segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Serra da Estrela, esta serra que se escreve assim


A serra é alta, enigmática e a sua aparência é tão suave como o canto do mocho em vias de extinção. A serra é fria e a brisa que sopra por entre as penedias desta escrita é leve e leva-me a procurar descrevê-la. Por outro lado, a serra apresenta-se vestida de mil cores, pintada por inúmeros pintores, à espera de curiosos turistas ou de pessoas locais, que sem sair para fora, podem viajar cá dentro!

A curiosidade é sempre boa conselheira, bailando connosco nas andanças verdejantes nos extensos campos da serra, onde serpenteiam surpresas vivas e saudáveis sensações. Saber o que está para lá dos montes, por baixo das pontes, no fundo das lagoas, nas encostas empedradas, no fundo dos rios ou nas vulvas das flores que brotam do rosmaninho, são prazeres que extasiam.

No servum que serve de acolchoado, saltitam gafanhotos de contentamento em dias primaveris, sem chuva e sem vento, já que a maior parte do tempo, o manto branco da neve cobre tudo. Articulado entre paz e natureza, está a leve harmonia de sensações capazes das maiores atracções e libertações. 

São belezas atractivas adjacentes ao supra citado articulado e que aqui se realça, com a mesma profundidade com que se eleva a grandiosidade desta serra imponente. E não se pode dizer que não há grandeza na simplicidade destes fenómenos naturais, com a mesma transparência com que correm as águas cristalinas dos ribeiros atrevidos. É imensa a força da raiz desta tela pintada, onde também
há pessoas que vivem e sentem o pulsar que marca o compasso da natureza. Enfim o quadro é lindo e a pintura não pode ser borrada!

MJB, in O Mundo dos Apartes, Seia, Maio 2002


@MárioBranquinho

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Dependências novas



Dependemos muito de muita coisa e cada coisa faz-nos cada vez mais falta, como nenhuma falta nos faz tanta coisa que dantes nos fazia. Quem tem mais de quarenta sabe do que falo, e não é de saudosismo nem de certas militâncias ativas, mas tão só daquilo que antes era e já não é. Do que não passávamos sem ter, em contraponto com aquilo que já não passamos sem ter, ver ou fazer.

Tanto hábito perdido, tanta dependência trocada, para por fim, sem darmos por isso, substituímos por outras e mais outras, no correr dos dias ditos modernos. Escrevi no meu segundo livro, em 2002, a crónicas tantas, que “eu ainda era do tempo das cabines telefónicas”. Uma dependência de cartões de carregamento ou moedas, que em pouco tempo se transformou na dependência directa dos telemóveis e afins. Por onde quer que se vá, todo o mundo se vai na concentração do celularzinho. E não há volta a dar, seja de metro, autocarro, carro, ou em casa, na cama, no campo, na água, por todo o lado, à chuva e ao sol, conforme os casos de dependência. Todos conectados, concentrados e abstractos do que está à volta. Em cada pessoa um vício, e em cada vicio um grau maior de dependência, até nem darmos por isso e ser banal.

Não tenho certeza, mas não duvido que a literatura, em contraponto baixou e a literacia acompanhou a queda, proporcional à ligeireza das causas virtuais. A dependência da poluição visual, das torrentes informativas, de leads e títulos atinge picos nunca dantes vistos ou imaginados, ao ponto de retirar vida à sã convivência. E como qualquer dependência, corrói e faz mossa, nesta mola que sobe e desce a entreter o pagode.

Sobra a esperança de voltarmos a conversar, concentrados nos olhos dos outros, na essência das palavras, na raiz dos valores, sem as distracções de virtuais tentações de permeio, que pelo meio enxameiam a mente e distorcem tudo.

Já nem falo dos viciados no jogo, que usam fraldas para não interromperem e engordam sem sair do lugar, a rebentar pelas costuras. Ou de quando, cada um em cada compartimento da casa, manda e recebe mensagens no telemóvel, em diversas aplicações, com várias conversas em simultâneo, e simultaneamente vendo série ou filme no PC, com a TV ligada e a musica no ar e tudo e mais alguma coisa ao mesmo tempo e o olho no micro-ondas ou na máquina de lavar. Em casa, no carro, no trabalho ou em férias, onde quer que seja, sempre ou quase sempre, na louca fúria de viver e sentir, sem dispensar a virtuosa rotina virtual que anima os dias e aquece as almas. Dando permissão para tudo, na violação grosseira de privacidade, que a droga obriga e a mente pede e não dispensa.

É o vício, é o vício! Falta ver que novas dependências traz o bicho, porque a ciência não para de descobrir e o homem quer sempre mais, na onda do caminho, para onde todos vão em carreiro, em ambiente porreiro. É o que está a dar! E depois destas, outras dependências virão, que o mundo não acaba aqui.
Mário Branquinho, 30 maio 2018

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Conferência Comunidades e Florestas Resilientes, dia 21de outubro em Seia


Comunidades e Florestas Resilientes é o tema da Conferência que vai decorrer no Auditório do CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela, em Seia, no próximo dia 21 de outubro, integrada nas atividades paralelas do CineEco 2017. 
A sessão de abertura será presidida pela Secretária de Estado do Ordenamento e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.

