domingo, 9 de setembro de 2012

A dura realidade que nos espera, depois do verão

Está a acabar o tempo da chamada "silly season" e toda a sociedade vai entrando na chamada “dura realidade”. Na realidade do dia-a-dia, que, como se constata, é cada vez mais dura e cruelmente comprometedora para que isto continue sem uma revolução ou convulsões fortes nas ruas.
O país está cada vez mais perigoso e cada vez menos recomendável. O governo, como se vê, na sua ânsia ideológica, de tirar cada vez mais aos pobres para dar aos ricos, compromete-nos cada vez mais o futuro. E se no passado tivemos governos a desgovernar, agora começamos a ver um governo “assassino”, que faz todas as contas a quanto vai tirar aos trabalhadores, mas não quantifica quanto vai tirar aos ricos.
Mas isso, deixemos para os próximos dias, para a reacção das pessoas, porque isto não vai nem pode continuar sereno.
Por aqui, por Seia, como um pouco por todo o lado, a ordem é resistir. Lutar e contrariar o desânimo, a lamúria e a incompetência de uns e a verborreia de outros, que nos afundaram e agora ainda dão "palpites". A ideia é avançar com todas as forças, do ponto de vista individual e coletivo, para que o mínimo se mantenha. Para que os poucos resistentes fiquem e não partam também, desertificando ainda mais este território de forte potencial.
Mas a tarefa não é nada fácil. E de tudo o que se ouve falar, quase nada traz boas notícias. Nos próximos dias acordaremos para realidades complicadas. Desde logo, quando nos apercebermos que o Ministério da Saúde se prepara para entregar o Hospital de Seia à Misericórdia. Quando ainda há pouco tempo o governo entregou a esta IPSS o Hospital da Folgosa, dentro de pouco tempo, não duvidem, será tentado a entregar outro Hospital. O “nosso” hospital , de Nª. Srª. Da Assunção. Mas aí, meus amigos, aí não haverá contemplações e teremos de saltar todos à rua, de paus e bandeiras e com o que for preciso para impedir tamanha crueldade. Mas disto se falará nos próximos dias.
Como também se falará da reivindicação que terá de continuar a existir na luta pelos Itinerários Complementares, que teimosamente continuam adiados.
A realidade dos próximos dias vai também despertar-nos para essa crueldade a que chamam vulgarmente de “reavaliação das casas”, que fará com que muita gente prefira entregá-las a ter de pagar rendas chorudas de IMI.
Acordaremos para a realidade do encerramento de uma Empresa Municipal que era um instrumento de política cultural e desportiva da Câmara. Que atirará, irremediavelmente para o desemprego, perto de 100 pessoas. Pessoas que asseguravam a manutenção de piscinas, museus e outros espaços culturais da cidade, setores que obviamente não são rentáveis, como não são as escolas, os tribunais, os hospitais e outros.
Acordaremos para uma outra dura realidade, que é a controversa Lei da reforma administrativa,  inspirada nesse Relvas que quis ser doutor à força. Uma reforma, que em vez de reformar, mais não servirá do que virar populações contra populações. Que semeará o ódio e a divisão entre as pessoas, aniquilando o pouco que ainda vai resistindo.
E tanto mais que veremos afundar, nestes meses que se seguem, que o melhor é estarmos atentos e procurar resistir, na firmeza dos nossos ideais e no interesse comum. A bem ou a mal, que isto agora não está para brincadeiras e já lá não vai com conversa mole, nem com dirigentes “abelhudos”, armados aos cucos!
Vamos a isto!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Seia cria equipa multidisciplinar para responder às necessidades das populações afetadas pelo fogo



A Câmara de Seia anunciou, esta terça-feira, a constituição de uma equipa multidisciplinar, para analisar e responder às necessidades das pessoas e freguesias afetadas pelo incêndio de grandes proporções que atinge o concelho.

Segundo uma nota da autarquia presidida por Carlos Filipe Camelo, a equipa surge com o objetivo de proceder "ao levantamento dos prejuízos, como também de encontrar respostas e mecanismos que minimizem os impactos decorrentes deste flagelo, com especial incidência para aqueles que têm diretamente a ver com as pessoas e a sua condição de vida e bem-estar".

A equipa deverá congregar o Serviço Municipal de Proteção Civil, o Gabinete Técnico Florestal, os Serviços Sociais, bombeiros, Juntas de Freguesia e outros agentes locais de proteção civil.

A nota enviada à agência Lusa também refere que a autarquia vai solicitar uma audiência à ministra da Agricultura e Ambiente, que tutela o setor das florestas, alegando que "o Governo não pode continuar, ano após ano, a ignorar este problema e a circunscrever a sua ação" ao combate dos fogos florestais.

"É preciso um plano de ação e uma estratégia porque, a continuarmos assim, todos os investimentos que por aqui se façam, perdem a sua eficácia. É necessário agendar medidas urgentes de sustentação de solos, no pós incêndio, bem como estabelecer um plano a médio prazo de recuperação dos setores agrícola, florestal e turístico que vão sair enormemente debilitados desta catástrofe", refere o autarca de Seia no documento.

Nos próximos dias, após conclusão dos relatórios preliminares, será também agendada uma reunião da Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, "tendo em vista analisar todas estas problemáticas", adianta.

É o fogo, senhores!

