino e o Pe. António Carlos Marques Gonçalves, onde trabalhou até setembro do ano 2000.
Nos dois anos seguintes fiz licenciatura em Teologia na Universidade Católica do Porto, assumindo pastosamente, aos fins-de-semana, a paróquia de Alvoco da Serra, do Arciprestado de Seia, à data confiada ao Pe. Manuel Elias Ferreira.
Em outubro de 2002, foi nomeado pároco de Loriga e atualmente é o responsável pastoral pelo conjunto das paróquias da área geográfica envolvente, que inclui Alvoco da Serra, Teixeira, Vide, Cabeça, Sazes da Beira e Valezim, acumulando também as funções de arcipreste de Seia.
Exerceu outros cargos, tais como: responsável pelo Departamento Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência e Professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) na Escola Dr. Reis Leitão, em Loriga.


LUSOLÃ - Fabricação de Fios Têxteis, SA, Campânula Municipal de Mérito Empresarial


Inserida no Grupo LUSOTUFO e localizada na Zona Industrial de Seia, a LUSOLÃ é uma empresa nacional fundada em 1985, que se dedica à fiação de fios têxteis e se distingue pela capacidade de oferta ampla de produtos personalizados, desenvolvidos de acordo com as diferentes especificações técnicas requeridas pelos clientes.
Atualmente a empresa conta com 250 funcionários e exporta cerca de 90% da sua produção para uma significativa carteira de clientes, espalhados por todo o mundo.
Os fios desenvolvidos na LUSOLÃ são maioritariamente direcionados para empresas produtoras de alcatifas e tapetes, tufting, axminster, dupla peça, wilton e tufados à mão.
Como empresa integrada, domina os diferentes processos de fabrico, (lavagem, mistura, tinturaria e fiação) a partir de matérias-primas rigorosamente selecionadas que conferem ao artigo final elevados padrões de qualidade e resistência.
Referência internacional no sector da fiação têxtil, a LUSOLÃ continuará em busca de soluções competitivas e inovadoras que correspondam às atuais exigências do mercado global.

MUSEU DA CERVEJACampânula Municipal de Mérito Empresarial

Aberto ao público em Junho de 2012 o Museu da Cerveja dos países de língua oficial portuguesa é um espaço de contemplação da lusofonia, numa das maiores praças da Europa. A riqueza dos Países de Língua Oficial Portuguesa ao nível da cultura cervejeira é dada a conhecer com o Museu da Cerveja, que pretende criar em simultâneo uma ponte e elo de ligação entre diversas capitais e nações.
Conjugando Museologia e Gastronomia, fizemos nascer na emblemática Ala Nascente do Terreiro do Paço um templo à cerveja lusófona, um hino aos saberes e sabores da popular bebida que é homenageada naquele que é já um dos locais de referência da cidade e do país.
O Museu, que também é restaurante, conta ainda com a maior esplanada do país, proporcionando a quem o visita momentos únicos de lazer, patrocinados pelo brilho do Tejo.
Os seus cinco anos de atividade têm provado que é possível respeitar a arte, honrar a história e enaltecer a língua portuguesa com um projeto que é economicamente muito viável e insiste na redistribuição da riqueza gerada como a melhor fórmula para atingir o sucesso continuado e duradouro.
O prestígio já internacional do Museu da Cerveja é para nós um profundo motivo de orgulho, sabendo contudo que a História se escreve todos os dias e que o reconhecimento que temos merecido acarreta também um acréscimo de responsabilidade.