A conferência, no painel da manhã, tem como convidado para a abertura dos trabalhos o Professor Luis Filipe Gomes Lopes, Professor e Diretor da Licenciatura em Engenharia Florestal da UTAD - Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. Seguindo-se a intervenção um painel de convidados que vão dar a conhecer um conjunto de projetos que mobilizam a sociedade civil em prol de uma floresta mais sustentável.
Nomes como Marta Pinto, Coordenadora do Grupo de Estudos Ambientais da Universidade Católica Portuguesa – Porto, Pedro Sousa, Coordenador do Projeto Floresta Comum – da QUERCUS, Elizabete Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, Nelson Matos coordenador do  Projeto Forest – in, são alguns dos oradores que vão inspirar a plateia, pela paixão e empenho com que abraçam estes projetos de grande envolvimento comunitário.
O período da tarde, já focado na criação de valor económico na Floresta, tem como convidado para a abertuta de painel Henrique Pereira dos Santos, arquitecto paisagista e cronista. Seguindo-se um conjunto de projetos empresariais que evidenciam o potencial económico da floresta. Carlos Fonseca professor Associado na universidade de Aveiro, estárá nesta conferência na qualidade de empreendedor. João Nunes administrador e CEO da Associação BLC3 - Campus de Tecnologia e InovaçãoBLC3, vai falar-nos sobre um dos mais recentes projetos, Centro Bio, em desenvolvimento na incubadora portuguesa de Oliveira do Hospital que ganhou o prémio Regio Stars 2016.

Miguel Ramos vai apresentar a MycoTrend uma startup especializada no estabelecimento de plantações de cogumelos silvestres e na produção e venda de plantas micorrizadas para produção de cogumelos comestíveis. Um projeto alinhado com a inovação mundial para o cultivo de cogumelos silvestres quer pela tecnologia incorporada quer pelas espécies cultivadas.

O encerramento do painel cabe a Pedro Serra Ramos, Presidente da ANEFA - Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, uma associação que representa um universo de micro, pequenas e médias empresas de serviços, com um volume de emprego correspondente a cerca de 9.000 postos de trabalho permanente e um volume de negócios anual superior a 500 milhões de euros.

Carlos Filipe Camelo, Presidente da Câmara Municipal de Seia fará o encerramento da conferência neste dia, estando ainda prevista para o dia seguinte uma saída de campo no Parque Natural da serra da Estrela com a apresentação do projeto Life Relict- Preserving Continental Laurissilva Relics, um Projeto em implementação no concelho de Seia que tem como parceiros a Universidade de Évora, o Município de Seia, o Município de Monchique e o CITYTEX Centro de Investigación Científicas y Tecnológicas de Extremadura, que pretende recuperar o habitat prioritário 5230 – comunidades arborescentes de Laurus nobilis, na Rede Natura 2000. No caso de Seia, refere-se à recuperação do habitat de Azereiro na Cabeça e Casal do Rei.

De destacar que faz parte do programa da conferência um almoço de menú sutentável. O desafio é criar algo verdadeiramente delicioso valorizando a produção local e os mercados de proximidade. Um conceito que valoriza o slow food em aposição às dietas modernas de fast-food, com fortes pegadas de carbono e com grande influência no agravamento das alterações climáticas.


A conferência integra o conjunto de atividades e eventos que consubstanciam o Festival iNature no qual se destaca o mais prestigiado Festival Internacional de Vídeo de Ambiente o CINE ECO que decorre em Seia de 14 a 21 de outubro. Esta é uma ação do Plano de Animação para a áreas protegida da serra da Estrela enquadrada na EEC PROVERE iNature, cofinanciada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do CENTRO 2020 - Programa Operacional Regional do Centro. 

Festival CineEco começa no sábado em Seia com 100 filmes em competição


A edição de 2017 do CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, que começa no sábado em Seia, conta com 100 filmes em competição, oriundos de mais de 25 países, foi hoje anunciado.

O festival, que vai decorrer até ao dia 21 com a temática "Tudo pode mudar: Oceanos, Clima e Economia", também inclui a estreia em Portugal do filme "Uma Verdade (Mais) Inconveniente", de Bonni Cohen e Jon Shenk.

Segundo o diretor do CineEco, Mário Jorge Branquinho, o filme "Uma Verdade (Mais) Inconveniente", passa no dia 18 e "dá sequência ao documentário de 2006 no qual o ex-vice-presidente dos Estados Unidos faz uma análise sobre a crise climática mundial".

"Após a decisão de Donald Trump em retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, Al Gore, ex-vice-presidente do país e protagonista do documentário, pronunciou-se nas suas redes sociais criticando a decisão. O filme mostra a negociação feita há um ano e meio, envolvendo 200 países, com o objetivo de impedir o avanço do aquecimento global através da redução das emissões de gases poluentes na atmosfera", é explicado.

A edição deste ano do CineEco, que vai decorrer na Casa da Cultura de Seia, no distrito da Guarda, é inspirada no livro "Tudo Pode Mudar: Capitalismo vs Clima", de Naomi Klein.


Segundo a organização, em competição estará a obra "A Idade das Consequências", de Jared P. Scott, que "investiga como a mudança climática afeta a escassez de recursos, a migração e o conflito através da lente da segurança nacional dos Estados Unidos da América e da estabilidade global".

Será também exibido o filme "Rio Azul: Pode a Moda Salvar o Planeta?", de David McIlvride e Roger Williams, que "mostrará a forma como a indústrias da moda, dos tecidos e dos 'jeans' se tornaram nas grandes poluidoras das águas e do ambiente".

E, "acompanhando as notícias recentes sobre a poluição dos oceanos", a película "Ondas Brancas", de Inka Reichert, apresentará "o combate e a reação dos surfistas de vários pontos do globo contra a inadvertida contaminação dos oceanos".

Ainda no tema dos oceanos, será apresentado em Seia o filme "Perseguindo Corais", de Jeff Orlowski, que "viaja pelo mundo mostrando como os recifes estão a desaparecer a uma taxa sem precedentes", é indicado.