 
É assim todos os anos. E este ano, que pensávamos que íamos escapar da tragédia dos fogos, já que agosto tinha passado, sem grande fumaça e eis que vem o vento e vira a sorte e má fortuna a nossa. Tempo quente e seco e um “boi de vento” a soprar, para tornar as labaredas fortes e fartas, e tragicamente devastadoras.
Dias difíceis por estes lados, para cumprir a triste sina que ocorre todos os anos por esta altura. Momentos de angústia, num corre-corre de bombeiros, que acodem de várias partes do país a correrem à ocorrência, quase sempre com várias frentes de combate, nesse triste teatro de operações a que chamam fogos de verão.
Foto: Carlos Amaro
É uma espécie de guerra temporária que se sabe ter um tempo limitado, mas onde, invariavelmente as horas são meses e os dias anos, por nunca mais acabar a força bélica, nesse combate desigual, que faz jorrar toneladas de água ou depósitos imensos de suor e angústias por entre a fúria das labaredas.
E de um qualquer lugar de onde contemplemos, somos sempre impotentes num flagelo que irrompe quase sempre onde já pouco de bom pode suceder. E sempre, mas sempre, ou quase sempre, são os mais desfavorecidos, os mais atingidos, nessa fugaz e forte e medonha labareda que leva a paciência e nos impele a querer amarrar o filho da mãe culpado a um poste e queimá-lo vivo.
É a dureza da realidade anual que cumpre a profecia e queima e leva para longe as réstias de esperança de um futuro melhor em terras já de si depauperadas. E tudo vai na voragem, ardendo na noite escura e nos dias quentes e secos. E são matos, lojas de gado, fábricas, galinhas, coelhos, pastos, casas, carros, pessoas e meios e latas e tudo.
É o fogo. É o fogo!
Agora vem tudo à cabeça, e raivas e discursos e estratégias e formas de combate, e relatórios e dinheiro e limpezas e caminhos e negligências e atos de heroísmo, e vãs promessas, que depois de tudo passar, há-de ficar tudo na mesma como está, à espera do próximo ano. Mesmo que se limpe, se faça e se previna, nunca é suficiente para evitar esta guerra. E para o ano, mais ou menos nesta altura, aqui estaremos a ver cumprir-se a profecia de fugir do fogo e de voltar a dizer as mesmíssimas coisas que aqui agora dissemos e que dizemos há mais de 30 anos.
Triste sina a nossa!

domingo, 2 de setembro de 2012

Seia nos pacotes de açucar


Ora aí está uma campanha de Seia nos pacotes de açúcar dos cafés DELTA. Uma oportunidade interessante e valiosa para difundir dois importantes espaços culturais de Seia e o seu festival de cinema, uma das marcas emblemáticas da cidade e do concelho.

Desta forma o Município aproveita a colaboração e disponibilidade da prestigiada marca de cafés portugueses para promover potencialidades do concelho. Neste caso, promove-se o Cine’Eco, um festival que está quase a começar e à boleia, dá a conhecer-se aos consumidores de cafés Delta outras imagens de marca de Seia. O CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, como espaço de Educação Ambiental e o Museu Natural da Electricidade.

São estratégias como estas e outras que ultimamente têm sucedido, que vão dando a conhecer o que de melhor Seia tem. Pela positiva, sem lamúrias, mesmo em tempos difíceis em que não há dinheiro para nada. Mas onde vai despontando imaginação, criatividade e uma discreta dinâmica a contrariar alguma descrença que se vai vendo pelo país fora, sobretudo na faixa Interior.
E assim, de pequenas coisas somadas, se vai fazendo pela vida, nesse novelo coletivo que a todos deve mobilizar.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais de 40 oradores, entre ativistas, políticos e investigadores na Conferência de Seia

 
Está marcado para os das 11 e 12 de Outubro, em Seia, o Glocal 2012, uma iniciativa onde mais de 40 oradores, entre ativistas, políticos e investigadores, se vão debruçar sobre a sustentabilidade e o empreendedorismo local. Tendo em conta a conjuntura de crise, a iniciativa, sob o lema “pensar global, agir local”, vai debater temas como as economias de baixo carbono, a alimentação sustentável ou projetos de inovação social, com o objetivo de projetar um futuro económica e ambientalmente sustentável. O Glocal 2012 – Conferência da Agenda 21 e Sustentabilidade Local está integrado na programação do Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental da Serra da Estrela.
 
Durante os dois dias do evento, serão ainda apresentados os resultados do Projeto Querença, no qual cinco jovens licenciados residiram em Querença, Loulé, durante nove meses, com o objetivo de resgatar “territórios em estado crítico, gravemente atingidos por processos de desertificação e abandono dos seus capitais, natural, produtivo e social, e cada vez mais próximos de limiares perigosos de irreversibilidade de desenvolvimento”, segundo explica a página do projeto.
Esta é já a quarta edição das conferências Agenda 21 Local, centradas numa estratégia que integra as populações na busca de soluções para a melhoria da qualidade de vida a nível regional.
 
 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Cine'Eco está a chegar




O 18ºCineEco-Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela vai realizar-se de 6 e 13 de Outubro, em três auditórios da Casa Municipal de Cultura de Seia e com a habitual Competição de filmes dedicados à ecologia e preservação da natureza.
As inscrições encerraram a 6 de agosto e foram inscritos 297 filmes provenientes de vários países que serão selecionados e divididos nas secções competitivas e paralelas. A programação vai ser anunciada em meados de setembro.
Embora a base da programação do Cine'Eco continue a assentar na vertente de filmes de ambiente, este ano vai incluir ainda os temas das culturas tradicionais, viagens e turismo, referências às quais estão intimamente ligadas a cidade de Seia e toda a região da Serra da Estrela.
A comissão de seleção é constituída por Mário Branquinho, (responsável da Casa Municipal da Cultura de Seia), o advogado e professor senense Carlos Teófilo e o jornalista, crítico de cinema e programador, José Vieira Mendes.
As obras cinematográficas inscritas no Cine'Eco 2012, vão ser selecionadas para as seguintes secções: Competição Internacional, que integra longas, médias e curtas metragens de ficção, animação e documentário; Competição Lusófona, curtas, médias e longas metragens de países da língua portuguesa.
Todas as obras cinematográficas inscritas no Cine'Eco foram produzidas em 2012/2011. Relativamente às secções paralelas destaque para: Panorama, que vai mostrar alguns dos melhores filmes do ano do cinema mundial; Panorama Infanto-Juvenil e Panorama Senior, seções compostas por filmes dedicados a escolas, famílias e aposentados; Sessões Especiais, que vão incluir antestreias, filmes-concerto e sessões ao ar livre. Haverá ainda uma Homenagem, a um realizador e diretor de fotografia do cinema português: ‘António Escudeiro, um Eco-Cineasta’.
A seleção de filmes terá em conta igualmente a realização do Ano do Brasil em Portugal, com uma forte presença de filmes brasileiros, tanto a concurso como integrados nas seções paralelas.
Local de descoberta e de reflexão sobre a preservação do meio ambiente, o Cine'Eco apresenta em complemento da programação de cinema, um conjunto de atividades paralelas, como é o caso este ano da GLOCAL 2012 - Conferência de Agenda 21 Sustentabilidade Local, uma iniciativa única que terá lugar em Seia nos dias 11 e 12 de Outubro. Além disso vão-se realizar masterclasses e workshops, sobre temas relacionados com o ambiente e o cinema.
O Cine'Eco tem como principal objetivo a divulgação de valores naturais e ecológicos, através do cinema e de atividades culturais, que abordam temas da atualidade como a biodiversidade, sustentabilidade, energias renováveis, requalificação urbana, alimentação biológica e compromissos ambientais de uma forma abrangente e pedagógica.