PARANHOCARNESCampânula Municipal de Mérito Empresarial

A Paranhocarnes, Indústria e Comércio de Carnes S.A., iniciou a sua atividade em 2003 estando vocacionada para a produção e comercialização de géneros alimentícios na área da charcutaria e toucinho laminado de suíno, destinados aos mercados interno e externo.
Apresenta uma capacidade instalada de produção semanal de 10000 kg de toucinho laminado e 50000 kg de charcutaria. De acordo com as características da zona onde se encontra inserida, a Paranhocarnes, S.A. tenta seguir os parâmetros de uma produção industrial com qualidade tradicional.
Podemos verificar uma evolução positiva da empresa com o reconhecimento da ISACERT ao nível do referencial normativo International Food Standard (IFS) com classificação final de “Higher level”. Mais recentemente, em Outubro de 2016, a Paranhocarnes, S.A. adquiriu certificação na norma FSSC 22000.
De salientar que a Paranhocarnes, S.A. se encontra licenciada para os mercados Russo e Brasileiro.
Na equipa geral da empresa trabalham cerca de 25 pessoas, entre colaboradores a prestadores de serviços, desde a gestão de topo, área administrativa e financeira até à produção e ao gabinete técnico – produção e qualidade.
A Paranhocarnes compromete-se a melhorar continuamente o seu desempenho na gestão da qualidade, estando focada na satisfação do cliente.
Atualmente, os clientes da grande distribuição para os quais a Paranhocarnes, S.A. fornece produtos de grande qualidade são, o Lidl, Sonae e Jerónimo Martins.
Situa-se na zona centro de Portugal, na região da Serra da Estrela, mais propriamente em Paranhos da Beira, concelho de Seia, distrito da Guarda e tem uma área coberta de 3 597 m2 e área descoberta de 18 994 m2.

SEMPREVIVACampânula Municipal de Mérito Empresarial

A Sempreviva-Importação e Exportação, S.A. foi constituída em 1984 em Coimbra transferindo-se, em 1991, para Carragozela (Seia).Tem 36 trabalhadores e uma equipa de seis vendedores. Comercializa uma grande variedade de produtos, como utilidades domésticas, brinquedos, artigos de decoração, artigos de pintura, artigos de animal, artigos em resina, molduras, porcelanas decorativas e utilitárias, flores artificiais, artigos escolares, ferramentas, cestos, entre muitos outros produtos, num total de cerca de 5.000/6.000 referências diferentes. Vende para Portugal Continental, Açores, Madeira, Espanha, Cabo Verde, Luxemburgo e Angola. Não vende directamente ao público, mas apenas para armazenistas e lojistas.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Serendipidade



Palavra pesada e de quase complicada decifração, por parecer emergir de caso serene e de piedade, mas não! Simplesmente se trata de serendipismo, que não é doença mas antes um anglicanismo que se refere a descobertas afortunadas feitas, aparentemente por acaso, às vezes a partir de erros. É a gente estar descontraidamente a fazer uma coisa e de repente, descobrir outra, sem menosprezar incidentes que às vezes trazem inspiração. E a história da ciência está cheia e recheia de casos desta estranha forma de criar a que se chama, precisamente serendipismo. E não é serendipista quem quer!



(Turim, Itália, 2012)


Arquimedes tomava banho, passou-lhe uma coisa pela cabeça e saiu nu à rua a gritar “Eureka”, descobrindo um dos princípios fundamentais da hidrostática, conhecido agora por “Princípio de Arquimedes”. E a descoberta surgiu quando se interrogava se a coroa do rei de Siracusa seria realmente de ouro.

Fleming também inventou a penicilina, a primeira droga capaz de curar infeções bacterianas, porque antes de ir de férias, em vez de deixar umas bactérias em incubadora, as deixou em bandejas. Quando voltou, uma delas estava quase desinfetada, depois, lá juntou dois-mais-dois e fez a descoberta que se sabe, de tão importante para a humanidade.

Tantos e tantos que ao longo da história, sem que por vezes a própria história os inscreva e reconheça, fizeram brotar descobertas afortunadas a partir de nadas. Acontecimentos fortuitos aproveitados habilmente, sublinhando avanços, sublimando génios subtilmente aproveitados.

Nos dias de hoje, já é considerada uma forma especial de criatividade, para fazer nascer e crescer ideias, conceitos abstratos e quase distraidamente chegar a luzes e projetos, sem grande estaleca até gritar “eureka”. Uma técnica de desenvolvimento do potencial criativo, bastas vezes aliando inteligência, perseverança e senso de observação.