O 23.º CineEco albergará uma vasta programação de longas e curtas-metragens, documentários, reportagens de televisão, a par de uma competição dedicada aos filmes lusófonos, da região e um programa de sessões especiais.

O festival abre no sábado, às 18:00, com o filme "A Odisseia", de Jérôme Salle, uma sessão especial sobre a vida de Jacques-Yves Cousteau.

Pelas 21:30, decorrerá a abertura oficial, com a exibição do histórico filme "Os Lobos", de Rino Lupo, musicado ao vivo pelo pianista Nicholas McNair.


O CineEco, um dos mais antigos festivais de cinema de ambiente do mundo, é organizado pelo município de Seia, na Serra da Estrela.

DN, 10/10/2017


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Terminei hoje um ciclo político

O meu discurso de hoje na Assembleia Municipal da Seia

"Termino hoje, aqui e agora, um ciclo político que iniciei há 12 anos enquanto deputado na Assembleia Municipal de Seia, em 3 mandatos, dois dos quais como líder de bancada do PS. 
Doze anos mais quatro seriam dezasseis anos e, por entender ser já longo o tempo, decidi, em consciência e com a sensação de missão cumprida, colocar um ponto final neste ciclo.

Uma caminhada que muito me honrou, pela oportunidade que o meu partido me deu, a partir desta tribuna, de dar contributos para o Concelho onde sempre vivi, vivo e trabalho.
Desde que tenho consciência de mim, que me fui envolvendo na defesa de valores que considerei desde sempre fundamentais, quer no plano profissional, enquanto trabalhador do município, quer no quadro de cidadania, enquanto dirigente associativo e, naturalmente, na política, usando o tempo disponível, através do exercício dos cargos para que fui eleito.

Valores assentes, fundamentalmente, na defesa da dignidade humana, do valor do trabalho, do respeito para com o outro, do bem comum. Quem me conhece, sabe que é assim, sabe que tem sido esta a minha forma de actuar.

Neste tempo, além de 12 anos de Assembleia Municipal, registo ainda 30 anos de militância no PS, com várias participações em cargos políticos concelhios e distritais e, neste mandato, a Presidência da Assembleia da CIMBSE. Currículo e obra feita e publicada.

Na minha profunda convicção, fui defendendo aquilo que eu próprio julgava ser o essencial e o fundamental.

Na qualidade de deputado municipal, desde 2005 que intervenho activamente nessa defesa, de diferentes modos. Assumi a função e a militância como uma outra família. Aquela que também defendi em todas as circunstâncias. Aquela que tomou parte do meu tempo, da minha vida, numa entrega total.

Na política, com espírito de missão, travei inúmeros combates, sempre na defesa do que julgava ser o melhor. No confronto com os adversários políticos, dos vários partidos, onde todos procuram fazer o seu melhor. E vivi a política por dentro, as suas virtudes e as “manhas”, dando a cara pelos projetos e ideias em que acreditava. Nem tudo foi fácil. Nem sempre saí vencedor. Contudo, sempre o fiz e me pautei pelas mesmas convicções. Aquelas que ainda hoje me orientam na procura do melhor caminho, das melhores soluções.

Mas hoje é o dia em que me despeço, perante esta Assembleia onde cada um faz o que pode e sabe pela causa pública, pela defesa do interesse público, pela defesa da população local, pela defesa, intransigente, das pessoas e dos valores.

Por mim, procurei influenciar naquilo que considerava ser o melhor caminho, a melhor estratégia. Com espírito crítico e olhar atento. Convicto da importância de Seia no quadro da nossa região, numa perspectiva global, de quem a vê num lugar universal, defronte para o mundo e não numa perspetiva redutora ou provinciana. Com entrega, com paixão e persistência, sem nunca partir para outra terra, procurando sempre fazer o melhor pela sua, a partir deste lugar de eleição que hoje deixo.

Mesmo na adversidade, interna ou externa, nunca baixei os braços. Nunca esmoreci, mesmo quando tudo parecia ruir. Quando se perdiam serviços pelo centralismo avassalador que marca o espectro politico português. Reconhecendo as inúmeras adversidades de um território do Interior onde é quase heroico fazer política. Mas onde a marca que cada um de nós deixa é fundamental, sendo imperioso cada um saber se cumpre ou não a função.

Independentemente das adversidades e das pedras no caminho, fui seguindo, seguro e sempre com a mesma vontade. Porque o caminho também proporcionou momentos de felicidade, de conquistas. E cada passo em frente, neste território longínquo é sempre uma conquista. Onde tudo custa muito e o pouco custa sempre mais. Mas onde não se pode vacilar, nem recuar. Onde se redobra o empenho, o engenho e a vontade.

Da minha parte, é com essa vontade, que nunca me abandona, que me despeço. E o faço com a emoção de quem deixa a sua casa. Aquela que ajudou a erguer, passo a passo, na defesa e na luta pelo bem comum.

Um agradecimento a todos pela amizade e solidariedade.

Um agradecimento particular ao Filipe Camelo, que em mim depositou a confiança para levar a “bom porto” os meus mandatos nesta Assembleia. Ao teu lado combati. Na tua ausência te defendi. Sempre convicto de que farias o que estivesse ao teu alcance para defenderes um território e uma população.

Aqui chegado, reafirmo o melhor para o nosso Concelho, em prol do seu desenvolvimento, na certeza de que só com emprego se promove o futuro.

Na certeza, também, de que os lugares são feitos pelas pessoas, pelas empresas e entidades. Onde todos contam.

Na certeza de que os territórios, as cidades competem uns com os outros com o objectivo de melhorar a qualidade de vida dos residentes, mas também para atrair pessoas, visitantes turistas e investimentos.