(Comunicado de imprensa)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Do que falamos, quando escrevemos no verão

No verão, por natureza, escreve-se, quem escreve, sobre assuntos chamados leves, para descontrair, para nos entretermos uns aos outros nos momentos de lazer, enquanto não acaba a época a que se convencionou chamar de “tempo de férias”. Os mais finos chamam-lhe “Silly season”!
Por isso e também por não valer a pena pensar muito sério sobre os maus presságios da vida que passam todos os dias nas televisões, que vemos cada vez menos, ou nos jornais que praticamente deixámos de comprar, vamos discorrendo na descontração dos dias e dos temas que espreitam à esquina de qualquer texto.
Isso não nos impede de pensar no muito que temos de fazer, mal passe este interregno estival. Naturalmente que, do ponto de vista pessoal, cada um sabe de si, das tarefas que tem de empreender, das atitudes a tomar e das múltiplas formas de dar a volta à adversidade. Mantendo o emprego quando é o caso, ou partindo para outra, quando já nem o emprego resta. E partir para outra, começa a ser cada vez mais sinónimo de partir para outro país, em busca da salvação. Mas pronto, é a vida, cada vez mais dura a trazer à memória os difíceis anos 60, para não falar de outras épocas em que o português se virou e foi à luta.
Fora a questão pessoal, há o lado coletivo, em que também somos obrigados a pensar, pelo menos aqueles que ainda vão ficando neste território cada vez menos exíguo, cada vez mais folgado de espaço e cada vez menos frequentado.
Neste sentido, importa pensarmos seriamente sobre o que aí vem e o muito que temos a reivindicar, para não termos de ficar ainda mais tesos e mais desolados nesta geringonça de vida a que atribuímos cada vez menos valor. Já se sabe, já se disse, já se escreveu, já se leu, já se ouviu e até já quase se abomina essa lenga-lenga de que temos de ser críticos, interventivos e assumidamente agentes de desenvolvimento na nossa comunidade, como em qualquer outra plataforma donde somos parte integrante. E isto, mesmo dito e sabido à exaustão, continua a ser tão importante como o pão para a boca, para que não se instale o marasmo e não reine a apatia e o “deixar-andar”, como parece que está a acontecer um pouco por todo o lado.
Sabe-se que não há dinheiro para nada, mas tem de haver inteligência e dinâmica suficiente para nos animarmos uns aos outros, pelo menos, e procurarmos ir pelo entusiasmo da corrente, de modo a fazer brotar mais do que aquilo que temos visto. Nos tempos mais difíceis e duros, sobra-nos muito mais espaço para sermos ainda mais criativos e repensar tudo o que andámos e andamos a fazer e para onde queremos ir. Podemos até pensar em entregar tudo ao poder central, ou àqueles supra-sumos e “chicos-espertos” desta ditosa pátria que têm sempre remédio para tudo quando estão de um lado, mas que depressa se abotoam e perdem a noção do que proclamaram, quando passam para o outro lado. Mas aí já se sabe qual o caminho e o destino.
Fora isso, há que exigir a quem tem poder e o dever de fazer. Seja a nível local, regional ou nacional, tem que haver pressão constante, sob pena de se adormecer ou se embalar num discurso ou numa ideia errada de que se está a fazer tudo o que é possível, quando há muito para ouvir e para fazer.
Sempre se ouviu dizer, não é de agora – político que se amedronta com as críticas não presta.  Saber ouvir é uma virtude e por isso importa falar e ouvir, democraticamente. E nesse sentido, alguém vai ter que as ouvir sobre o que estão a fazer ao nosso país e em particular ao nosso Interior, onde tudo definha cada vez mais depressa a um ritmo alucinante.
Mas disso vamos falando porque essa é a nossa luta!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Deambulando na cidade


Esta cidade com a serra ao fundo, ou esta montanha com a cidade no sopé. É assim Seia, uma cidade pequena, ou uma vila de tamanho maior, que em certos dias cresce um pouco mais e se agita, e noutros fica quase sem ninguém na rua. Sinais dos tempos.
Hoje, porém, quarta-feira, a primeira de agosto, em dia de feira semanal, registou-se grande movimento matinal na sua principal artéria, a avenida 1º de Maio. De manhã, pelo menos, notava-se mais a presença maciça de emigrantes, que são cada vez em maior número. Pessoas de Seia, mas certamente das várias aldeias do concelho que se vão despovoando ao longo dos anos. Emigrantes que encheram hoje e enchem por estes dias as lojas de comércio da pequena cidade, onde os cafés abarrotam e onde não há mãos a medir.
Pensei que muitas das tais quatro mil e tal pessoas do concelho que se foram embora entre 2000 e 2010 e das mil ou duas mil que partiram nos últimos dois anos, muitas estão agora por aqui também, de carro novo, calção e sandália, poder de compra e sotaque.
Num dos sítios da avenida onde parei, ouvi uma senhora dizer assim ao homem, que devia ser marido - Ai João, já não conheço ninguém. E o marido, supostamente marido, a responder-lhe assim, meio à bruta – eu não, já tou farto de distribuir bacalhau. Estou farto de ver gente conhecida.
Mais adiante, no meio do carreiro de gente à pinha, a caminhar do lado da sombra da avenida, ainda ouço uma senhora dizer que em França é que é. Que lá as coisas são diferentes. A gente trabalha, mas vê o dinheiro ao fim do mês. Pois é - responde a outra - a brincar a brincar, só em pequenas coisas, esta manhã já gastei 400 euros. Também chegámos ontem e não tínhamos nada lá em casa. E continuam a falar e eu continuo a caminhar até deixar de as ouvir.
E passo junto à feira e levo com o perfume das bifanas e grelhados que se vão fazendo lá em baixo junto às barracas, onde também não faltam tintos, brancos e traçados e amendoins e tremoços e coiratos e petiscos e outras coisas assim. E houve-se o cigano a oferecer duas camisolas pelo preço de uma, ou mais adiante um cliente a regatear o preço de umas alpercatas e por aí fora, nesta feira de farrapos que se faz há décadas, e que por estas alturas triplica de clientes. No ar há música pimba e cheio a suor, quando a sirene dos bombeiros já dá meio dia. E Seia, no sopé da serra, tem por estes dias nova vida. Novas vidas, por uns dias até voltar a normalidade.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Curiosidades d'aqui do Blogue!