Uma técnica, uma forma, um rasgo, um acaso, sem engasgo, a descobrir sem querer, quase sem saber ler e ao tentar fazer por um lado, sair por outro. Como achar sem querer, a tentar fazer de uma maneira, por uma certa carreira e olhando ao lado, encontrar novos caminhos ou ver logo ali a meta, sem mais demora. Agora imaginemos os que procurando fé, encontram caridade, ou os que pelo seu próprio pé, buscando soluções milagrosas para estados de alma, encontram na calma do caminho, turbulências tais e incidências banais, que se dão por satisfeitos, pelos feitos entretanto emergidos e despontados.

Como na história dos três príncipes de Serendip, enquanto suas altezas viajavam, faziam constantemente descobertas por acidente e sagacidade, de coisas que não procuravam. E assim nasceu a palavra de facto, por idos de mil, setecentos e cinquenta e quatro.

Casos felizes de descobertas inesperadas, quando se seguem por trilhas encruzilhadas, ou se desviam véus do que afinal existe e do que sempre persiste no esplendor da vida ao nosso alcance, por muito que não custe, por muito que canse.

Estranhos dias à janela, Mário Jorge Branquinho,(Sinapis Editores), 2015



domingo, 11 de junho de 2017

Histórias nossas



De volta a um lugar de partidas e chegadas. Num aeroporto pequeno, o das Lages, na Ilha Terceira, por mais de quatro longas horas, entre voos, do Faial para aqui e daqui para Lisboa. Entre tempestades e suspiros meus, a ver se o tempo passa, na esperança de seguir viagem e enquanto isso, rememorar. Intentar uma espécie de incursão pelo passado ou por momentos de vida que nos marcaram. Só quando paramos, temos tempo para pensar e nem sempre parados, pensamos. Os aeroportos são lugares propícios, sobretudo quando estamos sozinhos.

Neste caso, intento o exercício. Uma intenção de quem passou o meio século e vai desfiando histórias de vida, do que se lembra para memória futura. Do que poderá ler-se mais tarde, com substância e substrato, relatado de modo a perceber os caminhos, com interesse e sentido. As deambulações vividas, nesta corda de vida a esticar-se por emoções lembradas, por circunstâncias passadas e a ver se servem no laço armado de enredos de storitelling. E tantas histórias que todos temos, e tanta vontade de partilhar!


Fora de saudosismos, inscritos na brisa do vento, sustento a escrita, por entre viagens e paragens, dando asas ao desejo de assinalar passagens de um percurso de vida deste passageiro, talvez a meio de percurso. Entre viagens, em plataformas de itinerários dispersos, a fazer incursões pela memória dos dias, na esperança de encontrar episódios de vida dignos de partilha. Cenas de uma vida real, nossa ou dos outros, porque há sempre muito que contar, circunstancias banais, ou não, interessantes ou sim, para a prosa que se quer escorreita e apelativa.

Quando se mata o tempo aproveitando o tempo de que se dispõe para pensar sobre histórias nossas, do nosso percurso de vida, é sempre um exercício arriscado, no risco da banalidade contada e da acrescida vulgaridade de exposição intima. Mesmo assim e apesar disso, assume-se a intenção do risco, e redige-se prosa, como prova de vida apressada e passada, para que conste. Simplesmente para que conste, nesta partilha de vida intima, cada vez mais vulgar, nesta quase necessidade de falarmos de nós. Na decifração daquilo que pensamos, do muito que passamos e das infinitas maneiras de redigir histórias passadas, na primeira pessoa. Sem mais!

E assim, neste interposto de viagens, corro a socorrer-me dos apontamentos mentais que fui anotando, para ver se escrevo, para tentar partilhar e quem sabe, tirar ilações.

Todos nós, temos livros em nós, prontos a brotar, do parto ao presente, com amigos e outros, com sangue, suor e lágrimas, com magias e ternuras e frases furibundas e fases menos boas, com altos e baixos, com figuras marcantes, umas tontas e outras extraordinárias, cativantes e desmotivantes e assim e assado.