Na certeza da crescente importância da sutentabilidade e qualidade de vida nas cidades, na qual Seia se enquadra na perfeição e na ambição desejável que vem praticando.

Confiança no futuro é o que reafirmo enquanto cidadão e agente de desenvolvimento que sou e pretendo continuar a ser no quadro da cidadania. Já que, da política, apenas poderei dizer que “vou andar por aí”.

E, para terminar, ocorre-me um pensamento de Fernando Pessoa que resume emoções, sentimentos e percepções que foram resultando em mim, nesta caminhada política que agora termina:

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

Obrigado a todos.

Seia, 15 de setembro de 2017


Mário Jorge Branquinho

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

23ª EDIÇÃO DO CINEECO DIVULGA SELEÇÃO OFICIAL


Inspirada numa das mais importantes obras sobre alterações climáticas, de Naomi Klein, a edição de 2017 do CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, centra-se na ideia de que “Tudo pode mudar: Oceanos, Clima e Economia” e coloca 100 filmes em exibição dos mais de 500 rececionados.

Em Seia, de 14 a 21 de outubro, estarão em competição, nas várias categorias do Festival, películas oriundas de mais de 25 países. Desde Longas e Curtas, Documentários e Reportagens de Televisão, Regionais, Nacionais e Internacionais, são 100, as películas que serão exibidas na Casa da Cultura de Seia durante uma semana.

O livro “Tudo Pode Mudar: Capitalismo vs Clima de Naomi Klein, considerado um dos mais importantes alguma vez escritos sobre alterações climáticas, e o documentário de Avi Lewis, que conta com a participação da famosa economista, foram a inspiração para esta 23ª edição.

O pressuposto de que Tudo Pode Mudar é partilhado pelo Festival ao considerar possível renunciar à obsessão do crescimento a curto prazo, por nos impedir de criar um sistema económico e social ao qual o termo 'sustentável' se possa aplicar com justiça e igualdade. Foi com esta premissa que foi pensada e estruturada a programação e a Seleção Oficial 2017 tornada agora pública.


Este documentário de Avi Lewis, ‘This Changes Everything” no original, vai aliás fazer a pré-abertura do CineEco 2017 a 15 de setembro (fora da competição), marcando o lançamento de várias atividades que vão acontecer por toda a cidade e que culminarão com a sessão oficial de abertura do Festival a 14 de outubro.

A Sessão de Abertura, vai ter lugar no sábado, 14 de outubro às 21h30, simbolicamente com a projeção do clássico do cinema mudo português ‘Os Lobos’,  de Rino Lupo (1923), um drama rodado no ambiente rural das gentes de Seia, na Serra da Estrela e com a partitura musical de António Tomas de Lima, composta em 1925.

A partir daí vão ser apresentadas as várias Competições: Longas e Curtas Internacionais, Longas e Curtas em Língua Portuguesa, Documentários e Reportagens de Televisão, Panorama Regional. A Seleção Oficial do CineEco 2017 completa pode ser consultada em www.cineeco.pt.

As Sessões Especiais acontecerão igualmente durante esta semana, onde se destacam, bem a propósito, filmes como o novo “Uma Sequela Inconveniente: A Verdade Para o Poder”, de Al Gore, realizado por Bonni Cohen e John Shenk, e “A Odisseia”, de Jérome Salle, sobre a vida e obra do oceanógrafo Jean-Yves Cousteau. Uma especial atenção ainda para uma ampla programação de Sessões Matinais de Curtinhas Ambientais e filmes de animação dedicadas ao público infantil, com filmes como: “Amarelinho”, de Christian de Vita e “A Canção do Mar”, de Tomm Moore.

Para além dos Prémios considerados no Regulamento para as competições internacionais longas e curtas, séries televisivas e filmes de língua portuguesa, este ano está previsto haver Prémios Especiais para filmes com diferentes abordagens sobre a Água. Filmes esses que vão ser exibidos durante o Fórum Mundial da Água, que decorrerá em 2018 em Brasília, no quadro da participação de Seia e do CineEco nesta importante cimeira.
O CineEco 2017, é organizado como habitualmente pelo município de Seia sendo este ano reforçado pela valorização dos recursos naturais preconizada pelo Festival iNATURE Serra da Estrela e que estará bem patente as atividades paralelas do Festival, como nas comemorações que antecedem a semana do CineEco.


O CineEco é um dos mais antigos festivais de cinema de ambiente do mundo e integra a Green Film Network, uma plataforma de 40 festivais, da qual é igualmente membro fundador.

sábado, 22 de julho de 2017

Viral Virtual



Um vírus não se vê à vista desarmada, mas tudo o que quer estatuto de viral, tem de ser visto por milhares ou milhões, sem recurso a qualquer ponta ótica ou estreito de ilusões. Apenas na ótica da diferença, da crença ou do inusitado, face à vulgaridade da norma.
Viral, pelo que se vê ou não vê e crê, e tudo a espalhar-se como um vírus, voraz, derramando na imensidão que se estende, sem ângulo e sem lânguida visão.
Tanto pode ser como quem tenta sobreviver a uma epidemia apocalítica, em quarentena, como reforçando ao máximo a exposição para o fenómeno fátuo. Uma que se quer, outra que se evita, por onde der ou por onde puder.