A média diária de visitas ao blogue Seiaportugal nos últimos tempos tem sido de pouco mais de 200. Entretanto este domingo teve um efeito extraordinário, registando 1.114 visitas e na segunda-feira aproximou-se das 700 visitas.
Este fenómeno fez-me ver as estatísticas e verifiquei que mesmo sem grande atividade, no último mês, o blogue registou 6.760 visualizações de páginas, num histórico total de 260 mil visualizações de páginas em 4 anos.
Neste conjunto, há mais de 101 mil visitas de Portugal, 9 mil e tal do Brasil, 6.735 dos Estados Unidos, 1.613 de França, 1.450 de Alemanha e por aí fora, incluindo 316 visualizações a partir do Japão.
Curiosidades de um blogue que ultimamente tem tido pouca atividade. Perante isto, prometo dar mais vida ao blogue e escrever mais, sobre Seia, sobre a serra da Estrela e sobre Portugal.
Nada mais do que isso, porque afinal há um ponto de encontro, um ponto que nos une e onde vamos conversando, dando notícias, dando ideias, partilhando reflexões, pontos de vista e etc e tal.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Promoção da região na televisão

Por estes dias a serra da Estrela esteve em grande destaque nas televisões portuguesas.  Primeiro foi na sexta – feira, com a transmissão na RTP em direto do Vale do Rossim, depois no domingo em direto de Loriga, ambas no âmbito das 7 maravilhas das praias de Portugal e  também no domingo, foi a vez da TVI transmitir durante toda a tarde até às 20 horas em direto de Oliveira do Hospital.
No Vale do Rossim, juntaram-se 3 Câmaras Municipais – Gouveia, Seia e Manteigas e promoveu-se esta região no contexto da serra da Estrela, numa demonstração de solidariedade entre municípios, dando a conhecer ao mundo, as enormes potencialidades, quer daquela praia de barragem, enquanto candidata a uma das 7 maravilhas; quer outras potencialidades ligadas também ao turismo. Embora a barragem se situe no concelho de Gouveia, as suas envolventes estendem-se ao concelho de Seia (freguesia do Sabugueiro) e ao concelho de Manteigas.
De tudo o que se viu, sobressaiu a ideia de que o Vale do Rossim está diferente. Mais atrativo. Com infraestruturas de qualidade, a começar pelo café e restaurante, assim como o parque de campismo, que incluiu um eco-resorte de luxo. Ali a dois passos de uma unidade hoteleira também ela de luxo, a Casa das Penhas Douradas AQUI
Para além disso, o Vale do Rossim tem equipamentos de recreio e de aventura. Mas tem sobretudo beleza e águas cristalinas, com uma envolvente verdejante de rara beleza. Uma praia que a partir de agora vai certamente atrair muita gente da região. Penso mesmo que o Vale do Rossim, que há 30 anos tinha milhares de pessoas no verão, vai voltar a ter esse efeito de atração. Por um lado porque está melhor equipada e por outro, porque há muita gente que já não tem dinheiro para ir para o Algarve e aproveita esta praia ao pé de casa!
Mas a televisão deu também destaque a Loriga, através do programa de Domingo. Foi uma grande jornada de promoção das potencialidades da vila de Loriga, de Seia e da serra da Estrela em geral. Já se sabia, mas demonstrou-se mais uma vez o potencial turístico daquela encosta, onde há cada vez mais dinamismo e redobrado empenhamento dos agentes locais, porque afinal, nem tudo é mau.
Ao longo do programa foi visível o dinamismo de Loriga e o sentimento de identidade comunitária, numa vila situada nos contrafortes da serra da estrela, com recantos de rara beleza. Uma imensa beleza, retratada nas encostas, nas águas cristalinas, nos socalcos e no  labor do homem enquanto elemento essencial e principal deste espaço.
Foi bonito de ver, num programa onde as pessoas falaram da terra, das atividades, de projetos, do presente, do passado e do futuro. Foi bonita a imagem que passaram, todos os intervenientes no programa. Foi uma jornada de grande divulgação, que não caiu na monotonia nem no exclusivo do lugar comum, abrindo-se a outras  dinâmicas do concelho que acabem por se cruzar com as de Loriga, enquanto aldeia de montanha e elo de uma cadeira de um projeto de desenvolvimento turístico, que não se faz num dia. Que se vai fazendo, fazendo caminho.
Acabou por ser um dia em cheio na promoção da serra da Estrela, onde Loriga ocupa um lugar de excelência, numa jornada que muito contribuiu para repor alguma justiça que finalmente começa a fazer-se em relação à proeminência de Loriga no quadro turístico da serra da Estrela. Uma proeminência que Loriga não tem tido no passado, mas que importa ter. Que se impõe que tenha!
E até Setembro, vamos continuar a ouvir falar de Loriga. Todavia, importa começar a pensar no dia seguinte. Importa aproveitar a dinâmica criada com este concurso das melhores praias para continuar a dar a Loriga o lugar que merece nesse tal quadro turístico da região. Um desafio para as entidades oficiais, mas também e sobretudo para os cidadãos em geral. O exemplo dado neste caso pelo cidadão Carlos Amaro é bem elucidativo daquilo que cada um pode fazer. Um contributo dado de forma simples, descontraída, humilde e dedicada. Longe, tão longe de algumas lógicas por vezes viciadas de agremiações onde espreita a miúde, tiques de protagonismo nada benéfico a estas coisas.
Por último, uma referência à transmissão em direto de Oliveira do Hospital, feita pela TVI e que ao mostrar as potencialidades deste concelho, deu também a conhecer aspetos importantes da serra da Estrela. Parabéns a Oliveira, ao seu Presidente da Câmara pelo muito que tem feito neste concelho vizinho, que embora pertencendo ao Distrito de Coimbra, está cada vez mais perto da serra e junto a Seia. Um concelho que tem dado provas de muito dinamismo, o que é positivo para tudo o que está à volta, porque contagia e estimula. Parabéns!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

