domingo, 21 de setembro de 2008

Pensar Seia - Ideias e reflexões à volta do Turismo

Resposta a Pedro Fraga
Antes de mais quero agradecer ao Engº. Pedro Fraga o contributo dado para o debate e sobretudo a forma lúcida com que se debruça sobre as questões do desenvolvimento do concelho de Seia e em particular da cidade, conforme se pode ler nos dois pot's seguintes a este. Neles se revela uma visão estratégica de alguém que é de cá mas que está fora, assinalando, fora de vícios ou dependências, o que entende estar mal, e apontando caminhos a seguir. De alguém com provas dadas pelo projecto empresarial de sucesso desenvolvido, que o coloca, em minha opinião, na galeria dos melhores agentes empreendedores que o país tem .
Quanto às ideias para Seia, obviamente partilho do pressuposto de que a prioridade máxima e primeira deverá ser o turismo e daí as minhas intervenções e participações ao longo dos ultimos anos se terem centralizado neste sector. Foi de resto um vicío que me ficou do Curso de Agente de Desenvolvimento que no início da década de 90 me permitiu conhecer muitas realidades em vários países da Europa em matéria de Desenvolvimento Rural. Naturalmente que só partindo dessa ideia chave - Turismo, sector prioritário - mobilizando tudo e todos, com planeamento, estratégia concertada, determinação e meios, se pode alcançar os objectivos a que nos propusermos. E aí cabem as ideias, todas as ideias suficientemente fortes para implementar e dar resultados visíveis. E no Brainstorming ter-se-à então em conta as múltiplas variáveis: melhores acessos; imagem de marca; pacotes de animação – Museus, CISE, eventos culturais (festivais, jornadas, feiras, encontros, animação de rua); criação de residências artísticas, criação de trilhos, aproveitamento da gastronomia, valorização das tradições, campanhas promocionais, etc, etc.
E para essa chuva de ideias contribuo também com as seguintes, de forma telegráfica:-
- Criação de uma grande praça central na cidade, que poderia passar pela compra do edifício dos Correios para ser demolido, criando-se ali a verdadeira "sala de visitas" que Seia necessita. Com esplanadas e animação, onde se pudesse ao fim da tarde ou aos fins de semana ir tomar uma bebida, ler um jornal, enfim um lugar onde os senenses se encontrassem e os turistas também deambulassem. O edifício do Mercado poderia servir como centro cultural e de exposições e nos baixos para estacionamento.
- Há em Seia o Conservatório de Música que é uma estrutura de excelência no ensino da música e cujas instalações começam a ser pequenas. Poderiam os seus promotores, em articulação com a autarquia, partir para a criação de uma grande Academia, à semelhança do que já acontece em Espinho. Esta é uma ideia que me foi avançada pelo meu amigo António Maximino e que julgo pertinente. E de repente, lembro-me da Escola EB 2,3 da Arrifana, que quase já não se justifica e que poderia albergar esta Academia, sem ter de se estar a gastar mais dinheiro.
- Uma situação que considero gritante e que quase toda a gente fala é o eixo Paranhos / Seia / Sabugueiro / Lagoa / Torre. Aquilo que poderia ter sido ao longo dos anos a jóia da coroa do turismo, é o mais dos miseráveis exemplos do desleixo e da falta de visão estratégica num concelho de apetência turística tão forte.
- Depois há a valorização do património construído, onde se inclui o religioso, etc.
E para tudo isto, como se sabe, não é preciso inventar muito. Há exemplos por todo o lado, Ponte de Lima (onde vou com frequência), Óbidos e por aí fora.
No ano passado, no âmbito do Cine'Eco organizei uma conferência sobre desenvolvimento sustentável na região centro, onde participaram entre outros o Dr. Daniel Bessa e o Dr. Paulo Fernandes. Este último falou de um caso prático de como estas questão foram e estão a ser conduzidas com pés e cabeça – as aldeias de xisto. E sobre isso, porque o texto já vai longo, recomendo apenas uma visita ao site: http://www.aldeiasdoxisto.pt/ . Uma das ideias que ficou já na altura, foi a necessidade de se trabalhar a sério a marca Serra da Estrela, onde haja desde logo uma espécie de "dono da marca" que marque o ritmo, congregue todas as estratégias e sinergias, de autarquias, privados, etc.
Como se vê o assunto tem pano para mangas e nós vamos continuar a falar e à espera de outros contributos, porque é importante PENSAR SEIA.