Hoje virou negócio no mercado de valores virtuais fazer vídeos virais, que não são mais que histórias breves inusitadas. Histórias simples que despertam curiosidades, em bom rigor, matreiras, por tanto fazer subir como descer um índice de popularidade. Ou criar atratividade, ou gerar distâncias ou repugnâncias, ou admirações ou frustações, ou espanto ou desilusões.
Seja. Vídeo viral tem estatuto. E adquire-o do alto poder de circulação na internet, como algo que se mete, configurando fenómeno de popularidade. Na verdade, vídeo só é viral se for visto em larga escala, se for além de visualizações normais em quantidade, independentemente da qualidade. Quase sempre resultam da espontaneidade. Quase sempre brotam da captação oportuna, do instinto da bruma ou da circunstância que a fúria assuma.
Fúria de ver e mostrar, ânsia de a todos chegar, seja na ótica do comprometido utilizador ou no instinto do manipulador. Nem tudo o que se vê é o que se veja, nem tudo que sobeja é. Seja por ser virtual, espontâneo ou composto, não deixa de ser real o fenómeno que corre o mundo, independentemente de credos, conceitos e preconceitos.
Consta que sim, que o que é viral-virtual é bom, mas, assim-como-assim, nada como ter certas reservas, não vá o vírus ir além do efémero e instalar-se no mal que perdura e dure para sempre. Até ao fim.

Mário Jorge Branquinho

Junho 2017

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Morreu José Hortêncio


O senense José Hortêncio, morreu hoje, 20 de Julho de 2017, aos 88 anos, vítima de doença oncológica.

Partiu um homem bom de Seia. Dinâmico e muito dedicado ao associativismo, com relevância na área da música. Enquanto músico autodidata e enquanto dirigente de várias formações.

Para a posterioridade fica a sua obra, sucintamente retratada nesta biografia que elaborei com ele ainda em vida e que publiquei em 2009. Agora só acrescentei um pouco mais, do muito que ainda acrescentou nestes anos.

Biografia

José Manuel Mendes Hortêncio nasceu na Rua 1º de Dezembro, em Seia, a 29 de Junho de 1929. oitenta e oito anos de vida e mais de setenta de músico.

Começou a sua carreira musical em 1941, na Banda dos Bombeiros Voluntários de Seia, regida na altura por António Augusto Rosa. Nesses tempos, cruza-se ainda com os maestros Basílio Monteiro, Laurentino de Serra e Moura, Sena Pinheiro e António Campos e com os directores Albano Gomes Cabral e Manuel Toscano Pessoa.

Nos princípios da década de 50 interrompeu a sua actividade na banda, por incompatibilidades com a actividade profissional na Companhia Herminios, voltando em 1964, na altura em que era regente o seu irmão Virgílio.


Em 1966 foi transferido da Companhia de Transportes Hermínios para a Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela (EHESE), no mesmo ano em que era fundada a Banda desta empresa, tendo José Hortênsio ainda tocado simultaneamente na Banda de Seia e na chamada “Banda da Empresa”. Nesse mesmo ano, foi também um dos fundadores da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Seia. Nos anos seguintes, fez parte da Orquestra da Folgosa do Salvador e dos Grupos “Sena Jazz”, “Ases do Ritmo” e “Diapasão”, parando em 1979, por motivos de saúde. Voltou mais tarde à Banda de Seia, em 1983 (até 1994), quando era maestro Manuel Pancão Cola.

Como instrumentista, executou trompete, saxofone alto e tenor. Passou transitoriamente também pelas Bandas Filarmónicas de Arcozelo da Serra, Gouveia, Paços da Serra e Moimenta da Serra.

Além de músico, ao longo destes anos foi também director da Banda de Seia, Director do Rancho Folclórico e Director Artístico da tocata do mesmo, na altura em que foi gravado o disco do Rancho.

Foi autor de algumas marchas e letras para a Rua Nova e Bairro Salazar, nas Marchas Populares de Seia.

No Orfeão de Seia, além de ter sido Tesoureiro da Direcção, foi coralista entusiasta, pondo também muito do seu empenho na organização do “Festival de Música Coral em Terras de Sena”.

Na Academia Sénior de Seia, integrou o Grupo “Cantares e Cantigas”, numa forma descontraída e saudável de lazer e convívio, próprios de quem muito tem dado à causa pública.

Fez parte da Orquestra Juvenil da Serra da Estrela como fundador e executante, tendo exercido cargo de vice-presidente. E aqui, tem naturalmente de destacar-se o empenhamento de José Hortênsio na realização do Festival de Orquestras de Música Ligeira, numa caminhada conjunta com Marco Paulo Santos. No final deste ano o festival cumpre a sua 18ª edição. Uma ocasião para a qual já tinha assegurado a presença da Orquestra Ligeira do Exercito.


Já em 2007, com o seu irmão Virgílio e Cesário Mota - três conceituados músicos despontados ao longo dos tempos em Seia - criaram o grupo “Lendários”, que acompanhados por 4 familiares, gravaram um CD e DVD com músicas dos anos 50.
Em 29 de Novembro, integrado no X Grande Festival de Orquestras de Música Ligeira de Seia, que decorreu na Casa Municipal da Cultura, José Manuel Mendes Hortêncio foi homenageado pela Orquestra e público presente.

No Feriado Municipal de Seia, 3 de Julho de 2010 foi-lhe atribuída pelo Presidente Carlos Filipe Camelo a ”Campânula Municipal de Mérito e Dedicação”, pelo seu trabalho enquanto dirigente associativo.

A sua última aparição pública foi no concerto da Orquestra Juvenil da Serra da estrela, no ultimo Feriado Municipal de Seia, 3 de Julho, após a cerimónia de entrega de Câmpanulas de Mérito Municipal.

No decurso destes 80 anos de vida, José Manuel Mendes Hortênsio viveu feliz, rodeado da família – os “Ceiras” - conhecidos por terem excelentes dotes musicais e que muito têm dado ao panorama musical do concelho de Seia. Dádivas, das quais foi retirando como compensa, o gosto pelo trabalho, as canseiras dos desafios e as incompreensões que sempre surgem num percurso longo e difícil e tantas vezes escasso de meios.