Enquanto isso, enquanto consulto o livro, olho o horizonte a ver se chega o avião, a ver se parto daqui, antes que me leve o desânimo de esperar sentado.


Ilha Terceira, 9 de Junho de 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

XII MOTIN – Mostra de Teatro Infanto-Juvenil na Casa da Cultura de Seia



Começa esta segunda-feira, 15 de maio e prolonga-se até sábado, dia 20, a 12ª edição do MOTIN - Mostra de Teatro Infanto Juvenil do concelho de Seia.

Nesta segunda-feira apresenta-se TEATRO FORÚM, de Augusto Boal, pelo Senna em Palco, com encenação de José Baptista. Na Terça-feira LOUCURAS EM ROMEU E JULIETA, pela Escola G. Correia Carvalho, de Seia; na Quarta-feira, EM VIAGEM, pela Escola Evaristo Nogueira; na Quinta-feira, PERFORMANCES COMICS, pela Escola Profissional da Serra da Estrela e na Sexta-feira AS PESSOAS DE FERNANDO, pelos alunos da Escola Secundária de Seia. Apara encerrar a Mostra foi convidado o Teatro da Calafrio, Guarda, para apresentar O OssO, de Rui Zink.

O MOTIN é organizado pelo município, no âmbito das atividades da sua Ludoteca Municipal, e que faz estreita articulação no seio da Divisão Sociocultural com os vários estabelecimentos de ensino do Concelho, ao longo dos anos, designadamente: Escola Secundária de Seia; EB 2,3 Dr. Guilherme C. Carvalho; EB 2,3 Abranches Ferrão, de Arrifana; Escola Profissional da Serra da Estrela e Escola Evaristo Nogueira.

Trata-se de uma iniciativa que começou precisamente no dia 7 de Junho de 2006 com o espectáculo “Percival”, pelos alunos da Casa de Santa Isabel, de São Romão.

O MOTIN, que decorre ano após ano, no Cineteatro da Casa da Cultura de Seia, tem como objetivos divulgar a arte teatral; promover e facilitar o encontro dos jovens com o teatro; incentivar a criação de núcleos teatrais nas escolas e na comunidade e promover o desenvolvimento de competências pessoais e sociais importantes na formação dos jovens (concentração, sentido critico, memorização, reflexão, entre outras).

Ao longo destes 11 anos o MOTIN mobilizou cerca de 12 mil espetadores, o que dá uma média de pouco mais de mil espetadores por ano, o que ajuda na consolidação e criação de públicos para o teatro.



domingo, 15 de janeiro de 2017

Contributo para a compreensão do itinerário literário de Mário Jorge Branquinho


Trabalho de Sofia Miranda, Docente do Ensino Superior 

Ler Mário Jorge convoca-nos a um exercício de compreensão de um estilo singular fruto de uma dedicação quase obstinada a uma espécie de catarse libertadora, pelo prazer e pela necessidade de verter no papel as inquietações da alma. A evolução, quando confrontamos as obras, é notória, pelos temas objeto da sua escrita, mas sobretudo pela escrita de persi que o mesmo procurou refinar através do tempo, recorrendo a uma maior abstração e ao emprego de termos que nos convidam a uma constante decifração dos significados. As palavras, escolhidas intencionalmente, encaixam umas nas outras como num puzzle, numa cadência menor ou maior, consoante o ritmo que o autor lhes quis emprestar. E este é assumido pelo próprio como algo importante na sua forma de estar no palco da escrita.
  


O primeiro livro, Sentido Figurado, publicado em 1996, marca formalmente o seu nascimento no mundo literário, onde o mesmo sublinha a insegurança inerente a quem se lança nestes desafios da escrita, sem saber ou duvidando se os mesmos obterão concretização, ainda que não tenha correspondência real porque a virtude mora lá e desde sempre. A obra é marcada por um forte impressionismo, aliás recorrente ou inolvidado nas obras seguintes, que o Branquinho assume pelo gosto, pelo prazer de viajar, de descobrir ou redescobrir os locais, as gentes que marcaram o seu crescimento, numa paleta de cores que vai fazendo questão de acentuar aqui e acolá, num exercício de pura contemplação.

