quarta-feira, 11 de junho de 2014

Caraterização do concelho de Seia


Seia, simplesmente Seia *


Falar de Seia, por parte de quem aqui mora, por quem aqui vive, por quem a vive e a sente, pode significar um ato de tendência exagerada, ora apontando fragilidades, ora acentuando virtudes de sub-reptícias formas. Por isso, e neste contexto em que escrevemos, inclinamo-nos para um breve olhar cruzado, por entre uma realidade de um espaço comunitário, que mergulha nas suas raízes históricas, se afinca nas suas potencialidades e se abalança nos desafios que espreitam, época após época, de conjunturas diferentes, num mundo que é cada vez mais conturbado. Um olhar breve, numa espécie de curto guião, que não deixa de ser um convite a revisitar memórias deste concelho com futuro.

Posto isto assim, começamos na raiz e viajamos ao período pré-histórico, para dizer que a maioria dos historiadores considera que a presença humana neste território, remonta a 450 anos antes de Cristo. Pouco tempo depois, em 139 antes de Cristo, surge pelos chamados “Montes Hermínios” um bravo pastor Serrano, Viriato, que se diz ter nascido, entre outros lugares na Póvoa Velha. Fundada pelos Túrdulos, a Oppidum Sena, antiga cidade de Sena, pela sua posição geográfica constitui-se como um ponto estratégico na luta contra a invasão romana. Muito mais adiante, em 910 é tomada por Ordonho II, rei da Galiza e Leão, passando posteriormente para o domínio muçulmano, acabando por ser reconquistada por D. Fernando Magno, em 1055.

Percorrendo ainda factos históricos relevantes, ficamos a saber que no processo de reconquista cristã e arroteamento deste território, em 1132, D. Afonso Henriques encontrou Seia num estado de ruína e despovoamento, consequência das lutas consecutivas entre mouros e cristãos. Com efeito, procedeu à sua doação ao seu valido João Viegas, por reconhecimento de serviços prestados, e em 1136 concedeu o primeiro foral, onde a denominava de Civitatem Senam (Cidade de Seia).

Apesar de não haver nenhum documento que o comprove, pensa-se que em 1390 reuniram-se em seia os famosos Doze de Inglaterra, sendo alguns deles de Seia, Linhares, Gouveia, Melo, Celorico, Pinhel e Trancoso. Outra data histórica escreve-se em 1807, com as Invasões Francesas que vieram devastar Santa Comba, Pinhanços, Santa Eulália, Paranhos e Girabolhos, tendo incendiado em seia a Casa das Obras (atual Câmara Municipal), Igreja da Misericórdia e Matriz, deixando tudo em ruínas. Estes e muitos outros factos históricos relevantes constam de várias publicações e sobretudo na Monografia da cidade e concelho de Seia, de José Quelhas Bigotte (1992), até hoje o trabalho mais aprofundado da história do concelho de Seia.

Ressalva-se entretanto algumas publicações referentes a épocas históricas balizadas de relevante importância, como sejam “Seia uma terra de fronteiras nos séculos XII e XIII”, de Maria Helena da Cruz Coelho (1986), “”Seia na Idade das Trevas” de José Matoso (1986) “O Concelho de Seia em tempo de mudança” de Lúcia Moura (1997) e mais recentemente “O Marcelismo e o 25 de Abril vistos em dois jornais locais” de Luís Vieira Rente (2004) e “A Casa da Luz”, de João Orlindo Marques (2009).

No que se refere a monumentos, em Seia sobressai a capela de S. Pedro, com mais de mil anos e que é monumento nacional, de estilo românico com laivos mozárabes. Do vastíssimo espólio arquitetónico que encontramos pelo concelho, podemos ainda destacar a Capela do Santo Cristo do Calvário, em Seia, o Pelourinho do Casal de Travancinha, a Ponte Romana de Sandomil, a Anta do Carvalhal e de data mais recente a escultura de vulto feminino em bronze junto ao jazigo do Republicano Afonso Costa, no Cemitério de Seia.

Retomando a história de Seia no início do século XX, apraz registar uma atividade que seria marcante do ponto de vista económico até aos nossos dias e que é a construção do aproveitamento hidroelétrico da serra da Estrela.

Este facto transporta-nos para 1907, ano em que se iniciou a construção do primeiro aproveitamento hidroelétrico, dos quatro existentes sobre o Rio Alva, através da criação da Empresa Hidroelétrica da Serra da Estrela (EHSE). E é a partir da primeira central construída na Senhora do Desterro que em 23 de Dezembro de 1909 a energia chega a Seia pela primeira vez. A partir daí, a empresa liderada por Marques da Silva foi construindo um importante complexo hidroelétrico através da EHSE, que marcou a economia do concelho durante décadas e que viria a ser nacionalizada em 1975, integrando a EDP.

Posteriormente, na década de 60, há outro fenómeno que marca a economia e a vida social do concelho de Seia, com o surgimento da indústria têxtil. Impulsionada pelo empresário Joaquim Fernandes, o têxtil transformou-se em pouco tempo numa mono-indústria deste concelho, chegando a empregar perto de 4 mil trabalhadores em várias fábricas, mas sobretudo na Vodratex e Fisel, em redor das quais foram mesmo construídos bairros sociais. No início da década de noventa este setor viria a entrar em crise profunda, fruto da conjuntura económica da época, sendo hoje uma atividade residual.

Segundo os Censos de 2011, o Concelho de Seia tem 24 mil habitantes, tendo perdido cerca de 4 mil em relação ao ano 2001, em que registava 28 mil habitantes.

Até Outubro deste ano de 2013 o concelho era composto por 29 freguesias e mais de 100 localidades, mas com a reforma administrativa implementada, e com as agregações que foram impostas, passou a ter 21 freguesias.

Uma parte destas freguesias situa-se na zona montanhosa, correspondente às chamadas aldeias de montanha - Alvoco da Serra, Cabeça, Lapa dos Dinheiros, Loriga, Sabugueiro, Sazes da Beira, Teixeira, Valezim e Vide, que são caracterizadas por densidades populacionais muito baixas. Territórios com imensas belezas paisagísticas, que nos levam ao ponto mais alto, a quase dois mil metros de altitude e à descoberta de tesouros e magias escondidas por entre veredas.

Por esta via, o Turismo tem vindo a ocupar nas últimas décadas um relevante papel na economia local, quer pelos programas de animação organizados nestas aldeias, quer pela valorização do património cultural e paisagístico, quer pelo incremento de vários produtos associados à região.

O queijo da serra é uma das várias imagens de marca de Seia, fruto do incremento da pastorícia ao longo de décadas e também pela instalação de várias unidades de produção industrial que abastecem os vários mercados do país e alguns do circuito internacional. Mas para além do queijo da serra, sobressai o requeijão, o pão do Sabugueiro, os enchidos, os vinhos, o mel, vários licores e diversos outros produtos artesanais que os poderemos encontrar nas chamadas Feiras do Queijo, realizadas anualmente no sábado de Carnaval.

Chegados aqui, desembocamos no papel que a cultura tem desempenhado no quadro de desenvolvimento do concelho de Seia, fruto da ação do seu município. Uma estratégia que tem passado nos últimos trinta anos pela construção de um conjunto de equipamentos culturais e na realização de eventos considerados relevantes na agenda cultural do concelho.
O principal evento que mais se identifica com a cidade de Seia e os propósitos culturais e ambientais seguidos na governação local, é o CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental, que se organiza em Outubro desde 1995 de forma ininterrupta. Trata-se do único festival de cinema ambiental que se realiza no nosso país e que constitui um cartaz internacional de grande projeção internacional e que traz à cidade muitas personalidades do mundo do cinema, do teatro, dos movimentos ambientalistas, etc.