GLOCAL 2012 – Conferência de Agenda 21 e Sustentabilidade Local no Cine’Eco

A GLOCAL 2012 – Pensar Global, Agir Local - IV Conferência Internacional de Agenda 21 e Sustentabilidade Local terá lugar em Seia nos dias 11 e 12 de Outubro de 2012 integrada na programação do Cine’Eco.
Em contexto de crise, de reforma do poder local, num mundo de redes sociais e crescente exigência dos cidadãos, que novos modelos são necessários para promover a sustentabilidade local? Economia verde e baixo carbono, inovação social, empreendedorismo local, simplicidade voluntária, boa governança, capital natural, gastronomia sustentável, resgate territorial e muito mais. 
Políticos, técnicos, ativistas e investigadores reúnem-se para conhecer o estado da arte, partilhar as boas ideias com resultados visíveis, debater os novos paradigmas e construir redes.
GLOCAL 2012 - este ano em Seia em paralelo com o Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela.
A organização é do Município de Seia, Município de Cascais, Universidade Católica do Porto e Mais Momentos.
Mais informações em: http://www.agenda21local.info/

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Improváveis deambulações

Uma espécie de criativa

Hoje esteve um dia de sol, daqueles em que debaixo do manto diáfano de ténues nuvens intrometidas, se escondia um breve conceito de brisa morna, a modos de adornar a pressa e as preces, numa espécie de calmaria, sem azo a grandes desventuras ou desaforos.
Ou dito de outro modo – esteve um dia passado em brasas, sem direito a céu azul, mas com acesso a descontos emocionais, por via de um sol escondido amiúde debaixo das ténues nuvens a rolar sem pedir licença e sem vontade de falarmos.
Ou dito ainda de outro modo – hoje fez um tempo tonto, de modo a deixar zonzos e a deixar passar por baixo de nuvens intrometidas e de uma brisa morna que escalda a pressa e foi entornando o apetite para encarar certas veleidades.
Ou seja, o tempo esteve para o tempo, como o tempo esteve para nós, sem percebermos bem se afinal é o tempo que nos molda ou se a nossa moldura não assenta nessa réstia a que chamam tempo. Mas mesmo assim, na breve dúvida que assiste, neste emaranhado de sensibilidades atmosféricas, há contemplação que vai além das mornas brisas deambulantes nestas encostas despidas de afetos, a dar espaço e tempo, para ver o que acontece.
Podemos esperar sentados, com nuvens ou sem nuvens, com brisa de serra, no veraneio do tempo, ou rolando no colorido amarelado dos campos secos, encosta acima ou perdendo o norte.
Podemos até subir às árvores, tirar a temperatura ao vento, gritar ao mundo e voltar a descer, na frágil ilusão dos dias quentes de nuvens mornas, brisas doces e olhares langues.
Podemos acreditar nas previsões e enrolar na brisa que passa a nossa teimosa esperança, de que tudo comece a partir do zero do contentamento, a partir das nuvens e a partir do tempo que faz ou fez. Até podemos querer e crer que surja no meio ou no fim, a doce consolação de termos sido suficientemente lúcidos a tentar decifrar o emaranhado górdio desta improvável declaração de impasse. Até pode ser. Só não sei se adianta alguma coisa estar com este tipo de conversa numa altura destas!

“CINE’ECO TODO O ANO” leva documentários a freguesias de Seia



 
No âmbito do programa “Cine’Eco todo o ano”, a organização do Festival tem previsto para as próximas semanas, a exibição de vários documentários em diversas localidades do concelho de Seia, a pedido de coletividades e Juntas de Freguesia.

No dia 29 de Julho, o documentário “Na diáspora, os lusos na Argentina”, de Fernando Moura, que passou no Cine’Eco 2008, será exibido em Paranhos da Beira. Neste filme, o realizador, - que é filho de um emigrante português, que em 1962 saiu precisamente desta vila do concelho de Seia para a Argentina - mostra como é que os portugueses vivem na Argentina.
 
Os emigrantes portugueses na comunidade de Escobar, 48,4% são naturais do Distrito da Guarda, 37% dos quais nascidos no Concelho de Seia e a grande maioria de Paranhos da Beira. O primeiro emigrante de Paranhos da Beira, chegou a Escobar em 1929!
 
O realizador Fernando Moura é doutorado em Ciências da Linguagem e da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e licenciado em Ciências da Comunicação Social pela Universidade Nacional de Buenos Aires. A sua tese, com o título "Construção da identidade de uma comunidade imigrante portuguesa na Argentina (Escobar) e a comunicação social", incluiu a realização deste documentário, que concorreu ao Cine’Eco 2008, em Seia.
 
Para além deste documentário, o programa do “Cine’Eco todo o ano” deste Verão, conta ainda com o filme “Muito Além” de Mário Gomes, que recebeu o Prémio “Camacho Costa” no Cine’Eco 2011. A exibição será dia 3 de Agosto à noite, no Sabugueiro, ao ar livre.

Dia 4 de Agosto, o cinema ao ar livre será em São Romão, com a exibição do documentário “Lanificios.Doc” do realizador de Seia Luís Silva, que retrata o declínio da atividade têxtil na região da Serra da Estrela.