Como emerge através da personagem central, “o contacto com a natureza, já se sabe, é o seu forte!” Tais lugares e gentes constituem  para o autor o seu porto seguro, onde se sente bem, e a que tem necessidade de retornar. Ressurgem em imagens associadas a expressões de cariz vincadamente popular e até brejeiro, claramente assumidas, pinceladas por uma certa ironia, tudo emprestando à sua escrita um caráter singular que não deixa o leitor indiferente, convocando-o a vivenciar diferentes sentimentos.

A personagem Micas constitui um elo de ligação entre os diferentes textos, bem conseguido, fazendo igualmente sobressair a necessidade que o autor tem de regressar à sua condição mais básica, mais elementar, e que constitui para si um porto seguro, como já referido, algo que o devolve ao equilíbrio que o mesmo sabe poder perder no turbilhão da sua ânsia de dizer. A mesma pode-nos ainda levar eventualmente à perceção da importância do elemento feminino na sua vida. Sobressaem, aqui e ali, apontamentos autobiográficos evidenciando uma personalidade inquieta, desafiadora, em constante procura, ao mesmo tempo que se destaca uma necessidade reiterada de racionalizar as emoções, as  inquietações e as constatações. Esta sua necessidade convive assim paredes meias com um lado mais centrado nas perceções imediatas, mas em si mesmas insuficientes, limitadoras.

A dialética é uma constante: entre o ser e o dever ser; entre o pensamento e a concretização; o real e o imaginário; o querer ser e o não dever ser ou dizer. Destarte, a angústia é evidente e permanente em si, mas sem nunca o demover do seu propósito desafiador ainda que isso lhe traga ou possa trazer dissabores. Reservado nas demonstrações, introspectivo ou, como ele próprio diz, um “espírito solitário”,  mas determinado a vencer-se, a ultrapassar obstáculos, a ser o eu por si almejado através da sua própria revelação. As “fraquezas” da personalidade não o limitam. Pelo contrário. A vontade fá-lo suplantar-se a si próprio. Não receia as consequências do seu dizer: “ Indeciso, desconcertante mas firme”. Entenda-se que a indecisão é apenas o ponto de partida culminando necessariamente na firmeza do dizer e do fazer. Existe em si uma grande necessidade de materialização, de concretização relativamente ao que diz. A sua grande capacidade de trabalho é prova disso mesmo. Os vários palcos em que se move constituem o suporte de um dizer com propriedade, de uma experiência feita.

As motivações são muitas, mas sobressaem temas ligados à política, à causa pública, aos valores sociais que lhe são caros, fazendo da ética ou da falta dela o palco privilegiado da sua crítica, aqui e ali, algo ou bastante mordaz, às vezes encoberta por uma ironia subtil ou um humor desconcertante. Vejam-se as crónicas dedicadas aos Presidentes.

Ainda que a escrita, em termos formais, não seja o elemento mais trabalhado, deliberadamente, sobressai já nesta primeira obra a vontade de se desafiar nas e através das palavras, para emprestar ritmo ao texto, para se fazer ouvir, sublinhando sobretudo a vontade de se revelar através da escrita, num exercício libertador inerente à sua própria natureza. É um prelúdio, é uma chamada de atenção, convocando os leitores para a leitura e o comentário que, de modo algum, farão obscurecer a sua vontade, plena de capacidade, de alguém que já existe antes de afirmar a sua existência. Diríamos que, mais do que o sentido figurado que nem sempre o é, o autor fala-nos do “sentido das coisas”, ou melhor, do “estado das coisas” para dar sentido à sua própria vida.


