domingo, 7 de novembro de 2010

Turismo na Serra da Estrela, a importância de personalizar, profissionalizar e divulgar

Agora que passou o Congresso sobre turismo da Serra da estrela, organizado pelo Município de Seia no final de Setembro, e porque é importante reflectir-se (e fazer-se) sobre os temas tratados ao longo do tempo, e não apenas naquele tempo, sempre que possa, vou abordar assuntos que lá se falaram.

E hoje vou falar, da comunicação de Laura Ferreira, proprietária da Casa Sant’Ana da Beira, de Paranhos da Beira. Na altura do Congresso gostei da comunicação, mais do que de alguns catedráticos, porque falava a voz da experiência. Ainda esta semana um amigo me falava também dessa comunicação.

Na comunicação sobre a Casa de Sant' Ana da Beira, uma unidade de Turismo de Habitação do concelho de Seia, Laura Ferreira começou pela história da casa e pelas dificuldades atravessadas para a constituir como uma unidade de turismo. A oradora deu realce à importância de: Personalizar, Profissionalizar e Divulgar.

Reparem - Personalizar, Profissionalizar e Divulgar!

Considerando que o Marketing não é exactamente vender um produto, mas, acima de tudo, fazer com que os potenciais clientes comprem o que temos para vender com plena satisfação, e que se tem a percepção de que os turistas saem com uma perigosa frustração.

Nesse sentido, fez algumas sugestões, sobre as quais se deve reflectir (e agir):

O Município de Seia deverá repensar o seu marketing. Seia tem de criar urgentemente a sua personalidade. Uma pista de patinagem no gelo, uma área de diversão, uma exposição, concurso e venda do cão da Serra, uma amostragem da tecelagem com a lã serrana e o que se pode hoje fazer com o burel, uma área dedicada ao vinho, uma área dedicada ao modo de fazer o queijo da serra e requeijão, uma festa da castanha, o tradicional artesanato, a presença de Seia em mais eventos promocionais de turismo de forma global, manter um contacto mais próximo com os canais de televisão e outros meios, para divulgação de bons momentos, encontrar um subtítulo renovado para o “logo” do município, que se ajuste a uma nova dinâmica a implementar.

Enfim, sugere quem sabe, e que está no terreno. Quem recebe turistas, numa unidade personalizada, com profissionalismo. E depois, como todos sabemos, tão importante é fazer como divulgar. Porque podemos ser os melhores do mundo, mas se o mundo não souber, não vem cá desfrutar. E nesse sentido, digo eu, como tenho escrito há muitos anos, nem tudo isto está reservado ao município, mas a todos nós, movendo influências, fazendo contactos, cultivando contactos a vários níveis. Numa perspectiva conjunta, sem individualismos exacerbados ou invejas incontidas. Porque o êxito de uns não pode ser a frustração de alguns.

Enfim, reflexões e contributos para se fazer mais e melhor!


As conclusões do Congresso, no Porta da Estrela, AQUI

1 comentário:

joão Carreira disse...

Caro Mário Jorge Branquinho,


A família Homem Ferreira é um excelente exemplo de dinamismo e vontade de vencer.
Faço votos que o congresso seja algo que continue e possa ser alargado a todas localidades. Por exemplo, para Loriga não há nenhum projecto envolvente das suas potencialidades sendo que, nos baldios de Loriga, Seia tem as únicas pistas de esqui de Portugal. A Loriga, apenas o Senhor Professor Gaspar se referiu, após ter sido questionado pela assistência.
É uma opinião pessoal que vale o que vale, mas acho que Seia e as localidades que ao concelho pertencem podem ser sempre melhor envolvidas e que todos têm muito a ganhar com isso. Por vezes, podem-se fazer coisas simples, por exemplo reduzindo o símbolo de Seia nos postais e colocando lá o nome das localidades. Assim chama-se a atenção para os locais, ninguém vê nos postais sobre o Piódão a palavra Arganil. O Museu do Pão poderia vender doces tradicionais de cada vila e aldeia da zona… Deverá existir um maior intercâmbio entre as escolas, o C.I.S.E., a Casa da Cultura, a C.M. de Seia e os comerciantes e a hotelaria da região. Seia tem imenso potencial para crescer, mas crescerá sempre mais se procurar dar cada vez mais identidade própria às vilas e aldeias circundantes assinalando as suas riquezas e diferenças. O mesmo, deverá ser feito por parte das próprias localidades e não se imitarem umas às outras. Por exemplo, é feio e não ficará bem que o Sabugueiro tenham um ‘Festival de Sopas’ e outras localidades criem logo cópias do evento. Quanto à cidade de Seia, a maior riqueza não são as vistas, nem a beleza natural, mas as pessoas. Há 40 ou 50 anos, quem é que conhecia o pão de Seia, o requeijão, o brinquedo e tantas outras coisas de Seia ou com denominação de Seia?...O Cine’Eco e tantas outras coisas excelentes que surgiram do nada e hoje já não se imagina Seia sem elas… Muito e muito pode crescer, mas convém que aproveitem as diversas sinergias, se juntem, criem parcerias e cresçam. Procurem igualmente genuinidade nos produtos. Lembro-me, em pequeno, de passar alguns dias em casa do meu primo António Moura no Sabugueiro, antes de este ter criado a “Casa do Pastor” e a “Albergaria Senhora do Espinheiro” e já nessa altura, nos meados dos anos 70, havia uma enorme tentação de vender como sendo da Serra o que era produzido longe.
Não querendo cansar mais, penso que muito há a fazer e com a qualidade a que nos habituaram os participantes do referido congresso. Todos estão de parabéns, pois todos são excelentes exemplos de coragem, empreendedores e amantes da Serra. Parabéns incluindo, naturalmente o autor deste brilhante blogue…

Com estima e admiração,

João