Muito mais haveria para dizer, da vida de José Hortêncio dedicada à causa do associativismo através da música, mas fica o essencial de um percurso longo e saudável, de um senense temperado na forja de um auto-didatismo feliz e voluntarioso. De um homem honesto e humilde, que sempre soube criar laços e cultivar a amizade ao longo dos tempos, nesta “Seia querida”!

Mário Jorge Branquinho


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Homenageados com Campânula de Mérito 2017 no Feriado Municipal de Seia


O Município de Seia, presidido por Carlos Filipe Camelo, homenageou neste dia 3 de Julho de 2017, Feriado Municipal de Seia, várias personalidades e empresas do concelho numa perspetiva de reconhecimento público pelos relevantes serviços prestados à comunidade.

Fica o resumo dos seus currículos:

ANTÓNIO MANUEL COELHO SILVA, Campânula Municipal de Mérito e Dedicação



António Manuel Coelho Silva é natural de Seia e tem 33 anos de vida. Formado na Escola Profissional da Guarda (Manteigas), as primeiras experiências com o vinho, num contexto de restauração, advêm das práticas em dois dos restaurantes mais ilustres e emblemáticos do nosso país: o Tavares Rico (Lisboa) e a Fortaleza do Guincho (cascais). No grupo Quinta das Lágrimas, dedicou mais de cinco anos ao serviço de vinhos (2006-2011).
Em outubro de 2011, o sommelier senense, muda-se para Espanha, onde viria assumir as funções de “Head Server” no Can Farbes, um espaço com um longo historial, chefiado por um dos monstros sagrados da alta gastronomia espanhola - Santi Santamaria - em 1994 chegou a atingir três estrelas Michelin, mas acabaria por encerrar em 2013.
Terminada a aventura, ingressa, em 2012, no mundo Berasategui, mais propriamente no restaurante Lasarte. Em 2014, faz uma pausa para adquirir novos conhecimentos: em Itália, no restaurante Villa d’Amelia, com uma estrela Michelin e já em Espanha, novamente, no restaurante Martín Berasategui, com três estrelas Michelin.
Atualmente, continua a brilhar no Lasarte, assumindo também a função de Maître (chefe de sala). Em 2017, chega o reconhecimento. António Coelho é considerado pela revista WINE - A Essência do Vinho, “Sommelier / WineDirector do Ano 2016”.


JAIME REIS,Campânula Municipal de Mérito Cultural

(foto by Alexander Graeff)

Natural de Seia, iniciou os seus estudos musicais com António Tilly, no Conservatório de Música de Seia.
Licenciou-se em Composição na Universidade de Aveiro, onde recebeu três bolsas de mérito. Frequentou seminários com Emmanuel Nunes e K. Stockhausen. Investiga no Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md), que tem sede na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL).
É fundador e diretor artístico do Festival DME - Dias de Música Eletroacústica. Desde 2003 organizou mais de 50 edições.
Como compositor tem apresentado a sua música em países como: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, China, Coreia, Espanha, Estados Unidos da América, Filipinas, França, Grécia, Holanda, Itália, Japão, Mónaco, Polónia, República Checa, Turquia, Ucrânia; e trabalhado com entidades como: IRCAM (Paris), Musik Fabrik (Colónia), ZKM (Karlsruhe), Musiques & Recherches (Bruxelas).
Tem lecionado em instituições como: Conservatório de Música de Seia, Instituto Piaget, Escola de Música Nossa Senhora do Cabo - EMNSC, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.
É professor na Escola Superior de Artes Aplicadas – Instituto Politécnico de Castelo Branco.


MARIA REGINA CARVALHO DA FONSECA BABO, Campânula Municipal de Mérito Desportivo


Regina Babo nasceu a 11 de maio de 1960, é natural de Baião (Porto), e vive em Seia desde 29 de junho de 1964.

REGINA BABO (ATLETA)
Iniciou a sua carreira desportiva aos 14 anos (1974), representando o CLUBE DESPORTIVO DA FERCOL, tendo-se sagrado Campeã Nacional de 600m (pista ar livre), logo nesse ano.
Ao longo da carreira alcançou vários títulos de Campeã Nacional, nas provas de 400m planos, 800m e na estafeta 4X400m. Representou a Seleção Nacional, por 4 vezes, em Taças da Europa.
Representou ainda outros clubes, tais como: CLUBE DE FUTEBOL SANTA CLARA, SPORT LISBOA E BENFICA, FUTEBOL CLUBE DO PORTO, NÚCLEO DESPORTIVO E CULTURAL DE GOUVEIA.
Praticou atletismo de 1974 a 1987.

REGINA BABO (TREINADORA)
Licenciou-se na Faculdade de Desporto e Educação Física da Universidade do Porto, onde tirou a especialização em Treino de Alto Rendimento, na modalidade Atletismo.
Iniciou-se como treinadora no ano 2000, tendo até ao momento presente, alcançado:
- Mais de 25 Pódios Nacionais
- 15 Internacionalizações em Campeonatos da Europa, Campeonatos Ibero-Americanos e Campeonato do Mundo
Nota: destaca-se o facto de ter conseguido levar um atleta ao 2º lugar (medalha de prata), no Campeonato da Europa de Juvenis, registando nessa competição a 2ª melhor marca europeia do ano.
Participou e colaborou como técnica em diversos estágios nacionais, da Federação Portuguesa de Atletismo, e como técnica nacional responsável, numa competição europeia.
Foi-lhe atribuído pelo Instituto de Desporto de Portugal (IDP), em 2005, o prémio nacional de treinadora de jovens.