Pensar Seia - Contributo de Pedro Fraga (1)

O Blogue feito pelos leitores
Do Engº Pedro Fraga, um ilustre empreendedor senense em Braga, recebi um texto, na "mera perspectiva de troca de ideias e reflexão" e que aqui dou a conhecer aos leitores do blogue, dividido em duas partes:
Opinião de Pedro Fraga
"Uma pergunta inicial
Começo com uma pergunta : será que alguém que não é de Seia e passe por Seia, lembrar-se-á de algo positivo na viagem de retorno a casa ? A minha resposta é não. Gostam de Seia os senenses que lá vivem e os que estão fora, seja em Portugal ou em qualquer país estrangeiro.
Sinceramente e por muito que me custe, não acredito que qualquer visitante, seja ele turista ocasional ou passante em actividade profissional, leve uma impressão minimamente positiva de Seia. Não há localidades naturalmente feias, é a “mão humana” que as torna mais ou menos aprazíveis.
Seia fica localizada numa zona agradável em termos de paisagem natural, mas se por momentos deixarmos de ver a cidade como senenses, o cenário fica entre o arrepiante e o indescritível. Muitos de nós, senenses residentes e não residentes, olhamos para a cidade como os pais olham para os filhos e muitas vezes temos dificuldades para descortinar algo para lá desse “amor paternal”.
Mas, abstraiamo-nos da nossa condição de pais e o que vemos ? O state of the art- devemos ter uma das poucas cidades do país, onde se passa de uma zona principal para outra, através de um “beco”, onde um carro que não seja pequeno tem muita dificuldade em passar. Esta situação é absolutamente aberrante, caricata, risível; - a passagem de viaturas (ligeiras e pesadas) da entrada pela ponte para a Serra é algo que custa a acreditar. Será que alguém pode garantir que um transporte de grandes dimensões consegue fazer alguns destes trajectos : S. Romão à centro da cidade à Serra; S. Romão à centro da cidade à Vodra; ponte do Rio (é assim que eu lhe chamo) à Serra, etc. Alguém o garante ? Tenho dúvidas que, de boa fé, alguém o possa fazer;- o que era a chamada zona do bairro, onde nasci e cresci até sair de Seia para estudar, é hoje um amontoado disforme, semelhante a dezenas e dezenas de cidades portuguesas, onde o pato-bravismo campeia e a construção anárquica cresceu sem controle. Não colhe o argumento estafado das autarquias que quem não é arquitecto não deve opinar sobre este tipo de situações. É um argumento pobre e, menoriza quem o usa, pois parece sempre que se está a tentar esconder algo de menos claro; - na onde do nacional-pacovismo autárquico, as rotundas começaram a campear nos últimos anos.
Durante quase duas décadas, sempre achei que Seia se distinguia dessa febre low level que parece atacar a maioria dos autarcas nacionais (às vezes penso que quem projecta este tipo de situações julga que o horizonte de todas as pessoas acaba na fronteira com Espanha …) e que os leva a construir rotundas a torto e a direito, de preferência com fonte e, last but not the least, com iluminação. Afinal, nos últimos anos a febre também atacou em Seia e as rotundas começaram a surgir a esmo, como se fosse essa a única forma de controlar/ordenar o trânsito; - todas as entradas de Seia são uma vergonha em termos de aspecto. Aliás, acho que nem vale a pena alargar-me muito sobre este tema, pois os 4 cartões de visita que disponibilizamos a quem visita Seia, levam esse visitante a querer rapidamente ir embora, ou porque o estado da estrada é indescritível (Ex: quem vem de Vodra – algo que devia fazer corar de vergonha os responsáveis por tal situação - e quem vem da Serra) ou porque a poluição visual é inacreditável (entrada por S. Romão ou pela ponte).
Tentem olhar todos sem paternalismos e penso que a conclusão é óbvia; - a gastronomia senense não tem hoje a projecção que teve há algumas décadas atrás. Lembro-me de professores da Universidade e clientes falarem sempre do Restaurante Camelo quando falavam de Seia. Hoje, encontro inúmeras pessoas em reuniões que me falam no Antónios em Nelas, no Bem Haja em Gouveia, no Júlio em Gouveia, mas são poucos ou nenhuns os que são capazes de citar um restaurante em Seia. Dir-se-á que isso é um problema da iniciativa privada. Claro que é, mas este texto não é um libelo contra a autarquia; - o que é o turismo em Seia (poderia perguntar o mesmo em Gouveia, na Covilhã, em Manteigas) ?
Deixei de viver em Seia em 1982 e 26 anos depois a questão continua em cima da mesa. O turismo em Seia é ZERO e continuará a ser ZERO enquanto não for percebido que é o único trunfo que a cidade e a região têm para sair da apagada e vil tristeza em que caíram. Para haver turismo (e nem sequer entro na análise que há turismo e turistas que pura e simplesmente não interessa(m)) a cidade e o concelho têm que ser pensadas em função disso e Seia deve viver em função desse desígnio; - a projecção desportiva de Seia é ZERO, sendo apenas de realçar claramente o trabalho esforçado feito pelo João Gomes (meu colega de liceu) em termos de atletismo. O resto … Não se pode cair em devaneios e esperar ter em Seia equipas com projecção nacional.
Mas, nem projecção regional existe, se pensarmos nas duas modalidades (além do atletismo, claro) em que Seia atingiu alguma notoriedade : hóquei em patins e atletismo. Se a cidade definha, não há patrocínios; não os havendo não há desporto de cariz competitivo e isso é menos um factor de projecção da cidade que está a ser trabalhado;
- Seia sofre da desertificação (infelizmente) normal do interior e não revela a mínima capacidade em fixar pessoas/quadros. Assim, a actividade económica definha e cada vez mais essa actividade vai girar à volta dos serviços públicos (autarquia, finanças, etc).
É óbvio que residem no concelho de Seia verdadeiros exemplos de sucesso em termos de investimento, mas também é compreensível que uma decisão de um investimento de uma PME em Seia é algo muito difícil de conceber por incontáveis motivos : péssimas vias de acesso; dificuldades de encontrar colaboradores qualificados (estes não se criam com pólos de Politécnicos, criados – os politécnicos e os pólos – na febre incontrolável que varreu o país num dado momento e em que só faltava cada vila e aldeia ter uma instituição universitária, nem que fosse um pólo da Moderna …), ambiente de pessimismo, ambiente de trica regional com guerra de comadres e de protagonismo entre barões, baronetes e afins, etc, etc.
Assim, tirando o tão decantado contact centre que investimentos de relevo houve em Seia nos últimos anos ? Como previ, o parque empresarial de Vila Chã é um nado-morto (fazendo humor negro, talvez fosse melhor construir estes pólos longe das estradas principais de acesso ao Seia, pois era menos penoso …), as empresas têxteis vão definhando (o caso mais recente da Beiralã só pode ser surpresa para quem está fora do que é a realidade têxtil a nível global), não se vê uma aposta séria no turismo, etc, etc.
No meio deste panorama de quase indigência, o que impressiona é que parece que a resignação campeia e que enquanto os responsáveis autárquicos celebram e festejam por qualquer fontanário (já faltou mais …), a principal força de oposição, ignorando que tanto a nível local como (principalmente) nacional foi a erva mais daninha que este país já viu, não tem uma ideia útil. Repito, uma ideia que seja, ou pelo menos que surja na imprensa escrita local, tanto naquele que é o órgão local do PSD (embora com elevação e civismo, apesar do conservadorismo que se entende e subentende em cada linha), como naquele que é órgão local do PS ou do PSD consoante quem detém a cadeira de Presidente da Câmara. "
Pedro Fraga