Na sua segunda obra, O Mundo dos Apartes, volvidos seis anos sobre a primeira, a evolução é significativa, sobressaindo uma escrita mais erudita, por vontade própria, mantendo-se, no essencial, as temáticas abordadas. Nota-se um crescimento, uma maior maturidade fruto da vontade, da intencionalidade, do afinco na procura, das experiências da vida, resultando numa maior consistência ditada pela crescente segurança nas suas convicções e nas perceções do que o rodeia, do seu justo valor.

Ler os textos ou crónicas nesta fase é um exercício que nos convoca a todos a um esforço intelectual de decifração e de ligação dos significantes perante os possíveis significados, num jogo inebriante, que nos transpõe para um mundo quase musical, poético, que as palavras transportam, recheado de subtilezas e levezas, envoltas, bastas vezes, numa ironia estonteante ou desconcertante, ora nos prendendo ora nos soltando. Citando as palavras de Fernando Marques Carmino, na obra em que traduz Pierre Hourcade sobre o poeta Pessoa, é uma “prosa de sabor poético”. A grafia e a fonética foram claramente e assumidamente trabalhadas para resultar em textos algo mágicos, fazendo-nos sucumbir nos movimentos de uma dança de palavras, tanto suaves como frenéticos, que nos fazem querer entrar no seu mundo, como nesta frase que se transcreve: “São acelerações e mais acelerações. Acordar a correr e correr para o banho, sem esquecer o esquentador e a toalha à mão e avançar para o fogão, de fervedor na mão, beber de um safanão e sair ao repelão.” Repare-se na cadência, no ritmo, também propositado, na rima constante. Mas o autor não se limita à mera incorporação das palavras no texto. Explica como chegou a elas, os seus possíveis significados, a sua posição, enquadrando-as logo de seguida numa qualquer realidade que o leitor facilmente reconhecerá. Veja-se o texto sob a epígrafe “Palavras ao Vento”.

A personalidade marcante do autor trespassa as linhas do tempo sem sucumbir em nenhuma delas, para dar lugar, no entanto, a novas composições e construções. A inquietação, porque lhe é inerente, mantém a sua centralidade nos textos, reforçada no seu vigor, na vontade de ir sempre mais além, de se superar, provocando e apelando concomitantemente à reflexão e à intervenção do leitor. Exercício sistemático, paradoxalmente solitário, pois as respostas chamadas à colação sabe-as o autor de antemão. Também como ali, aqui, muitas das vezes é apenas para sossegar a alma. A esperança reside dentro de si no sentido de que algo possa mudar para melhor, se houver reflexão ou consciência das verdades que se impõem, recusando-se, de forma quase obstinada, à aceitação passiva de um status quo. Espera assim não “pregar aos peixes” como Santo António, ainda que o próprio disso faça graça.

O autor é ou continua a ser um observador constante e atento da sua gente e do seu quotidiano, da sua terra, defendendo intransigentemente, porque lhe correm na alma e no corpo, os valores a esses lugares comuns associados, sempre implícitos e explícitos na obra, recusando o seu esquecimento, por vezes travestido de calorosas palavras circunstanciais proferidas por aqueles que bem conhece, na perspetiva de captação de dividendos. Recusa assim que “os seus”, fruto da interioridade, sejam catalogados através de qualificativos pouco recomendáveis e aceitáveis, valorizando a simplicidade e a autenticidade que vão rareando.

Há, sem hesitação, uma genuína e inabalável defesa das origens, das marcas que o/nos sustentam, que muitos camuflam em nome das vaidades ou ambições desmedidas. Não é o seu caso. A crítica ou o comentário político estão assim muito presentes, implícita ou explicitamente, nos textos, área aliás em que se sente muito à vontade fruto de uma experiência vivida. Temas que aborda ora com elevada erudição ora com simplicidade, envolvidos com ironia e humor que desconcertam qualquer leitor ou que, pelo menos, não o deixa indiferente, levando-o, vezes sem conta, ou as que forem necessárias, a esboçar sorrisos ou risos, impelindo-nos a novas leituras, as que se seguem no livro. O retrato impressionista, consequência deste seu apego à terra, mantém a sua presença nesta obra, muito em particular quando fala da sua serra (Serra da Estrela).

