sábado, 4 de setembro de 2010

Aldeias sem remédio


Torroselo não está no mapa. A freguesia do concelho de Seia é feita de casas com portas e janelas quase sempre fechadas. Não escondem sonhos, foram levados por quem partiu para a cidade e para o estrangeiro à procura da vida que ali morreu. Quem ficou sobrevive com o que resta: a junta de freguesia, a escola primária, um lar e centro de dia, um posto médico, dois cafés e duas mercearias, "mas uma fecha quando vem a ASAE", ironiza o ex-presidente da junta Joaquim Pimentel.

Os 484 habitantes - a maioria ausente e idosa - perderam a Casa do Povo, o clube de futebol, a biblioteca, o restaurante e até o padre residente, mas foi a farmácia que lhes levou a esperança que ainda tinham no futuro da aldeia. "As pessoas de outras localidades vinham aqui à farmácia. Agora perdemos freguesia", lamenta Mário Mendes, dono do minimercado Nova Vida, que até outubro de 2008 era paredes meias com a Farmácia Central
.
É assim que começa um trabalho jornalístico do Jornal Expresso sobre a transferência de várias farmácias de algumas freguesias para as cidades.

E Torroselo serve de exemplo, dado que a Farmácia Gandarez transferiu-se daquela aldeia para Seia.
São notícias como estas que nos afundam cada vez mais a alma. Ou que nos fazem renascer o espírito e a esperança de que se pode inverter a marcha agonizante. E todos nós temos responsabilidades, e o dever de ajudar na empreitada que se impõe.
Todos.

10 comentários:

luis silva disse...

Boa noite. Só não compreendo como é que há pessoas que nesta reportagem criticam a deslocalização da farmácia Gandarez de Torroselo para Seia e ao mesmo tempo é lá que vão buscar os medicamentos para os utentes do Lar. Isto ou se dá no cravo ou na ferradura...nunca nos dois.Aliás no dia da inauguração desta farmácia em Seia, uma dessas pessoas que critica a deslocalização da mesma...estava lá a "comer e a beber". Não sei porquê mas parece-me uma reportagem encomendada por quem já "passou há história" há muito tempo e ainda não se mentalizou disso.

Pinhas disse...

Parece que quem de direito, continua sem ouvir estes apelos, constantes

Cagido disse...

Porque é que não se faz o agrupamento das aldeias, como se fez com as escolas, uma ideia original do PS!?
No caso de Torroselo e outras mais juntavam-se a Seia e esta cidade via assim aumentada um pouco mais a sua população e, geograficamente também, passando o concelho todo a chamar-se cidade de Seia.

LS disse...

É engraçado a reportagem "encomendada" não referir que a farmácia Gandarez quando estava em Torroselo não servia só aquela população. Além de Torroselo (400 hab), servia também Folhados (300 hab), Sandomil (250 hab), Várzea (100 hab), Carragosela (350 hab), Vila Cova (200 hab) e Catraia de S. Romão (50 hab). Isto tudo somado dá aprox. 1650 hab., portanto o target não era assim tão baixo. Quanto ao facto de Torroselo não aparecer no mapa como diz no inicio da reportagem, gostava de perguntar ao jornalista do Expresso que mapa é que viu, se foi o de Portugal ou de Espanha, porque Torroselo há muitos anos que consta no mapa, além disso gostaria de lhe perguntar onde é que viu assim tantas casas fechadas, sem ninguém. O retrato da Freguesia não está correcto o que me leva a dizer que foi uma reportagem "encomendada" por alguém que tem interesse em diminuir aquela população.

Anónimo disse...

Não tenha dúvidas Sr. Luis Silva, foi bem encomendada esta noticia, nós sabemos muito bem quem a encomendou.

Anónimo disse...

Não tenha dúvidas Sr. Luis Silva, foi bem encomendada esta noticia, nós sabemos muito bem quem a encomendou.

Luis Silva disse...

Já estou a tratar de saber junto da administração do Expresso, quem é a jornalista Vera Lúcia Arreigoso que escreveu a reportagem para ver até que ponto tem ligações a certas pessoas de Torroselo e convidá-la a vir ver se as casas estão fechadas, ao mesmo tempo convidá-la para vir ver se Torroselo existe ou não no mapa. Para uma jornalista dum jornal de tamanho gabarito será que nunca ouviu falar em google earth? Nem que fosse por aí concerteza ia encontrar Torroselo muito facilmente no mapa, assim como em qualquer mapa Michelin, mas enfim quando se quer pintar um cenário que não é verdadeiro tudo serve para "pintar de negro" a reportagem.

A. Madeira disse...

A deslocalização da farmácia Central para Seia é uma perda irreparável para a nossa terra.Temos vindo a perder muitos equipamentos que, Torroselo se orgulhava de possuir, graças à influência de muitos dos seus melhores filhos. Foi fundada há mais de 120 anos, pelo Tenente da Armada, Elísio Mendes Alves.O seu filho Luís Alves Portugal foi o continuador.A par da actividade de farmacêutico e de proprietário agrícola,o senhor Portugal, ainda tinha tempo para se dedicar ao regionalismo. Foi presidente da assembleia geral da Liga Hermínista Estrela de Alva e da direcção da Casa do Povo, curiosamente duas instituições extintas. Nesse tempo distante, as pessoas quando estavam doentes, era à farmácia que primeiro se dirigiam. Era um farmacêutico com vastos conhecimentos na matéria. A farmácia Central foi durante muitos e bons anos, ponto de encontro e tertúlia, das camadas sociais mais importantes da nossa terra. Pelos idosos e por todos os habitantes e utentes da farmácia, lamento esta perda, mas infelizmente, isto é um pouco daquilo que acontece por todo o nosso país.

Anónimo disse...

O Sr. Portugal tinha muitos conhecimentos de Farmácia.Eu tive um problema de pele, corri muitos médicos todos me diziam que era mal de pele, outros diziam que era pele gorda e nervos, gastei muito dinheiro em cremes e pomadas e as melhoras não eram nenhumas, até que um dia os meus falecidos Pais levaram-me á farmácia do Sr. Portugal, êle próprio fez um fármaco, passado pouco mais de um mês estava corado. Além de ser um grandre Homem era um grande farmaceutico.

Anónimo disse...

"Reunião( em Maio de 2010) da Comissão Nacional de Coordenação do Combate à Desertificação, presidida pelo MADRP e integrando ainda representantes de outros organismos centrais (MNE, MAOT, MCES e ME), das regiões, das instituições de investigação e desenvolvimento e da sociedade civil, constituiu mais uma etapa no processo da revisão do Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação. Mais de 10 anos volvidos da sua aprovação em Conselho de Ministro de 17 de Junho de 1999, este plano encontra-se numa fase de avaliação face aos desafios que se colocam na política de Desenvolvimento Rural e da necessária adequação à Estratégia Decenal da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação."Não é facto de dizer mal, mas desta forma não vamos a lado nenhum, a meu ver deveria começar-se já a traduzir-se na educação, nomeadamente no conceito de qualidade de vida, depois e o mais importante exigir que todos os orgaos do poder local exijam medidas concretas de apoios e incentivos para a fixação das pessoas.
eugenio matos