Pensar Seia - Contributo de Pedro Fraga (2)

O Blogue feito pelos leitores
Opinião de Pedro Fraga
" Mas, nada há de positivo ?
Mas então, mesmo sem olhar para Seia como “Ó Seia querida” não consigo encontrar nada de positivo ? Claro que há, mas é possível ir mais longe, desde que haja um projecto de cidade, uma visão de futuro que é algo que garantidamente não existe em Seia há várias décadas. - 3 projectos interessantes e que, de forma inacreditável, estão espalhados pela cidade : CISE, Museu do Brinquedo e Museu do Pão. São 3 referências da cidade e que têm alguma repercussão nacional. Não pretendendo uma MuseumInsel (Ilha dos Museus) como em Berlim, será que nunca foi considerado juntar as 3 entidades no mesmo local, agregar-lhe uma série de serviços e criar uma marca senense a esse nível, que trouxesse turistas que, sem saírem do mesmo local, conseguissem estar uma manhã/tarde/dia em Seia ?
Será que é mais lógico criar o Museu do Brinquedo num local absolutamente “atravancado”, sem estacionamento decente, sem hipótese de crescer e, por outro lado, ir criar o CISE de uma forma anónima, com acessos miseráveis (mais um tipo de acesso que lembra o beco acima citado, junto ao Museu do Brinquedo) ? Estamos a falar de 3 entidades com menos de 10 anos (não estamos a falar de entidades centenárias) que “nasceram” em sítios diferentes !!! Mas, ao invés de se fazer um investimento único, com um Plano de Negócios decente, achou-se mais lógico espalhar museus a esmo por uma cidade que não tem acessos decentes, não tem sinalização decente, não tem estacionamento decente. - existe esforço na vertente cultural (Jornadas Históricas, Cine Eco, etc) e independentemente de todos quererem sempre mais e melhor, deve ser claramente realçado como algo de notável;- … pois, não me lembro mesmo de algo mais.