Para além deste, podemos ainda identificar outros “eventos ancora” no calendário cultural do município, como sejam o Festival Jazz & Blues, O Festival de artes plásticas – ARTIS, as Jornadas Históricas, as festas da cidade, a Feira do Queijo, as Marchas Populares, e todo um conjunto de ações pontuais, do município e da comunidade, que compõem a programação dos vários espaços da cidade.

A rede de equipamentos culturais de Seia estrutura-se em três grandes domínios: equipamentos de exposição e consulta, equipamentos de espetáculo e equipamentos comunitários. Independentemente do tipo de equipamentos, verifica-se que escassas são as freguesias que não dispõem de nenhum equipamento, ainda que se verifique uma acentuada concentração nas freguesias de Seia e de São Romão. No âmbito desta rede, há 7 equipamentos que importa destacar, quer pela projeção concelhia promovida e subsequente atração de visitantes, quer pela centralidade que assumem na programação cultural concelhia.

A Casa Municipal da Cultura, situada no centro da cidade, é um equipamento polivalente, com um Cineteatro com capacidade para 345 pessoas, auditório para 150 pessoas, Galerias Municipais e Espaço Internet, a funcionar na sua plenitude desde 1995. Um equipamento dotado de recursos humanos próprios, e com uma programação diversificada, estruturada e de qualidade, com espetáculos de teatro, dança, concertos, exposições e sessões semanais de cinema, o que lhe confere o estatuto de verdadeiro “centro cultural do concelho de Seia”.

A Biblioteca Municipal, que entrou em funcionamento em 1993, situa-se em pleno centro histórico da cidade e apresenta atualmente uma vasta oferta cultural, destacando-se o espólio documental de livros e em formato audiovisual. Através desta estrutura, tem-se assistido a organização de feiras de livro, sessões de contos, concursos literários e outras atividades de promoção da leitura.

O Arquivo Municipal, que foi criado em 1994, tem como finalidade central a preservação, inventariação e estudo dos documentos de interesse municipal, disponibilizando um espólio arquivístico informatizado. O Arquivo organiza anualmente em Novembro, as chamadas Jornadas Históricas do Concelho e proporciona visitas guiadas pelo centro histórico e organiza esporadicamente exposições na Casa da Cultura.

O Museu do Brinquedo, instalado no antigo solar de Santa Rita, é um equipamento museológico que reúne uma vasta coletânea de brinquedos portugueses e internacionais, de diferentes épocas. Inaugurado em 2002, tem exposições temporárias e itinerantes alusivas a temáticas diversificadas.

O Museu Natural da Eletricidade, que foi inaugurado pelo Município de Seia no dia 11 de Abril de 2011, é um espaço museológico que nasce a partir da centenária Central da Senhora do Desterro, e que pretende divulgar o património tecnológico, natural, social e cultural que lhe está associado.

A Ludoteca Municipal, que foi criada em 1994 está instalada na antiga casa dos Magistrados, constituindo um espaço destinado a crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 16 anos, e que desenvolve uma atividade muito meritória.

O Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) é uma estrutura do Município de Seia, criada em 2000, vocacionada para a promoção do conhecimento e divulgação do património ambiental da serra da Estrela. Sedeado numa quinta no centro de Seia, o CISE apresenta um conjunto de espaços e equipamentos multivalente que o convertem num local modelar para o desenvolvimento de atividades de educação e divulgação ambiental, promoção turística e investigação e um ponto privilegiado para partir à descoberta da serra da Estrela.

Por último, uma referência ao espaço Museológico da Misericórdia com um vasto e rico espólio de arte sacra, o Museu Etnográfico do Rancho Folclórico de Seia, bem como ao Museu do Pão. Este último é uma unidade privada, criada em Setembro de 2002 e que constitui uma das principais atratividades de Seia e da Serra da Estrela.

Nesta descrição sumária, cabe também uma referência à existência de mais de 100 coletividades, de natureza eminentemente cultural. Estas agrupam-se em três grandes tipologias: bandas filarmónicas (7), ranchos folclóricos 5 (dos quais 3 são federados), grupos de cantares (3) e orfeões (2), sendo considerados parceiros importantes na preservação e valorização da património etnográfico concelhio.

As associações registam uma repartição territorial diferenciada em função da sua natureza, enquanto que, as de base cultural e recreativa têm um padrão locativo marcado pela dispersão, as de base cultural e desportiva caraterizam-se por uma acentuada concentração na sede de concelho e freguesias circundantes, não obstante, destas últimas serem quantitativamente mais numerosas.

Podemos ainda referenciar neste capítulo, a existência de 3 corporações de Bombeiros – Seia, São Romão e Loriga - e mais de 3 dezenas de Instituições de Solidariedade Social (IPSS), um setor com um peso significativo na economia local e que desenvolve um conjunto de atividades e valências consideradas relevantes.

Na área da Saúde, Seia possui um moderno Hospital com várias valências e consultas de especialidade em funcionamento, além do Centro de Saúde de Seia e São Romão e outras unidades ainda em funcionamento nalgumas freguesias. Possui ainda uma unidade de Cuidados Continuados da Misericórdia, a funcionar desde 2011, que é uma unidade de referência a nível nacional.

Todavia, são as escolas os grandes motores de desenvolvimento deste concelho, destacando-se atualmente a Escola Superior de Turismo e Hotelaria (IPG), a Escola Profissional da Serra da Estrela, Conservatório de Música de Seia, os dois agrupamentos de Seia e a Escola Evaristo Nogueira, de São Romão.

De toda a abordagem feita até aqui, importará talvez destacar ainda a situação geográfica de Seia, como cidade do interior do país, que vive desse isolamento, do drama de estar fora dos grandes eixos rodoviários e de ter de redobrar esforços para estancar o fenómeno do despovoamento. Um fenómeno que vem sendo contrariado pela aposta no setor turístico, aproveitando a imponência da serra e suas paisagens, através de atividades de hotelaria e restauração, bem como de produção de produtos locais. Umas vezes com maior expressão e afinco, outras mais tenuemente, o certo é que, como se constata, ao longo da sua história, os seus habitantes sempre souberam ultrapassar dificuldades e nesta fase critica, de conjuntura altamente desfavorável, saberá responder aos desafios.
Porque Seia tem futuro!

Mário Jorge Branquinho

* texto publicado no livro: Momentos de Cultura com Orfeão de Seia, de Fernando Beco

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Discurso no 25 de Abril 2014



O meu discurso na sessão solene do 25 de Abril de 2014, na Assembleia Municipal de Seia



Vir aqui falar, impõe-se desde logo perguntar, que sentido faz vir aqui a este púlpito discursar, em sessão solene, sobre a revolução do 25 de abril ocorrida há 40 anos? Que consequências e de que adiantará fazê-lo? Falaremos para nós em efémera passagem, sem resultados palpáveis e pronto?

Passados 40 anos de uma revolução ocorrida no nosso país, interrogamo-nos sobre o peso das palavras em discursos comemorativos e perguntamo-nos se vale a pena. Passados estes anos e porque a alma não é nem deve ser pequena, vamos pelas palavras e não desistimos, pelo menos em acção simbólica, sublinhando a importância do acto e do facto.