No dia 24 de Agosto, igualmente em São Romão e ao ar livre, será exibido o documentário “Sinfonia Imaterial” de Tiago Pereira, que constou da programação do Cine’Eco 2011 e que é um repositório de dizeres e cantares populares, numa recolha estritamente etnográfica.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Movimento MAIS "volta à estrada"

O MAIS - Movimento de Apoio à Construção dos Itinerários Complementares da Serra da Estrela voltou a pedir esta semana uma audiência ao Secretário de Estado das Obras Públicas.

A decisão surge depois de há uns meses atrás os Presidentes das Câmaras de Seia, Gouveia e Oliveira do Hospital terem reunido com este responsável governamental, onde terá sido dada garantia de que aprioridade seria dada ao avanço do IC6, cujas obras se encontram paradas junto a Tábua. Este troço, que segue a antiga Estrada da Beira, serve os concelhos de Oliveira do Hospital, Seia e Gouveia.

Feito este compasso de espera e depois de ter sido feitaa reprogramação das verbas do QREN, o Movimento MAIS entende que “está na altura de voltar à estrada” e reivindicar, pelo menos o avanço deste Itinerário Complementar.

Recorde-se que o MAIS, é um movimento de cidadania, que se constituiu com personalidade jurídica e é impulsionado por um conjunto de personalidades de vários concelhos da região da serra da Estrela, entre eles Seia, Oliveira do Hospital, Gouveia, Nelas, Viseu, Covilhã e Carregal do Sal. Fez uma petição online com mais de 3 mil assinaturas no tempo do governo PS, a que se seguiu um abaixo-assinado com mais de 4 mil assinaturas. Possui um blogue, uma página no facebook com 5 mil aderentes e tem dialogado com responsáveis dos vários quadrantes políticos e realizado várias iniciativas como apoio das comunidades locais.

Noticia da agência LUSA, aqui:
 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Notícias de Seia

Vale o que vale, mas nos últimos dias Seia tem sido muito citada na imprensa, sobretudo na desportiva. Para quem tem alertas no Google da palavra SEIA, ultimamente tem sido “bombardeado” com notícias de Seia. Tudo isso devido ao estágio das equipas de Futebol de Paços de Ferreira e de Setubal, que embora sejam equipas de segundo plano, não deixam de ser da primeira divisão do campeonato nacional de futebol.
O mundo desportivo, por estes dias, fica a saber pormenores destas duas equipas a partir de Seia. Noticias como esta que acabo de receber do Jornal A BOLA:
“Devido a assuntos pessoais e devidamente autorizado pela SAD, José Pedro só hoje se juntou aos companheiros em Seia, onde se iniciou ontem o estágio de pré-temporada, que termina no próximo sábado.”
Obviamente que esta é a parte divertida da questão, mas no fundo, e falando a sério, é importante para Seia ter equipas a estagiar, por um lado porque tem equipamentos desportivos e hoteleiros e por outro, consegue, sem custos, fazer mais algum marketing territorial. Que é o que nos vai valendo, - promoção gratuita!
Seia precisa disto e de muito mais, pelo menos, nos próximos tempos. Fazer valer a sua afirmação no plano cultural e turístico de modo a que não tenha custos para o erário público, já que estamos em tempo de grande contenção.
O fenómeno da praia fluvial de Loriga e do Vale do Rossim, candidatas às 7 maravilhas das praias de Portugal é outro exemplo do marketing barato mas de grande expressão que está a ser feito.

domingo, 15 de julho de 2012

Plataforma das Artes e Criatividade em Guimarães


Abriu há poucos dias, (24 de Junho) e é para já considerada a obra mais emblemática da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 AQUI

O complexo integra o antigo Mercado Municipal e um novo edifício com 11 mil metros quadrados que alberga o Centro Internacional das Artes José de Guimarães


Imagem de obras expostas de José de Guimarães

A Plataforma das Artes tem também Ateliers Emergentes de apoio à criatividade com espaços de trabalho para jovens criadores e ainda Laboratórios Criativos destinados ao acolhimento e instalação de atividades relacionadas com indústrias criativas.
São espaços como este que qualificam as cidades e Guimarães está de parabéns, pela aposta na cultura como fator de desenvolvimento.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cine’Eco de Seia numa plataforma Internacional de festivais de Cinema de ambiente

O Cine’Eco de Seia, é um dos 10 Festivais em todo o mundo que compõem a plataforma digital de festivais Internacionais de Cinema de Ambiente, designada Greenfilm Network.

A Rede de Cinema Verde (GFN), para além do Cine’Eco, de Portugal, reúne o Cinemambiente de Turim (Itália); o Cinemaplaneta, de Cuernavaca (México), o Ecocup, de Moscovo (Rússia); FFEM, de Montreal (Quebec); FICA de Goiás (Brasil); FIFE, de Paris (França); Filmambiente, de Rio de Janeiro (Brasil); GFFIS, de Seul (Coreia) e Planet in Focus, de Toronto (Canadá).

O objetivo da rede é coordenar os eventos dos festivais associados, promover e distribuir filmes na cena internacional e incentivar iniciativas e projetos para fazer as pessoas parar e pensar sobre as condições do meio ambiente.

Por isso, a criação de uma ampla rede de festivais de ambiente abre uma grande oportunidade para compartilhar experiências cinematográficas que são muitas vezes muito variadas. Cada festival tem a sua própria personalidade, mas todos os festivais podem trabalhar em conjunto, permitindo a difusão de uma “cultura ambiental” através do cinema.

 O que se espera é que esta rede se torne cada vez mais um ponto fulcral para as instituições internacionais, diretores de cinema e produtores e que neste caso permite valorizar o Cine’Eco e afirmar Seia no contexto internacional.

O Cine’Eco 2012, organizado pelo município local, realiza-se em Seia de 6 a 13 de Outubro, estando a decorrer até 6 de Agosto as inscrições do concurso.