Não restam dúvidas sobre a inegável capacidade literária de Mário Jorge Branquinho, porque não há como negá-la perante a materialização alcançada, sem nunca abandonar a sua premissa, a sua palavra de ordem ou desordem: inquietação. E sem que com isto queira ou ouse chegar a algum lugar, mas tão só divagar, despertar consciências, libertar, para depois… não sair do lugar, a que sempre retornará nas suas viagens, umas imaginárias outras reais.

O Mundo dos Apartes é um notável conjunto de textos ou crónicas, que nos oferecem de tudo um pouco, por vezes lugares comuns, e que nos impelem a mais leituras. Como diria o autor “palavra de honra” que é verdade! Lembra a obra, aparte as especificidades de cada um, de Jean-Paul Sartre, consubstanciada no seu livro  As palavras, texto autobiográfico, de um estilo inconfundível, mas igualmente inebriante, que nos aponta o caminho da crítica livre. A forma como Sartre se retrata, sem pudor e sem receio de mostrar as suas limitações, é fascinante: ”Virtuoso por comédia, nunca me esforço ou constranjo: invento. Possuo a principesca liberdade do actor que mantém o público em suspenso e aprimora o seu papel; adoram-me, portanto sou adorável. Nada mais simples, se o mundo é bem feito. Dizem-me que sou belo, e eu acredito. Há já algum tempo que trago no olho direito a belida que me deixará zarolho e vesgo, mas por ora nada aparece.” É esta forma simples, corajosa, despudorada, de falar de si como se fala dos outros, com um humor refinado que nos prende aos textos que carateriza alguns escritores nos quais incluo Mário Jorge Branquinho sem qualquer hesitação.


A terceira e última obra de Mário Jorge Branquinho, Estranhos Dias à Janela, decorridos doze anos sobre a primeira, editada em 2015, é simultaneamente um exercício de continuidade e de ampliação quanto às temáticas e aos horizontes que o mesmo procura abordar e alcançar nas suas incessantes viagens de ida e de volta, ainda que balizadas em termos de concretização por um hiato temporal significativo. Horizontes focados através das várias “janelas” em que se observa e observa o que o rodeia ou o que anseia, qual púlpitos prestes a acolher quem tanto tem para dizer, de si e dos outros.

Temas como as causas públicas, a sua visão sobre o homem e o seu quotidiano, continuam a ser objeto de análise e crítica reflexiva. As suas gentes e os seus lugares nunca são no entanto olvidados, aqui e ali, sem ordem de prioridade cronológica porque a eles sempre voltará, por apelo e por afeto. Contudo, a sua análise crítica vai extravasando, nos seus limites geográficos e temáticos, o âmbito puramente local ou regional, assumindo um alcance mais global, acompanhando a inexorável realidade ditada pela evolução tecnológica e como consequência das suas próprias intervenções e experiências de vida, muito ligadas, nos últimos anos, ao mundo cinéfilo. Veja-se o texto sob a epígrafe “E tudo mudou”.

A inquietação continua a manter a sua centralidade, perpassando todos os textos como algo que é inerente à personalidade do escritor e que ele assume sem qualquer hesitação. Entre o ser e o parecer, o ir e o ficar, o ver e o fazer, tudo é algo e o contrário de si mesmo. É notória, como o foi nas obras anteriores, uma personalidade dividida entre um eu racional e um eu mais sensorial, este último das pulsões, dos impulsos, dos desejos. O lado mais racional do autor impede-o de se lançar em aventuras irrefletidas, de um só sentido, sendo materializado nas suas análises críticas acerca do comportamento humano, no que concerne nomeadamente à falta de ética, de empenho, de zelo, de ambição, no querer fazer bem. Veja-se o texto intitulado “Brio”.