Passados 40 anos continuamos a falar de abril e a fazer discursos, não para cumprir calendário, mas para continuar a manter viva a chama dos propósitos que tiraram o país da ditadura. Para repetir as vezes que forem necessárias, tanto os termos como as frases do dicionário próprio de abril. Porque as memórias não se apagam e porque através delas seguimos novos rumos, cumprimos abril, sempre que discursamos, sempre que lembramos. E se é verdade que as palavras não mudam a realidade, também é verdade que nos ajudam a pensar, a conversar e a tomar consciência e a consciência pode ajudar a mudar a realidade.

Por isso, permitam-me que oriente a minha intervenção pela consciência critica que em primeiro lugar nos deve nortear, no sentido de ajudarmos a construir um novo país. Permitam-me então que comece pela raíz, pelos mais novos, pelas crianças e jovens, para quem tudo isto é estranho, para quem estas comemorações podem ter significado.
Permitam-me que fale daqui para todos, como quem fala para crianças e jovens e ao contar a história breve da profunda transformação que se operou a partir de 1974, ajude a entender a história recente do país.
Porque houve um ditador que durante meio século fez mergulhar o país num profundo atraso económico, cultural e social, quase tão mau como o que hoje assistimos. Um país guiado por Deus, que amava a pátria, quando jogava o Eusébio e cantava a Amália e que vivia em torno da família, mas que morria na miséria, de pão e de liberdade, em tenebrosa opressão. Num sistema de governo de um homem só, em ditadura, como contraponto a um outro homem que em democracia e em liberdade nos tem também marcado a vida, ora como ministro ou primeiro-ministro e agora como presidente da República. Um homem político como tantos outros destes últimos 40 anos, que nos têm conduzido a caminhos sem retorno. Políticos que apesar de terem muitos recursos ao dispor da comunidade europeia, que entretanto foi receptiva à nossa entrada, nos têm cortado a esperança e os braços para trabalhar. Políticos que nos têm levado ao sítio onde nos encontramos, tantas vezes sem ânimo e sem perspectivas de emprego, ou tendo emprego, nos fazem viver, pobres e pouco honrados, por tantos roubos e esquemas armadilhados.

Podem os jovens de hoje ter dificuldade em perceber estes cruzamentos de história e de vidas políticas assim, mas fala-se de ditaduras como a de Salazar, como se pode falar das ditaduras das democracias, que nos esmagam de impostos, nos obrigam a muitos deveres e nos oprimem na ditadura do capitalismo selvagem.

Podem os mais novos achar estranho falarmos assim se temos cama, mesa e roupa lavada à custa dos país e se ainda por cima temos telemóveis e smart-phones, e vamos aos shoping’s, comemos no McDonald’s, saímos aos bares com os amigos e vamos andando. Podem até outros achar estranho porque não somos felizes com tanta abundância que aparentemente nos rodeia, se antes se era feliz com pouco.

O estranho desta história da história recente de Portugal é que os ricos ficaram muito ricos e os pobres, uns ficaram remediados e outros desempregados, tendo uns que partir de novo para o estrangeiro e outros arrumar-se nas ruas vazias das inquietações, a morrer aos poucos.
O estranho desta história é perceber, porque é que tendo modernos hospitais se morre tanto nos corredores, em nome da contenção, uma palavra que veio, depois dos políticos de Portugal e do resto da Europa terem usado o nome – Expansão. Depois de nos pressionarem durante mais de duas décadas para que gastássemos, para que expandíssemos.
O estranho é ter escolas sem gente e gente sem alma e sem esperança, porque os políticos que trouxeram até aqui o país, não descobriram que o país só melhora, se os portugueses melhorarem.
Estranho é o Estado tirar dinheiro do ordenado aos pais dos jovens, sempre aos que trabalham e não tirar às grandes empresas que fizeram negócios chorudos em esquemas cruzados de interesses públicos e privados.

Tudo isto é estranho e é o fado do fardo que carregamos e que às vezes já nem ligamos, porque quando ligamos as televisões é sempre a mesma cantiga. Um fado dum país que não é para velhos, mas onde se teima em tirar aos reformados cada vez mais das suas parcas reformas em nome de outras reformas estruturais que não se fazem. Um país que não é para velhos, mas que está a ficar velho e que manda os novos embora, depois de investir na sua formação.

Falar de abril aos jovens é contar-lhes a história recente de Portugal e fazê-los perceber que não foi para isto que os capitães ousaram e derrubaram um regime opressor. Falar de abril aos jovens é fazer-lhes entender que não podemos regredir, que o futuro faz-se em direcção ao progresso e não ao retrocesso. Que é possível todos fazermos esforços, mas sermos compensados pelo que de bom fizemos e não sermos massacrados constantemente como ao que estamos a assistir.
Que apostar no desenvolvimento cultural e no conhecimento não é desperdício, mas investimento.
Falar de abril e tentar perceber porque é que Portugal, saindo de um longo ciclo de pobreza, marcado pelo atraso e pela sobrevivência, voltou a ver regressar a pobreza, agora, sem as redes das sociedades tradicionais. Com um ordenado mínimo que vale hoje menos do que o de então e com direitos e regalias conquistadas e deitadas agora a perder, num país com cada vez mais desigualdades.

Chegados aqui, minhas senhoras e meus senhores, caros jovens, ocorre citar Almada Negreiros _ "(...) quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa - salvar a humanidade." É o que ocorre dizer sobre Portugal. Todos sabemos dos males, incompetências e das incongruências, das corrupções que minam o sistema; dos males em excesso e dos bens em escassez, da nossa pequenez e das nossas limitações, no meio das incompreensões. Todos sabemos que só nos salvamos se houver mais empregos, porque só assim há progresso, se reduz a emigração, se nasce mais e o país cresce.

Todos sabemos que o país só se salva se todos colaborarmos, se formos empreendedores, se os políticos forem responsabilizados e se houver espírito de missão na política, e isto e aquilo. Todos temos ideias, todos os levantamentos foram feitos, todos os projectos bem elaborados, todas as boas intenções definidas e delimitadas, mas falta então salvar o país e devolvê-lo em bom estado às pessoas.

Falando assim, importa dizer, parafraseando Sampaio da Nóvoa, “Não podemos prescindir nem de liberdade nem de futuro”. E nesta história triste que vamos contando e assistindo, só fará sentido falar de liberdade e de futuro se for devolvida às pessoas a sua dignidade social. Porque as pessoas não são número e porque temos de mudar trajectórias teimosas que não nos levam a bom porto.

Porque o país está doente, o nosso concelho de Seia não pode estar de perfeita saúde. E se nos últimos 40 anos tivemos melhores e piores governos, todos constatamos que o actual governo é de longe o maior de má memória, porque nos enterra vertiginosamente a cada dia que passa e nos inferniza a vida, provocando ao país o maior retrocesso histórico e civilizacional de que há memória.

Um governo insensível e governantes impreparados, numa deriva liberal, de ideologia de direita, que teima em esmagar o povo com impostos e outras obrigações, defendendo grandes interesses instalados. Um governo que teima em não dar prioridade às vias de comunicação para a nossa região. Que desfere o maior ataque alguma vez visto ao Poder Local, que são a Câmara e as Juntas de Freguesia, cada vez mais limitadas na sua acção de bem-fazer pelas comunidades. Os órgãos do Poder local são os mais próximos das pessoas e são aqueles que mais têm sido atacados, para além das ameaças de esvaziamento de serviços públicos a funcionar na nossa cidade.