Jovem compositor de Seia Jaime Reis na Direção musical de performance em Serralves


O jovem compositor de Seia Jaime Reis assegurará a direção musical do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, na performance "Almada, um Nome de Guerra" e "Nós Não Estamos Algures", que terá lugar esta sexta feira, dia 6 de Julho, na Casa de Serralves, no Porto.

A performance, que decorre das 22 às 24 horas em sessão única, insere-se no programa de inauguração da exposição de Ernesto de Sousa, que estará patente até dia 26 de Agosto de 2012.

A exposição comissariada por João Fernandes e Ricardo Nicolau aborda o processo de conceção dos projetos, incluindo diverso material da época e ilustrativo da vida e obra de Ernesto de Sousa.

Durante as décadas de 60 e 70, Ernesto de Sousa desenvolveu os projetos "Almada, um Nome de Guerra" e "Nós Não Estamos Algures", inspirados na sua admiração por Almada Negreiros.

A performance terá uma única sessão, no dia 6 de julho, com direção artística de João Sousa Cardoso, com participação musical do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e direção musical do jovem maestro senense Jaime Reis.

Jaime Reis, que foi homenageado pelos artistas de Seia, na ARTIS 2011, é licenciado em Composição na Universidade de Aveiro, onde recebeu três bolsas de mérito. É aluno do doutoramento em Ciências Musicais na FSCH-UNL, frequentou seminários com Emmanuel Nunes e Stockhausen; investiga no INET-md. É diretor artístico do festival Dias de Música Electroacústica, professor e diretor pedagógico do Conservatório de Música de Seia.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Discurso do Presidente da Câmara no Feriado Municipal


Discurso do Presidente da Câmara Municipal de Seia, Carlos Filipe Camelo na cerimónia do Mérito Escolar realizada no âmbito do Feriado Municipal, dia 3 de Julho, no Auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia:



!Quero, em meu nome e do Município de Seia, a todos cumprimentar e saudar por igual e, ao mesmo tempo, agradecer a vossa presença nesta cerimónia de Atribuição dos Prémios de Mérito Escolar e das Campânulas de Mérito

Este é sempre um momento especial para a Câmara Municipal porque, para além do simbolismo associado às comemorações do aniversário da elevação de Seia a cidade, decretada pela Assembleia da Republica em 1986, é, também, uma oportunidade para evidenciar o que de melhor temos, com especial destaque para o nosso capital humano: o maior ativo da nossa comunidade.

Não há, por isso, melhor forma de assinalar o Feriado Municipal do que premiar o mérito e a dedicação, de pessoas e instituições que se notabilizam pelos seus méritos pessoais ou feitos cívicos, contribuindo diariamente para o desenvolvimento e afirmação da nossa terra.

Gente que aqui vive e trabalha, que resiste, acredita e não desiste perante a adversidade, cuja ação extravasa, muitas vezes, a sua esfera de atuação e que tem sido decisiva para ultrapassar os problemas, vencer as dificuldades e encarar o futuro com maior confiança.

No dia de hoje, Seia celebra o presente que somos, comemora o passado que fomos e ilumina o futuro que queremos ser.

A evolução que encontramos em cada recanto desta cidade e deste concelho, mostra bem a vontade indomável dos habitantes desta região e deste concelho em particular.

O que torna Seia uma cidade tão singular é, precisamente, este cruzamento entre uma memória de vários séculos e uma modernidade que é motivo de orgulho para todos os senenses.

Esta ponte de gerações estabelecida entre os protagonistas dos prémios de mérito escolar e das Campânulas de Mérito, é demonstrativa da qualidade das pessoas que nós temos e que ajudam este concelho a catapultar-se para o futuro.

Voltamos a reconhecer e valorizar a excelência no desempenho escolar, através da atribuição dos prémios de mérito, evidenciando a dedicação e o esforço dos melhores alunos, em cada nível de ensino promovendo desta forma o desenvolvimento da cultura do mérito e valorizando o esforço e o desempenho individual, criando estímulos e referências.

A todos eles apresento, desde já, as minhas felicitações e votos de que continuem a ter um desempenho excelente nos próximos anos.

É nossa profunda convicção que, reconhecendo e premiando o mérito, estaremos a dar um forte contributo para que, desde os primeiros passos na Escola, os nossos jovens sintam que vale a pena aprender.

Vamos continuar a incentivar o desempenho escolar em todos os seus níveis, fomentando uma cultura de valorização da excelência, enquanto instrumento preponderante para o desenvolvimento económico, cultural e social dos jovens e, consequentemente, da sociedade em geral.

A Escola é crucial para a construção de uma sociedade melhor, onde o reconhecimento da singularidade dos indivíduos é uma das dimensões que contribuiu para a sua afirmação enquanto membros activos de uma comunidade, em cujo destino terão que aprender a participar.

É, efetivamente, na Escola que tudo começa!

Esta é, também, uma ocasião onde anualmente se presta homenagem às nossas escolas, de grande capacidade, qualidade e dinamismo, porque elas são decisivas e fundamentais para prepararem as novas gerações a vencerem os desafios que a sociedade lhes coloca.

Quero relevar o trabalho desenvolvido, diariamente, pela comunidade educativa, com especial destaque para os professores, de reconhecida qualidade, capacidade e competência.

Uma palavra de apreço, igualmente, para a dedicação do pessoal não docente, e, especialmente para os pais, que resistem às dificuldades com grande esforço, num momento particularmente difícil da nossa vida colectiva.

Este mérito é também deles e de todos os outros alunos que se esforçaram, investiram e trabalharam, mas que ficaram aquém dos resultados obtidos pelos primeiros.

Os tempos conturbados que vivemos exigem de todos nós redobrada atenção.

A crise que se instalou fez eclodir novos problemas e acentuou outros, que se revelam, em primeira instância, no espaço escolar.

Temos de continuar atentos e não ignorar esses sinais que nos chegam.

Começam-se a conhecer imensas desigualdades. E uma sociedade segmentada é facilmente vencida pelo medo e pelos extremismos.

Promovamos um armistício connosco, com o concelho e com o país. Mas, atenção! Que não se cometa, uma vez mais, o erro de se pensar que a tormenta é breve e que logo virá a tranquilidade. Não virá. Tudo, de forma muito rápida e contínua, como muitas vezes o temos repetido, está a mudar à nossa volta. E, todos nós, também...