As diferentes realizações profissionais do autor falam por si, consubstanciando os valores pelo mesmo defendidos e interiorizados. Este lado mais racional coabita assim com um lado mais emocional, sensorial, que o leva a partir e a regressar, a viajar sem sair do lugar. Este último materializa-se nos impulsos, nos desejos assumidos mas que apenas obtêm realização no seu imaginário, nas suas viagens, em que deambula, vagueia, anseia, mas sabendo de antemão que é apenas isso. Estas são as viagens sonhadas, pinceladas de apontamentos reais de outras viagens vividas e, mesmo naquelas, define, consciente ou inconscientemente, o seu regresso, mesmo naquelas, poucas, em que mostra de forma indelével o seu lado mais íntimo, quando nomeadamente diz “…porque amanhã é outro dia e cada um irá à sua vida.”

Como é natural, a idade vai deixando as suas marcas no autor ao tomar consciência e expressar o facto de que já passaram muitos anos, sem que no entanto a inquietação refreie no seu vigor, no seu ímpeto. As dúvidas acentuam-se porque tem consciência do efémero, do tempo que urge e não espera pelas definições e pelas concretizações. “Meia-idade” é disso testemunho. Nesta obra, o conteúdo e forma surgem congraçados de forma harmoniosa, pois também o estilo evolui, se refina, para dizer o que se tem a dizer com propriedade.

Em jeito de síntese, estamos perante um autor marcado por uma personalidade não direi dual, mas constituída por duas facetas igualmente marcantes, onde a racionalidade e a emoção se interligam para resultar num equilíbrio essencial que nunca o deixa perder o leme do seu barco, conduzindo assim o leitor por entre as ondas, as paisagens fascinantes, a um porto seguro.  Alguém que vai desbravando terreno, indo sempre um pouco mais além, mas seguro de si. A escrita, no seu estilo, na sua forma, é sem dúvida singular quando combina magistralmente as palavras, sentindo o leitor o prazer da leitura, séria nos propósitos, mas pincelada de um humor inebriante e até desconcertante.

Nenhuma das obras do autor deve ser secundarizada. Todas elas nos permitem compreender ou apreender a globalidade do pensamento do criador. Por exemplo, a personagem Micas, presente na primeira obra, representa a segurança, o equilíbrio essencial, ainda que nas obras posteriores se materialize de forma mais abstracta, conclusão que retiramos das suas próprias palavras. Micas é o porto seguro, a origem e o fim de si mesmo, pois o autor viaja muitas vezes sem sair do lugar ou a ele retornando como condição da sua própria existência e sobrevivência. Destarte, o exercício de apreensão  da alma do escritor implica “viajar” com ele, desde sempre, através das suas palavras, perceber as suas motivações, o seu crescimento, porque a essência, que não precede a sua existência, está lá no lugar mais recôndito e longínquo.

Compreender um escritor implica tomá-lo na sua plenitude, contextualiza-lo nos seus diferentes lugares e tempos. Foi isto que se procurou de alguma forma verter neste texto. Caberá a ele próprio, autor, e aos leitores avaliar se foi alcançado o propósito.

O leitor espera agora do autor outras viagens porque a isso o levou, criando uma grande expectativa que, diria, bem fundada. Espera-se que a sua vontade e o seu empenho, demonstrados noutras paragens, o levem a soltar-se através da escrita, contando “estórias” de tudo e de nada, com alma e sabedoria, num estilo que lhe é próprio e que o leitor, que já teve o privilégio de o ler, não mais esquecerá, desejando sempre poder mergulhar e envolver-se nas suas palavras. Assim o esperamos!
  
Referências Bibliográficas

BRANQUINHO, Mário Jorge, Sentido Figurado, 1996
BRANQUINHO, Mário Jorge, O Mundo dos Apartes, 2002
BRANQUINHO, Mário Jorge, Estranhos Dias à Janela, Sinapis Editores, 2015
SARTRE, Jean-Paul, As Palavras, Livros Unibolso, 1964
CARMINO, Fernando (trad.), a mais incerta das certezas – itinerário poético de fernando pessoa-pierre hourcade, Tinta da China, 2016