É preciso estarmos atentos e vigilantes e não permitirmos o esvaziamento do nosso Hospital, do Tribunal, do Centro de Emprego e das nossas escolas, porque isso significa abandonar as populações do Interior à sua sorte e assim condenar este território à morte. Temos o direito à indignação, essa grande conquista de abril. E quando todas as vias do diálogo estiverem esgotadas, não devemos ter receio de sair à rua reclamar e escancarar as portas que abril abriu, porque Portugal e Seia têm futuro e ele também depende de cada um de nós. Daquilo de que formos capazes. O país precisa de mudar de rumo, o governo tem de ser mudado, para que a esperança prevaleça.

Mário Jorge Branquinho
Partido Socialista de Seia
25 de Abril 2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

Os que dizem que não se passa nada aqui


Os que dizem que não se passa nada em Seia são aqueles que não vão a nada e quando por raríssimo fenómeno vão, é para apontar defeitos. Não os vemos no cinema, num concerto, num espectáculo de teatro ou dança, numa festa, num bar, etc. , mas dizem que não se passa nada.

Esses tais, que felizmente são poucos e a gente pouco liga, mas que se alargam em considerandos e mesquinhices, são os mesmos que ao verem um evento num qualquer concelho vizinho, correm logo a alvitrar que ali é que é bom e se faz bem e que aqui é tudo um marasmo. Mas dizem que não se passa nada, admitindo mais tarde, quando confrontados, que haver até pode haver, mas não se sabe, porque não é bem divulgado. Não dão com um cartaz em montras da cidade, nem com outdoor’s ou mupis, ou notícia de jornal, nem rodapé de tv, nem sequer sabem onde fica uma agenda cultural digital do município. E quando dão por ela, num site ou num facebook bem perto deles, é quase sempre para dizer coisas do género, - de que é pobre, que é pouco – e quando há de facto um evento maior, - que é muito e se gasta dinheiro e que o melhor é não fazer.

Esses mesmos que nunca viram um filme do CineEco, um concerto de Jazz & Blues, mas que falam, por falar. Que desconhecem que há exposições permanentes em vários espaços da cidade e nunca se vêm por lá. Esses mesmos que nunca entraram no CISE, mas que o criticam, ou porque lá não se faz, ou porque o que se faz não presta. Nem uma entrada deles alguma vez foi registada, num qualquer museu de Seia. Esses mesmos que provavelmente nunca passaram de Valezim para lá, não conhecem Loriga, Teixeira ou Vide e todas aquelas belezas naturais do concelho. Esses que só foram à Cabeça, porque ouviram falar que este ano foi Aldeia Presépio e porque provavelmente viram e enalteceram o programa que a RTP transmitiu de lá em direto com muita música pimba. Porque sim, porque dá nome á terra e coisa e tal!

Esses que falam por falar, nunca pegaram num poema e o leram num qualquer espaço cultural da cidade. Nunca entraram numa biblioteca, ou se entraram foi para virem dizer que entra lá pouca gente. Esses mesmos que não contam em qualquer registo numa das mais de 30 mil entradas anuais na Casa da Cultura de Seia. Esses tais que não sabem da felicidade de disfrutar de arte em estado puro, de descodificar mensagens ou de alinhar uma conversa em torno de um qualquer objecto artístico usufruído por cá. Esses mesmos que não conhecem um palco, mas a localização de todas as lojas de marca num qualquer shopping de Viseu, Coimbra ou Lisboa. Que não gastam dinheiro num bilhete de cinema mas o derretem num qualquer comestível supérfluo, ou em farturas e foguetório em festas populares, que eles também desconhecem mas que frequentam e ninguém tem nada a ver com isso.

Não vão onde há eventos e por isso não sabem que todos os fins de semana há acontecimentos culturais, sociais e desportivos, mais ou menos relevantes no concelho. Que há muitos homens e mulheres envolvidos em projectos criativos e significativos no nosso concelho. Muito voluntariado, muito profissionalismo, pedagogia e excelência, a que muitas instituições e particularmente escolas, emprestam brilho e dedicação.

Como nós os compreendemos e como tão bem os descreveu Camões, sem os conhecer, quando os apelidou de “Velhos do Restelo” ou quando ao terminar os Lusíadas, lhe atribuiu esse terrível defeito, que é sempre dos outros - a inveja. Daí a critica, de que, se se faz é porque se faz e se não se faz, é porque não se faz.

Os que dizem o que dizem e felizmente são poucos, pensam que dizendo o que dizem, denigrem, mas julgamos estarem enganados, porque deles não haverá réstia de incómodo, nem propagação de má-onda, pela má-língua permanentemente afiada. Deles virá, antes, estimulo e entusiasmo, para todos nós, enquanto agentes da comunidade e atores do desenvolvimento local, nos envolvermos redobradamente pela positiva, para dar cada vez mais dinamismos à nossa terra e fazer das fraquezas paixão e inovação.



terça-feira, 18 de março de 2014

Partido Socialista de Seia lança debates no âmbito dos projetos para o próximo quadro comunitário de apoio até 2020



O Partido Socialista de Seia, nas suas várias reuniões recentes de Secretariado e Comissão Política, em sintonia com o Município, tem proporcionado o debate em torno das questões relativas aos projetos e ideias a lançar para o desenvolvimento de Seia no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio 2014-2020.

No seio desses debates, que o PS quer alargar a todos os seus militantes, mas também à comunidade em geral, estão as preocupações em procurar estruturar projetos e linhas de rumo criativas, capazes de gerar riqueza e estancar o despovoamento típico das zonas do Interior do país. Apostando num crescimento inteligente, para aproveitar os quadros superiores da nossa região, o PS pretende ir de encontro às linhas estratégicas que o município tem vindo a traçar, procurando desde logo implementar “projetos âncora”, que contemplam o capital humano, no âmbito da modernização administrativa; a regeneração urbana e projetos empreendedores, de investigação e com preocupações de eficiência energética.

No centro desses projetos, estará a preocupação de valorização do CISE, através da criação de uma espécie de “Laboratório vivo“ (Living Lab), que consiste em manter a sua matriz de educação e investigação ambiental, reforçando-se a componente de investigação, formação e empreendedorismo, procurando criar-se consórcios com iniciativas empresariais. Dentro do mesmo espirito, está também o município a trabalhar a ideia da criação de um denominado Cowork, nas antigas instalações da MRG. O Cowork, é uma espécie de campus/espaço criativo de desenvolvimento e promoção do empreendedorismo, que permitirá, por um lado, facilitar a emergência do empreendedorismo e, por outro lado, incubar ideias e negócios.

O desenvolvimento de parcerias neste processo é igualmente importante. Para além das entidades locais representantes dos diferentes setores económicos, está a ser equacionado o envolvimento de uma instituição bancária, no plano de ação territorial para a promoção do empreendedorismo para a CIM.
  
Outra das premissas subjacentes ao debate, será a necessidade de se valorizar as infraestruturas existentes, quer no caso do CISE, mas de outros equipamentos culturais, sociais e desportivos, onde se incluirá inevitavelmente o Aeródromo Municipal.

No quadro económico, há uma realidade que pode ser valorizada a partir de um cluster do sector dos lacticínios, já que Seia tem a maior concentração de fábricas de queijo de ovelha, que pode e deve ser valorizado, bem como o incremento das atividades agro-silvo-pastoris.

Muitas destas ideias e projetos entroncarão inevitavelmente na valorização da vertente turística do nosso concelho, no contexto da marca Serra da Estrela, bem como na valorização e reconversão de setores económicos, nomeadamente no setor das lãs e tecidos, agroalimentares e outras.