PE. JOÃO ANTÓNIO GONÇALVES BARROSO,Campânula Municipal de Mérito e Dedicação

(foto: Tó Amaro)

Nascido em Orjais (Covilhã), a 26/11/1965, é filho de António Barroso e de Maria Alice Pais Gonçalves. Ordenado Sacerdote a 2 de fevereiro de 1992, desde o ano 2000 que serve pastoralmente o arciprestado de Seia, começando na Paróquia de Alvoco da Serra e suas anexas, seguindo-se, dois anos mais tarde, Loriga e Cabeça. Desde 2005 que tem a seu cuidado, além das paróquias referidas, Sazes da Beira e Valezim. E, nos últimos cinco anos também Teixeira e Vide.
Desempenha o cargo de arcipreste de Seia desde o ano de 2008.
Seguindo o seu percurso de vida, a infância foi passada em Orjais, sua terra natal, onde frequentou a escola primária, até aos 10 anos de idade. Depois, seguiu para o Seminário do Fundão e, posteriormente, para o Seminário da Guarda, onde concluiu o Curso Superior de Teologia, em junho de 1990.
Terminados os estudos no Seminário, fez o estágio pastoral nas paróquias de São Miguel da Guarda, Alvendre, Rocamonde e Avelãs de Ambom, então confiadas ao Pe. António Manuel Moiteiro Ramos e Pe. José Manuel Martins de Almeida.
A 7 de julho de 1991 foi ordenado diácono. Em setembro do mesmo ano, acompanhou o Pe. Joaquim António Marques Duarte na sua entrada como pároco nas paróquias de Trancoso, Moreira de Rei e Valdujo, auxiliando ao mesmo tempo o Pe. Alfredo Marques Gabriel nas paróquias de Fiães e Aldeia Nova.
A 2 de fevereiro de 1992 foi ordenado presbítero, na Sé Catedral da Guarda, por D. António dos Santos, bispo desta diocese. Em setembro do mesmo ano, veio para as paróquias da Guarda (Sé e São Vicente), fazendo equipa com o Pe. António Albino e o Pe. António Carlos Marques Gonçalves, onde trabalhou até setembro do ano 2000.
Nos dois anos seguintes fiz licenciatura em Teologia na Universidade Católica do Porto, assumindo pastosamente, aos fins-de-semana, a paróquia de Alvoco da Serra, do Arciprestado de Seia, à data confiada ao Pe. Manuel Elias Ferreira.
Em outubro de 2002, foi nomeado pároco de Loriga e atualmente é o responsável pastoral pelo conjunto das paróquias da área geográfica envolvente, que inclui Alvoco da Serra, Teixeira, Vide, Cabeça, Sazes da Beira e Valezim, acumulando também as funções de arcipreste de Seia.
Exerceu outros cargos, tais como: responsável pelo Departamento Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência e Professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) na Escola Dr. Reis Leitão, em Loriga.


LUSOLÃ - Fabricação de Fios Têxteis, SA, Campânula Municipal de Mérito Empresarial


Inserida no Grupo LUSOTUFO e localizada na Zona Industrial de Seia, a LUSOLÃ é uma empresa nacional fundada em 1985, que se dedica à fiação de fios têxteis e se distingue pela capacidade de oferta ampla de produtos personalizados, desenvolvidos de acordo com as diferentes especificações técnicas requeridas pelos clientes.
Atualmente a empresa conta com 250 funcionários e exporta cerca de 90% da sua produção para uma significativa carteira de clientes, espalhados por todo o mundo.
Os fios desenvolvidos na LUSOLÃ são maioritariamente direcionados para empresas produtoras de alcatifas e tapetes, tufting, axminster, dupla peça, wilton e tufados à mão.
Como empresa integrada, domina os diferentes processos de fabrico, (lavagem, mistura, tinturaria e fiação) a partir de matérias-primas rigorosamente selecionadas que conferem ao artigo final elevados padrões de qualidade e resistência.
Referência internacional no sector da fiação têxtil, a LUSOLÃ continuará em busca de soluções competitivas e inovadoras que correspondam às atuais exigências do mercado global.

MUSEU DA CERVEJACampânula Municipal de Mérito Empresarial

Aberto ao público em Junho de 2012 o Museu da Cerveja dos países de língua oficial portuguesa é um espaço de contemplação da lusofonia, numa das maiores praças da Europa. A riqueza dos Países de Língua Oficial Portuguesa ao nível da cultura cervejeira é dada a conhecer com o Museu da Cerveja, que pretende criar em simultâneo uma ponte e elo de ligação entre diversas capitais e nações.
Conjugando Museologia e Gastronomia, fizemos nascer na emblemática Ala Nascente do Terreiro do Paço um templo à cerveja lusófona, um hino aos saberes e sabores da popular bebida que é homenageada naquele que é já um dos locais de referência da cidade e do país.
O Museu, que também é restaurante, conta ainda com a maior esplanada do país, proporcionando a quem o visita momentos únicos de lazer, patrocinados pelo brilho do Tejo.
Os seus cinco anos de atividade têm provado que é possível respeitar a arte, honrar a história e enaltecer a língua portuguesa com um projeto que é economicamente muito viável e insiste na redistribuição da riqueza gerada como a melhor fórmula para atingir o sucesso continuado e duradouro.
O prestígio já internacional do Museu da Cerveja é para nós um profundo motivo de orgulho, sabendo contudo que a História se escreve todos os dias e que o reconhecimento que temos merecido acarreta também um acréscimo de responsabilidade.