Afinal, a História ainda não tinha acabado. E, infelizmente, como várias vezes vamos ouvindo, também ela se repete, nas coisas boas e naquelas que são menos boas. Precisamos de pensamentos novos que promovam o alargamento do horizonte do futuro.

A ideia do seguimento inevitável de um caminho único é o contrário da liberdade. E, num contexto de dias muitos difíceis que sucessivamente vamos vivendo e tentando ultrapassar, o fantasma da troika é a justificação para todas as medidas, consubstanciadas em privações, que sobre nós vão caindo.

No entanto, podemos dispensar tudo, mas não o podemos fazer relativamente à Liberdade nem ao Futuro (Sampaio da Nóvoa).

O futuro, Minhas Senhoras e Meus Senhores, está numa maior coesão social conseguida na base do conhecimento.

É preciso reforçar a aposta na promoção da igualdade de oportunidades, no combate ao abandono escolar e ao baixo aproveitamento, através de ações e mecanismos de apoio e incentivo.

Seia tem, por tudo isto, de se organizar dentro de si, não para se fechar, mas para se abrir, para alcançar uma presença forte fora de si.

Nenhum de nós conseguirá ser alguém fora deste (nosso) território, se não for alguém dentro de si mesmo.

Não é por sermos um concelho do interior deste querido Portugal que deverá ser menor a nossa ambição.

Portugal só pode cumprir-se quando assumir a sua interioridade (Carvalho Homem).

A dimensão não significa nada; o que amplia, e muito, é o conhecimento e a ciência.

O nosso futuro está irremediavelmente amarrado à conexão a conseguir entre os diferentes stakeholders, sempre na base do conhecimento.

É por aqui que passa o nosso futuro, um outro futuro para a nossa terra, o nosso concelho e o nosso país.

É, por isso, que teremos de dar continuidade à criação de todas as condições e a canalizar recursos para que os nossos alunos atinjam um patamar de sucesso.

A sociedade afirma as maiores expetativas e coloca as maiores exigências sobre a Escola.

Dir-se-ia que esta é uma oportunidade única para ela assumir o papel que a sociedade dela reclama.

Senhora Presidente da Assembleia Municipal em exercício

Minhas Caras amigas e meus Caros Amigos

Relativamente ao Mérito Municipal.

Não resisto em, mais uma vez, saudar muito vivamente os cidadãos do concelho de Seia. São eles que merecem, acima de tudo, ser homenageados.

Os cidadãos que homenageamos este ano têm vindo a contribuir, muitas vezes de forma discreta, para o bem comum, sem esperar nada em troca, que não seja o bem-estar da comunidade.

Frisar, igualmente, o reconhecimento do esforço e contributo das empresas na criação de riqueza e emprego no concelho e na região, num contexto difícil e exigente da economia nacional, conseguindo ultrapassar a crise com crescimento e consolidação de resultados. Algumas delas com uma forte vocação exportadora e empregando dezenas e centenas de trabalhadores.

À semelhança de todos os outros homenageados no passado, o seu valor e exemplo devem constituir referências para a comunidade, pelo contributo que deram, dão e darão para o desenvolvimento do nosso Concelho.

Temos, pelo seu trabalho, uma grande admiração.

Todos juntos e em complementaridade, não tenho dúvidas de que seremos mais fortes e estaremos mais bem preparados para enfrentar os desafios que temos pela frente, tal como há 26 anos, Seia espera ver reconhecido o seu valor para que possa ombrear com as principais cidades da região e do país.

Este momento deve servir de indicador não apenas para os homenageados, mas para toda a comunidade, no sentido de procurarmos dentro de nós próprios a força e energia necessárias para encarar os desafios que se nos colocam, no presente e no futuro e, de diferentes maneiras, a todos incutir esperança, motivação e alento.

É preciso resistir à adversidade, fazer das nossas fraquezas forças e renová-las diariamente.

Por isso, Senhora Presidente da Assembleia Municipal em exercício

Minhas Caras amigas e meus Caros Amigos

Reconhecer e valorizar as pessoas que, com as suas ideias, acções, o seu trabalho, vontade e dedicação, contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento e projecção do Concelho de Seia, marcando o tempo histórico desta nossa realidade geográfico-administrativa chamada concelho de Seia, é uma obrigação do Município e deve estar acima, muito acima, do ego e do umbigo de cada um de nós.

Uma palavra final de apreço para o movimento associativo, pela importância económica, social, cultural e até ideológica, composto por dezenas de associações, dirigentes e milhares de associados que, em muitos casos se substitui ao próprio Estado, enquanto agentes ativos de desenvolvimento.

Seia tem um presente algo difícil, mas os caminhos do futuro estão abertos e podemos com força e determinação segui-los na busca de um desenvolvimento compatível com o seu estatuto.

Precisamos todos de um maior espírito coletivo, de sentido de unidade, de brio e de capacidade de empreender.

A política senense deve ter nos seus protagonistas mais convergência, mais responsabilidade, mais vontade afetiva de prestigiar as instituições e menos conflito ocasional de circunstância e de resultados inúteis.

Outra elevação, outra qualidade, mais competência, é o que Seia espera de todos nós.

Sejamos assim, cada vez mais, assumidos responsáveis pelo futuro desta terra de todos nós

É certo que os constrangimentos financeiros e a indefinição de políticas públicas centrais, podem comprometer o futuro do desenvolvimento de Seia.

Contudo, temos condições seguras de progresso.

Desde logo, o espírito de missão e de entrega à causa da nossa terra.

Na verdade, as palavras que aqui hoje proferimos, não mudam a realidade. Ajudam-nos, todavia, a discorrer, a dialogar e a dela tomar consciência.

E a consciência, essa sim, pode mudar a realidade.

Um bem-haja a todos aqueles que tornaram possível esta realidade e nos permitem hoje com orgulho dizer, SOU DA CIDADE DE SEIA,

SOU DO CONCELHO DE SEIA.
Muito Obrigado a todos."

quinta-feira, 28 de junho de 2012