Estas e outras ideias estão a ser consolidadas, umas para integrarem o pacote de projetos supramunicipais, no âmbito da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE); outras no âmbito do município; outras no quadro das chamadas ITI’s – Iniciativas Territoriais Integradas; outras no Plano Operacional Regional e outras no quadro das chamadas DLBC – Desenvolvimento Local de Base Comunitária, onde se inclui a ADRUSE, ADRESE e outras associações de desenvolvimento local.

Tendo em conta que a estratégia 2020, deve ser assumida por todos os agentes locais, o PS de Seia, em articulação com o Município, está a lançar desafios às pessoas e instituições do concelho para darem os seus contributos, no sentido de valorizar as propostas a apresentar. Propostas para aproveitar os fundos disponíveis e com eles procurar desenvolver as melhores ideias para o progresso do nosso concelho.


Seia, 14 de março de 2014
Nota de Imprensa



segunda-feira, 17 de março de 2014

Eu na política e no movimento de cidadania


Contaram-me que o vereador do PSD e candidato derrotado à Presidência da Câmara de Seia nas últimas autárquicas me terá criticado, em “tom contundente”, pelo facto de eu ser “líder da bancada do PS às segundas, quartas e sextas” e dirigente de “Movimento não sectário nem partidário, às terças, quintas e sábados”. Vejam só, com tanta coisa importante para tratar, sou alvo de atenções destas!

Perante isto, cabe-me apenas dizer a Albano Figueiredo (AF) que qualquer pessoa com responsabilidades políticas, não está impedida de exercer ações de cidadania. E se há pessoas que não dão nenhum contributo para a comunidade de forma graciosa e voluntária, há outras que não param. Por mim, desde o tempo em que fui Presidente da Associação de Estudantes, que não tenho parado de dar o meu contributo como cidadão em várias coletividades. Neste caso, do Movimento MAIS, em defesa dos Itinerários da Serra da Estrela, é uma estrutura que ajudei a fundar em Julho de 2010, no tempo do governo Sócrates. E a energia e determinação que usava na altura, é a mesma que uso hoje.

Fico é espantado que neste caso dos IC’s, o assunto para o PSD seja o meu empenhamento redobrado nesta causa, - no quadro partidário e na esfera da cidadania. Pensei que para AF a questão central fosse a união de esforços para ver se ainda é desta que se consegue que o governo inclua a execução destes troços no mapa de prioridades, no pacote financeiro da comunidade que aí vem.

A mim toda a gente me conhece, sou o que pareço e se eventualmente não pareço o que realmente sou, sou aquele que se dispõe por causas, que não se acomoda, nem bate a porta e vai para casa quando não interessa. Não sou dos que desistem com facilidade! E nem me zango com facilidade quando me criticam, como neste caso. No entanto, por aqui apenas vou concluindo por estas e por outras coisas menores que ocupam o Presidente do PSD, que afinal o eleitorado de Seia lhe deu a resposta merecida. É preciso estar à altura e saber quando há causas que vão para além dos partidos e dirigir um partido ou ter pretensões a governar um município é ir além do romantismo das palavras. É bater o pé quando tem de se bater. E é preciso ter sentido de responsabilidade, porque há alturas em que é necessário estarmos unidos, numa espécie de “pacto de regime” e nesta matéria dos acessos à nossa região, devia ser um dos casos, independentemente da cor de quem governa. Mesmo criando incómodos e eu tive alguns no governo anterior, não deixei de vestir a camisola política ou de cidadão deste concelho. Com ou sem protagonismo, já que muita da acção se joga nos meios de comunicação, para fazer prevalecer o “empowerment”.

Temos de saber onde empenhar as nossas principais energias e não em fogo lateral e em “não assuntos”.

Cordiais cumprimentos no diálogo politico, para que não arrefeça a estima que deve sempre prevalecer, independentemente de divergências de ideias e pontos de vista.

Mário Jorge Branquinho, cidadão do mundo, com o seu currículo próprio


Nota: depois de escrever este texto, aconteceram as eleições para a Assembleia da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela. Apesar de o PS tem maioria naquela assembleia, pedi o voto do deputado do PSD de Seia e quero registar publicamente o gesto de adesão. Este é um exemplo, a par de outros em que devemos mostrar estar à altura nos momentos certos, sabermos optar pelo interesse do concelho e só depois no partidário.

quinta-feira, 13 de março de 2014

novos caminhos e desafios para Seia


Crónica de Seia *


Está a começar uma nova era do desenvolvimento, no que se refere à aplicação dos Fundos Europeus estruturais e de investimento no quadro da estratégia da União Europeia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo e da promoção da coesão económica, social e territorial.

Saibamos nós agora organizar-nos no nosso concelho, na nossa região, no quadro intermunicipal, no quadro das associações de desenvolvimento, para fomentar novas frentes de criação de riqueza e dinamização do território.
Agora sim, temos de ser cada vez mais exigentes, inovadores e com influência e conhecimento suficiente para apresentar os melhores projetos, para fazer pela nossa região.

Já o temos feito e temos sido pioneiros nalgumas matérias, mas o concelho de Seia vai continuar a ir na frente, na exigência de programas de investimento. Tirar partido das nossas potencialidades, envolvendo as comunidades, para rentabilizar boas ideias e fazer progredir o concelho.

Os objetivos para a Europa até 2020 definidos pela estratégia “Europa 2020” acentuam a importância do crescimento da economia para debelar recessão económica e social que afeta este continente de que Portugal faz parte.

Para concretizar estes objetivos a UE definiu o quadro financeiro 2014-2020 de fundos estruturais a disponibilizar aos Estados Membros para que estes possam dinamizar projetos de desenvolvimento que permitam alcançar melhores níveis de emprego, inovação, educação, sustentabilidade ambiental e inclusão social.

No caso do nosso território, esperemos conseguir dinamizar os melhores projetos, contando com o apoio do Quadro Comunitário para viabilizar uma estratégia local que nos permita combater os nossos problemas estruturais.

Cabe-nos assim fazer o nosso caminho e exigir que ao governo que faça o seu…

É importante e estamos determinados a isso, a apresentar projetos inovadores no âmbito das chamadas ITI’s - Intervenções Territoriais Integradas, assim como nos chamados Grupos de Ação Local, continuando a juntar vários parceiros agentes de desenvolvimento. Inovação a partir do nosso elevado potencial diferenciador – a paisagem, a silvo-pastorícia, as indústrias criativas, a reconversão do têxtil, a aposta no turismo cultural e em muitos pequenos negócios, numa esfera de efeito multiplicador.

Para além da coesão competitiva, temos de continuar a evidenciar a importância da coesão territorial, para que não aconteça sempre o mesmo, tudo para os mesmos e nada para os mais distantes.

Temos de constituir também o nosso grupo de influência, criando e cimentando uma rede de amigos do nosso concelho, muitos deles espalhados por vários organismos da administração.

No Ranking “City Brand” recentemente divulgado, entre os 308 municípios, o concelho de Seia surge no lugar 79, dos que têm melhores condições para viver e investir. O estudo terá avaliado as categorias de Negócios na vertente de investimentos, visitas na vertente turística e vivências na vertente Talento.

Quer isto dizer que, segundo este estudo, Seia está inserido num quarto dos municípios com melhores condições para viver e investir. Este facto deve animar-nos a todos e estimular-nos para reforçar o desenvolvimento do concelho, porque como costumo dizer, Seia tem futuro.


Texto publicado no Jornal Terras da Beira, Guarda, 13 Março de 2014

quarta-feira, 12 de março de 2014

Gerir, conservar, reivindicar e abrir novos caminhos



O Poder Local tem sido ao longo das últimas quase 4 décadas uma grande mola impulsionadora do desenvolvimento das regiões do nosso país. Com o passar dos anos, as vicissitudes vão-se alterando. Hoje, por exemplo, governar uma Câmara Municipal, como é o caso de Seia, é em minha opinião, assentar a ação política em 4 vetores fundamentais: gerir, conservar, reivindicar e abrir novos caminhos.