PARANHOCARNESCampânula Municipal de Mérito Empresarial

A Paranhocarnes, Indústria e Comércio de Carnes S.A., iniciou a sua atividade em 2003 estando vocacionada para a produção e comercialização de géneros alimentícios na área da charcutaria e toucinho laminado de suíno, destinados aos mercados interno e externo.
Apresenta uma capacidade instalada de produção semanal de 10000 kg de toucinho laminado e 50000 kg de charcutaria. De acordo com as características da zona onde se encontra inserida, a Paranhocarnes, S.A. tenta seguir os parâmetros de uma produção industrial com qualidade tradicional.
Podemos verificar uma evolução positiva da empresa com o reconhecimento da ISACERT ao nível do referencial normativo International Food Standard (IFS) com classificação final de “Higher level”. Mais recentemente, em Outubro de 2016, a Paranhocarnes, S.A. adquiriu certificação na norma FSSC 22000.
De salientar que a Paranhocarnes, S.A. se encontra licenciada para os mercados Russo e Brasileiro.
Na equipa geral da empresa trabalham cerca de 25 pessoas, entre colaboradores a prestadores de serviços, desde a gestão de topo, área administrativa e financeira até à produção e ao gabinete técnico – produção e qualidade.
A Paranhocarnes compromete-se a melhorar continuamente o seu desempenho na gestão da qualidade, estando focada na satisfação do cliente.
Atualmente, os clientes da grande distribuição para os quais a Paranhocarnes, S.A. fornece produtos de grande qualidade são, o Lidl, Sonae e Jerónimo Martins.
Situa-se na zona centro de Portugal, na região da Serra da Estrela, mais propriamente em Paranhos da Beira, concelho de Seia, distrito da Guarda e tem uma área coberta de 3 597 m2 e área descoberta de 18 994 m2.

SEMPREVIVACampânula Municipal de Mérito Empresarial

A Sempreviva-Importação e Exportação, S.A. foi constituída em 1984 em Coimbra transferindo-se, em 1991, para Carragozela (Seia).Tem 36 trabalhadores e uma equipa de seis vendedores. Comercializa uma grande variedade de produtos, como utilidades domésticas, brinquedos, artigos de decoração, artigos de pintura, artigos de animal, artigos em resina, molduras, porcelanas decorativas e utilitárias, flores artificiais, artigos escolares, ferramentas, cestos, entre muitos outros produtos, num total de cerca de 5.000/6.000 referências diferentes. Vende para Portugal Continental, Açores, Madeira, Espanha, Cabo Verde, Luxemburgo e Angola. Não vende directamente ao público, mas apenas para armazenistas e lojistas.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Serendipidade



Palavra pesada e de quase complicada decifração, por parecer emergir de caso serene e de piedade, mas não! Simplesmente se trata de serendipismo, que não é doença mas antes um anglicanismo que se refere a descobertas afortunadas feitas, aparentemente por acaso, às vezes a partir de erros. É a gente estar descontraidamente a fazer uma coisa e de repente, descobrir outra, sem menosprezar incidentes que às vezes trazem inspiração. E a história da ciência está cheia e recheia de casos desta estranha forma de criar a que se chama, precisamente serendipismo. E não é serendipista quem quer!



(Turim, Itália, 2012)


Arquimedes tomava banho, passou-lhe uma coisa pela cabeça e saiu nu à rua a gritar “Eureka”, descobrindo um dos princípios fundamentais da hidrostática, conhecido agora por “Princípio de Arquimedes”. E a descoberta surgiu quando se interrogava se a coroa do rei de Siracusa seria realmente de ouro.

Fleming também inventou a penicilina, a primeira droga capaz de curar infeções bacterianas, porque antes de ir de férias, em vez de deixar umas bactérias em incubadora, as deixou em bandejas. Quando voltou, uma delas estava quase desinfetada, depois, lá juntou dois-mais-dois e fez a descoberta que se sabe, de tão importante para a humanidade.

Tantos e tantos que ao longo da história, sem que por vezes a própria história os inscreva e reconheça, fizeram brotar descobertas afortunadas a partir de nadas. Acontecimentos fortuitos aproveitados habilmente, sublinhando avanços, sublimando génios subtilmente aproveitados.

Nos dias de hoje, já é considerada uma forma especial de criatividade, para fazer nascer e crescer ideias, conceitos abstratos e quase distraidamente chegar a luzes e projetos, sem grande estaleca até gritar “eureka”. Uma técnica de desenvolvimento do potencial criativo, bastas vezes aliando inteligência, perseverança e senso de observação.

Uma técnica, uma forma, um rasgo, um acaso, sem engasgo, a descobrir sem querer, quase sem saber ler e ao tentar fazer por um lado, sair por outro. Como achar sem querer, a tentar fazer de uma maneira, por uma certa carreira e olhando ao lado, encontrar novos caminhos ou ver logo ali a meta, sem mais demora. Agora imaginemos os que procurando fé, encontram caridade, ou os que pelo seu próprio pé, buscando soluções milagrosas para estados de alma, encontram na calma do caminho, turbulências tais e incidências banais, que se dão por satisfeitos, pelos feitos entretanto emergidos e despontados.

Como na história dos três príncipes de Serendip, enquanto suas altezas viajavam, faziam constantemente descobertas por acidente e sagacidade, de coisas que não procuravam. E assim nasceu a palavra de facto, por idos de mil, setecentos e cinquenta e quatro.

Casos felizes de descobertas inesperadas, quando se seguem por trilhas encruzilhadas, ou se desviam véus do que afinal existe e do que sempre persiste no esplendor da vida ao nosso alcance, por muito que não custe, por muito que canse.

Estranhos dias à janela, Mário Jorge Branquinho,(Sinapis Editores), 2015