Apesar do município ter um orçamento da ordem dos 20 milhões de euros, face à situação financeira, com pagamento da divida e de outros encargos fixos, como sejam ordenados, águas, resíduos, eletricidade e outros, sobra pouco mais de um milhão de euros. Neste sentido, quase que se pode dizer que o Presidente será um gestor de pouco mais de 1 milhão de euros em Opções do Plano. Ou seja, é preciso procurar fazer muito, com pouco dinheiro e muita imaginação, como se tem visto até aqui.

Outro vetor importante é o da conservação dos equipamentos existentes, bem como a sua dinamização. Essa é uma tarefa complexa, face à escassez de recursos, mas mesmo assim, importa continuar a desenvolver mecanismos de dinamização e de incremento de atividades, para dar vitalidade ao concelho. Falamos de equipamentos importantes no quadro de dinamização cultural e desportiva como sejam museus, CISE, Biblioteca, Casa da Cultura, Pavilhões, etc.

Em simultâneo, julgamos de elementar importância o peso politico na reivindicação junto do Governo para manter serviços da Administração Central, como sejam o Hospital, o Centro de Emprego, o Tribunal, a Escola de Turismo e Hotelaria e outros serviços, com a qualidade que os cidadãos deste concelho merecem. Ou reivindicando vias de comunicação em falta, como os Itinerários da Serra da Estrela ou novos serviços da administração central.

Por aqui o Município de Seia liderado por Carlos Filipe Camelo também tem feito o seu caminho, embora esbarre muitas vezes no muro do silêncio dos vários Ministérios. O que na atual conjuntura se verifica é que os Ministros ou não recebem os Presidentes de Câmara ou nem sequer lhes dão respostas a solicitações, tal tem sido a estratégia de afunilamento de governação do país e em particular do Interior. Não bastava o forte ataque que este governo tem feito ao Poder Local, para se constatar esta falta de abertura ao que é reivindicado, independentemente das cores partidárias de cada município.

Mesmo assim, a luta tem de continuar e as reivindicações devem acentuar-se, em defesa das populações destas regiões deprimidas, pelo seu isolamento.

Por último, cabe às autarquia abrir novos caminhos para captar investimentos e gerar riqueza, face a desafios surgidos num quadro de mudança de paradigmas. As receitas de ontem não são mais as mesmas para os problemas de hoje e os erros do passado devem servir para corrigir estratégias. É preciso captar investimentos e embora a indústria têxtil e calçado deem sinais de solidez no mercado atual, há outros caminhos que devem continuar a ser seguidos, no quadro estratégico rumo ao ano 20. E um dos caminhos será certamente pela via da valorização do setor primário, com incremento de produtos agroalimentares e de pastorícia, associados ao setor turístico, a precisar de novo empurrão. Iniciativas incrementadas numa lógica de partenariado e viradas para o resultado, assentando sobretudo nos efeitos diferenciadores, em lógicas de competitividade saudável e coesão territorial indispensável.

É certo que vamos ter nos próximos 4 anos algum dinamismo na economia local com a construção da barragem de Girabolhos, mas em simultâneo teremos de continuar a procurar novos investimentos, que é quem nos pode salvar, travando a saída de pessoas, fixando-as pelo emprego. Porque hoje, já não é só o Interior do país que sofre o flagelo da saída de pessoas para o estrangeiro, mas o país todo, com a debandada de mais de 120 mil pessoas por ano e uma grande parte com cursos de formação superior.

Neste contexto, de várias frentes de combate, há ainda que ter coragem e resistir, resistindo, para continuar a viver no Interior, para continuar no país!



Artigo publicado na última edição do Jornal porta da Estrela.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

FEIRA DO QUEIJO DE SEIA 2014


1 e 2 de Março 2014


PROGRAMA

Dia 1 - Sábado 
09:00h – Abertura da Feira
09:45h – Sessão com entidades oficiais, com a presença do Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar
10:00h - Concurso “Doces Sabores” – categoria profissional
Org.: Escola Profissional da Serra da Estrela
10:30h – Provas de Queijo
12:00h – Cozinha ao Vivo 
Org.: Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia - IPG
15:00h – Desfile de Carnaval “Tradições da Serra da Estrela” 
Org.: Escolas, IPSS e grupos da comunidade
16:00h – Provas de Queijo
16:30h – Apresentação da Exposição temporária “Mobile Backyard“
Local: Museu do Brinquedo
16:45h – Cozinha ao Vivo 
Org.: Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia - IPG
18:00h – Encerramento da Feira
22:30h – Queima do Entrudo numa Aldeia de Montanha - Sabugueiro

Dia 2 - Domingo
09:00h – Abertura da Feira
10:00h - Concurso “Doces Sabores” – categoria não profissional
Org.: Escola Profissional da Serra da Estrela
10:30h – Provas de Queijo
12:00h – Cozinha ao Vivo 
Org.: Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia - IPG
14:30h – Passeio Motard
Org.: Grupo Motard “Amigos Serranos”
15:00h – Apresentação do livro “O Queijo da Serra da Estrela e a Transumância”, de Alberto Martinho
16:00h – Provas de Queijo
16:45h – Cozinha ao Vivo 
Org.: Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia - IPG
18:00h – Encerramento da Feira

Organização: Município de Seia

Parcerias: Associação de Artesãos da Serra da Estrela, Associação de Apicultores do Parque Natural da Serra da Estrela, LICRASE, Confraria do Cão Serra da Estrela, ANCOSE; Escola Superior de Turismo e Hotelaria – IPG; Escola Profissional da Serra da Estrela.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

5 DIAS, 3 FILMES NA CASA DA CULTURA DE SEIA




O Cinema está em destaque na programação da Casa Municipal da Cultura de Seia para os dias do Carnaval, com a exibição de 3 filmes em cinco dias.

Para além das várias atividades desenvolvidas pelo município no âmbito da Feira do Queijo, à noite o público local e visitantes poderão assistir a filmes da atualidade.

No fim-de-semana, sexta, sábado e domingo, às 21:30 horas será exibido o filme Golpada Americana, do realizador David O. Russel. Na segunda-feira de Carnaval será Blue Jamine, de Woody Allen e na terça-feira de Carnaval Ao Encontro de Mr. Banks, de John Lee Hancock.

Três bons filmes, sugeridos para estes dias, no “Cinema de Seia” um dos poucos da região com programação regular e com sistema digital de qualidade, incluindo o 3D.

Por estes dias e até ao final do ano, está prevista a promoção do Cinema de Seia nos jornais locais, através da publicação de cupões de oferta de bilhetes para os assinantes dos jornais. Em simultâneo estão a ser dinamizados os vários canais de divulgação em suporte de papel e digital.



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Rotundas de Seia transformadas em pasto para ovelhas




Quem visitar Seia nos fins de semana de 22 e 23 de fevereiro e 1 e 2 de março (das 10h às 14:30h), para além de ter oportunidade de comer bom queijo, verá as rotundas na entrada da cidade transformadas em verdadeiros pastos, com ovelhas bordaleiras, pastores e cães serra da Estrela.

A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal de Seia e procura sensibilizar os consumidores e as entidades sobre a verdadeira essência do queijo, e que está, na proveniência do leite da ovelha bordaleira, espécie  autóctone da serra da Estrela, de onde se produz o Queijo Serra da Estrela. 

Esta ação enquadra-se na comunicação da Feira do Queijo, enquanto estratégia para apoiar todos os que querem fazer da pastorícia uma profissão, aproveitando a Festa do Queijo para homenagear aqueles que contribuem para que daqui saia um dos melhores queijos, os pastores.


A Feira do Queijo de Seia vai ter lugar no fim de semana do Carnaval, dias 1 e 2 de março, no Mercado Municipal de Seia e espaço envolvente. Integrada num conjunto de objetivos cuja implementação se considera estratégica para o desenvolvimento do concelho, a Feira do Queijo constitui um acontecimento determinante na criação de uma base de sustentabilidade para a economia local, assente num dos pilares económicos do concelho: as produções tradicionais. 

A Feira do Queijo congrega, assim, todo este setor numa grande mostra, detentora de forte expressividade no concelho, convidando todos os produtores de queijo (pastores, queijarias tradicionais, queijo DOP e fábricas) a comparecer na festa dedicada à ampla promoção do Queijo. A este produto endógeno aliam-se outros produtos regionais de reconhecido valor, como o pão, o vinho do Dão, os enchidos e o mel, bem como o artesanato, produtos da terra, lã Serra da Estrela, ovinos e o cão Serra da Estrela.


Num ambiente de festa popular protagonizada pelo folclore e bandas filarmónicas concelhias, aos quais se juntará a animação dos grupos convidados, o programa contempla ainda recriações etnográficas, concurso de doces, desfile de carnaval, workshops, cozinha ao vivo, tasquinhas, entre outros. 

(Comunicado de imprensa)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

JAZZ & BLUES, 10º Festival na Casa da Cultura de Seia


  
O Seia Jazz & Blues está de regresso ao palco da Casa da Cultura de Seia. Organizado pelo Município de Seia, o festival assinala a sua 10ª edição, com um programa de qualidade, marcado por uma linha de contenção financeira, como refere o comunicado de imprensa.
10 anos depois de ter participado no 1º Seia Jazz & Blues, Maria Viana volta a Seia em Quinteto, para subir ao palco da Casa da Cultura, dia 21 de Março. Esta é uma das atrações do X Seia Jazz & Blues que decorre de 19 a 22 de Março.


No dia 19 a Big Band da Escola Profissional da Serra da Estrela (EPSE) participa no “Jazz vai à escola”, uma iniciativa de serviço educativo, que deverá contemplar mais de 400 crianças do concelho de Seia. No dia a seguir a Big Band EPSE de Seia sobe ao palco da Casa da Cultura para um concerto que promete muitas novidades. No dia 21, sexta-feira, será a vez de Maria Viana Quinteto e no dia 22, sábado, a primeira parte será dos Manu Jazz (Oliveira do Hospital) e a encerrar os So What? Com Nana Sousa Dias.

O Seia Jazz & Blues, é um dos eventos “ancora” do autarquia local e apresenta-se este ano com uma programação de grande qualidade nestes dois géneros musicais e dentro de uma linha de forte contenção orçamental. 
  


sábado, 8 de fevereiro de 2014

E tudo mudou


Uma espécie de criativa 


E tudo mudou. Parece redundante, mas por muito que se tente, tudo aquilo que sabíamos já quase não vale nada e olhamos de alma cansada. Atropelados nos paradigmas emergentes, quais agentes atolados, frequentemente desolados, giramos meio desnorteados a procurar saídas. Rodopiamos à procura de norte, em busca de sorte para saídas airosas, de situações embaraçosas. Parece redundante, mas em cada instante muda a forma e o conteúdo e já não se nasce, não se educa, não se ama, não se trabalha nem se faz política, nem se envelhece suavemente como antigamente.

Tudo mudou e parece que a culpa é da globalização, da tecnologia e da correria empreendida e desmedida. Emergências do mundo contemporâneo, abalado por entre sismos e cismas desenfreadas da raiz até ao tutano. E não há fulano que escape a tanto dislate, nem sicrano que atente a tanta mudança e a tanto gosto imposto. Resvala-se de conceito em preconceito, em grande dança, em nome da esperança, por embalos tais, até sobrar ciência e paciência no palco da nossa inquieta conveniência. Quase nem damos conta, mas quase tudo se impõem, muito se esvai e na crista da onda, sem dizer “ai”, lamentamos e enfrentamos aquilo a que chamamos “crise contemporânea”.

Tudo mudou e tudo o vento leva na leveza de novas emergências, arrastando falências, deslocando-nos na corrente que a gente sente e nos efeitos produzidos. E vamos e vão as vãs esperanças de políticas acertadas e fundadas em pergaminhos de incerteza. Sobram miudezas, sobramos nós e sobra a selva da violência que de nós se apodera, sem espera, produzida nas galhas da euforia que um dia termina e nas vanguardas subliminares da comunicação e de muitos canais em desconstrução.

Parece banal dizer que tudo muda, se o mundo não para, se na inquietude do momento, sobressaem o assento do vagar e as velhas teorias de melhores dias. E na indefinida impreparação que assiste, cada um que desiste, salta fora por não se moldar à fúria e á força. Parece banal, mas o confronto no equilíbrio do que sabemos com o que vemos, resvala no desconforto da fragilidade das nossas perceções e convicções. Em milésimos de segundo saltamos de heróis a vitimas, de bestiais a bestas, de crédulos a incrédulos, de eufóricos a cabisbaixos, de fracos a fortes, de bons a maus, de recomendáveis a insuportáveis, de ricos a pobres e de pobres a ricos e assim por diante, em margem constante, na incerteza das viragens e na estranheza das aragens.

Tudo muda e nós aplaudimos, porque só não muda quem não acompanha nem quer sair do lugar. Tudo muda e assistindo à rapidez e ligeireza, estranhamos à vez, na nossa firme certeza, por desconfortavelmente nos confrontarmos a miúde com a vertigem da inadaptação. Se é certo que evoluímos e avançamos, construímos e modernizamos, também é certo que nunca fomos tão infelizes com tanto, nem tão frágeis por tão pouco. E isso é que é grave, na grandeza desajustada, entre o ter e o ser, entre conversa afiada e posse material efetiva, na riqueza e na certeza de ter de ser de qualquer jeito.

Tudo isto porque se fala do declínio do homem e da coisa pública, na aceleração dos processos e na perda de parâmetros e valores, nas variáveis das novas vidas e novos mundos. Tudo isto porque o nosso estado de alma se interroga e o estado dos Estados se enfraquece e se desajusta, sem radares para compreender novos arranjos e novos modos de vida pós-moderna, saltando à vista, cada vez mais individualista.  

Mas tendo esperança, quando tudo muda, a gente sempre alcança.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CineEco - Festival de Cinema Ambiental de Seia abre inscrições criando prémio para trabalhos televisivos



O CineEco 2014 – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, que este ano assinala a sua 20 ª edição, já abriu no seu site oficial as inscrições para a competição deste ano, que decorre na Casa Municipal da Cultura de Seia de 11 a 18 de outubro.

Uma das principais novidades no regulamento deste ano é a criação de um prémio específico para curta-metragem e outro para documentários, séries e reportagens, produzidas por canais de televisão, dentro da temática ambiental. Este último Prémio Internacional surge devido a um crescente interesse dos canais de televisão por este tema, que assim integrarão uma seção específica.

As inscrições estão abertas até dia 15 de Junho e a seleção oficial será anunciada até pelo menos dois meses antes do Festival e está aberto a filmes de ficção, documentários em longa ou curta-metragem para as suas várias secções competitivas e não-competitivas.

O Município de Seia, entidade organizadora está neste momento a preparar a edição número 20 do festival, com um conjunto de atividades, de modo a aproximar cada vez mais o festival à comunidade e dar-lhe em simultâneo ainda mais notoriedade no contexto nacional e internacional.


O CineEco, que na última edição mobilizou mais de 6 mil espetadores e mais de 4 mil em todas as suas extensões por todo o país, é dos festivais de cinema de ambiente mais antigos do mundo e um dos membros fundadores da plataforma internacional www.greenfilmnet.org que integra atualmente 21 festivais de cinema de ambiente de todo o mundo.

(Nota de imprensa)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Perguntando porquê


 Uma espécie de criativa


Uma flor ávida de orvalho, um pássaro solto em céu azul, homens sedentos de tranquilidade interna e nós serenos a contemplar o lado feliz da fugaz vida, a arrancar porquês na rotina. Porque afinal nem tudo é complexo, nem tudo se resume a dimensões imensas, a perguntas arrojadas e a velhas teorias do certo e do errado.

Uma gaivota e um navio não são a mesma coisa, como não é um pescador confundível com o seu próprio peixe. Contudo, não deixamos de afundar relações e analogias, de partilhar emoções e simpatias, com quem vai e com quem volta, aos supetões, na doce partilha de interrogações. Na lonjura da espera, esperando pelos que partem e não respondem. E espreitando, vemos partir, partilhando, olhando e sonhando, nas imensas paisagens do que ao de leve soa a nossos quereres, a nossas vontades. E no imenso mar de emoções, arrancamos perguntas pertinentes, de quem tudo quer saber, de quem de tudo espera, de quem vai além de perguntas, a ver para lá dos porquês.

Querendo saber, soçobramos na faina interrogativa de quem se não contenta com ditosas definições, de um nacional porreirismo, assente no “porque-sim”, sem mais, porque não sabe demais. Porque afinal é bom demais ir além do azul das nuvens, com pássaros coloridos, a ver partidas de navios, em manhãs de orvalho, com homens a sair para o trabalho, sem ter de se contentar com o que dizem.

Se perguntamos, interrogamos mas não vamos além da aragem de rotulagem que nos inferem, pelo que somos, do que rimos, pelo que fazemos e do que pensamos, concentrados que andamos na suave engrenagem que engatamos. Assim sem querer, enfrentamos interrogações nossas, descomprometidas, sem saber sequer respostas e sem ter de dá-las, no impetuoso frente-a-frente que se quer, entre nós e quem vier.

Perguntamos esperando e em suaves anonimatos, tantas vezes calamos, nem ouvindo nem andando, a instantes por conveniências reinantes, a calar fundo, a não dizer mais do que sim, sem perceber e por fim, procurar saber.

Entre o desejo de orvalho da flor silvestre e o céu azul do pássaro preto nas manhãs de ar cinzento, sussurra a ideia de que afinal não vamos além da carreira, ou por medo de enfrentamento, ou por receio de não estar à altura. Tantas vezes não aceitando o que não se entende por receio de parecer descabido, por não fazer sentido, embrulhando de qualquer maneira e feitio.


Na corrente de interrogações, acrescentamos definições de mar profundo, para tudo e para salvar o mundo e não descortinamos uma nesga de aragem para satisfazer os nossos porquês. Porque não sabemos o que queremos, porque há perguntas a mais, perguntas tolas que ninguém recomenda, ninguém faz nem responde. Porque porquês são angústias a três, de mim, de ti e do outro, sem sabermos se no cruzamento ditado, os interesses se cruzam, se o amor se interceta, se a perfídia espreita, se a resposta dada se aceita, ou se afinal a verdade, essa crua imagem da pressa, sempre cabe na razão e se interessa ou não.



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Impulso e estímulo

Uma espécie de criativa
 
No emaranhado da perfeição, sobre a intenção de bem e melhor fazer, resulta clara a ideia da importância do estimulo e do impulso, duas espécies que animam e dão vida ao que somos e ao que fazemos. Como a vida que vai e vem em ondas da cor do mar, assim vão os nossos impulsos, a andar, animados de estímulos da força forte que fazemos de vez e tantas vezes em vão. De grandeza variável, à proporção da vontade, ao sábado ou ao domingo, aos feriados ou dias santos, vamos e vimos, carregados, a sós ou em bandos, andando, a fazer depender da força e da circunstância.
No impulso impelimos e emergimos na perspetiva de obter o melhor resultado, no melhor estado, em função de perenes ou efémeras perfeições. Uma força centrípeta de arrebatamento e paixão a fazer fusão, fazendo a amiúde sublinhar virtudes do ímpeto paralelo que vai da vontade ao ato, seja forte ou fraco.
Impelimos como emergimos, incitados a suster a força, assente na base dupla do impulso que a estimulação produz. Munidos de estímulo e impulso, expulsamos laivos de coragem e ousadia, de noite e de dia, entrecortando a momentos, entre vaipes e discernimentos. Que a vida é assim, a contas com o que fazemos, com quem e como, independentemente dos porquês. E se ousamos, seja qual for a causa, há o meio e o canal, a forma e o caminho, a condicionar o conteúdo. Muitas vezes esperando, outras nem tanto, subestimando e levando a atos irreflectidos, mudando o que somos, na causa das coisas que supomos. No ímpeto que provocamos, tantas vezes desanimamos e ansiando seguimos, seguros da fragilidade dos factos.
Estímulo e impulso, impulso e estímulo. Ora um, ora outro, desobedecendo a vontades ou desejos, seguem em nós desejosos da transformação da “coisa”. E através do impulso, estimulado pelo lado do outro, pode sempre seguir o séquito das sobranceiras inquietudes, das profundezas em fraquezas até ao alto das virtudes. Se o impulso tende ao lado nervoso, activando neurónios, já o estímulo apela mais ao físico, interno e externo, acabando por disparar impulsos. E um vai do outro, como o outro vai ao encontro do mesmo e no final de contas, seguem de braço dado a cantar vitórias.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Presidentes de 5 Câmaras da região reivindicam execução dos Itinerários da Serra da Estrela



Os Presidentes das Câmaras Municipais de Seia, Gouveia, Nelas, Oliveira do Hospital e Fornos de Algodres acabam de enviar ao Secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Comunicações uma carta, assinada a cinco, reivindicando a necessidade urgente de execução e conclusão dos eixos rodoviários IC6, IC7 e IC37. Na missiva, os autarcas referem que este é um momento oportuno, uma vez que o governo “constituiu um grupo de trabalho no sentido de hierarquizar os investimentos públicos para o país, passíveis de integrarem o próximo Quadro Comunitário de Apoio”, daí reiterarem o pedido de execução destes Itinerários da Serra da Estrela.

Os autarcas recordam ao Secretário de Estado Sérgio Monteiro, as declarações públicas que este proferiu em Seia, de que iria ser “dada prioridade aos acessos principais à Serra da Estrela, ainda que de forma faseada”, pelo que este assunto não pode ser esquecido.

Por sua vez, o MAIS -  Movimento de Apoio à Construção dos Itinerários da Serra da estrela também enviou recentemente um pedido de reunião com carácter de urgência ao Presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro para tratar desta reivindicação.

Estas movimentações surgem num momento em que o Governo desenvolve um estudo sobre as infraestruturas prioritárias para o próximo quadro comunitário, e o Presidente da CCDR – C, ter-se-á comprometido em incluir a execução destes traçados, aquando da adesão de Seia à Comunidade das Beiras / serra da Estrela.