Obs : não referi a Fiagris, que tanto o poder local como a oposição consideram um sucesso, porque acho o modelo intelectual e economicamente pobre, muito ao estilo “pão e circo”. É uma mera questão de opinião. Acho esse tipo de eventos perfeitamente desnecessário, pois as cidades ou investem em vários pequenos eventos locais/regionais ou num grande evento de projecção nacional. Investir e insistir em modelos daqueles em cidades pequenas é algo que não compreendo.

A culpa
Mas se eu entendo que algo está mal, de quem é a culpa ? A resposta normal é : da Câmara.
Esta é a explicação mais simplista. A culpa é de todos os senenses, incluindo o signatário :- é dos senenses que votam a nível nacional e que têm escolhido sucessivamente o centrão que nos governa há 34 anos (aqui estou ilibado); - é dos senenses que votam a nível local e que têm escolhido sucessivamente o centrão que governa a cidade há 34 anos (também estou ilibado); - é dos senenses que apenas criticam e nada fazem directamente pela sua cidade (Mea culpa, mesmo vivendo fora); - é dos sucessivos poderes autárquicos que nunca tiveram o “golpe de asa” que retiraria Seia do marasmo; - é do poder autárquico e das estruturas locais dos partidos que discutem as suas ideias (?) em circuito fechado, sem nunca se abrirem sociedade civil (a este nível não falem naquele conceito “à la PS” de Estados Gerais e afins.
Seia é um assunto demasiadamente sério para vir com piadas e mistificações … Um independente bom não é aquele que diz bem do meu partido, um independente bom é alguém que diz bem e mal do meu partido e isto é algo que o PS e o PSD nunca perceberão)- é dos senenses residentes em Seia que nunca se associaram para combater a estagnação que os partidos do centrão trouxeram, trazem e continuarão a trazer à cidade
3 ou 4 ideias básicas
- Apostar em 1º lugar no turismo, em 2º lugar no turismo e em 3º lugar no turismo. Em 10º podem apostar nos contact/call centre … - Para isso há questões básicas a cumprir :
- à rasgar a cidade, deitando ao chão o que impede que os senenses e os turistas circulem de forma decente e agradável;
- à criar/fomentar a criação de mais um ou dois museus (penso que há algo nesta zona que é o Queijo da Serra, os pastores, etc, tenho ideia, mas não tenho bem a certeza !!!) e juntar o que há, num único local e apostar numa marca própria para cativar turistas, começando no ensino básico;
- à racionalizar o orçamento autárquico. Como calculam, teria que se mexer (e muito) naquilo que nenhum presidente da Câmara tem coragem para mexer. Pois … o problema é que após pagar os salários, pouco dinheiro fica para obras. Mas, se pouco dinheiro fica para obras e para a gestão corrente ….. é isso mesmo, temos depois centenas de funcionários autárquicos, pessimamente pagos, ao invés de termos um número racional de funcionários autárquicos muito bem pagos e altamente motivados e envolvidos numa MISSÂO;
- à apostar nas parceria público-privadas à semelhança do que algumas câmaras já fazem, tentando com que uma parte significativa do investimento seja feita pelo investimento privado (normalmente construção civil), havendo imaginação para criar garantias de retorno;
- à ter a coragem para não apostar em candidatos autárquicos com perfil exclusivamente político, sem capacidade de gestão. Tenho para mim a ideia clara, há largos anos, que em muitas autarquias, após as eleições, haveria claros benefícios em irem ao mercado, a uma empresa de head hunting, contratar um DG com plenos poderes, que trabalhasse com uma componente salarial fixa, mais uma componente variável agressiva, dependendo da Avaliação de Resultados. Porque não termos um presidente da CMS que teria apenas a componente de representação institucional (para a qual era democraticamente eleito), deixando depois toda a gestão executiva suportado num DG profissional ? Parece absurdo ? Mas, será ?
Independentemente de tudo isto e muito mais que poderia passar para o papel, acho que o panorama actual é tão negativo, que serão preciso décadas para o melhorar. Poder-se-á sempre dizer que é uma questão de interioridade, de crise macro-económica, etc, mas … é pobre, é curto. Permito-me citar dois exemplos de pequenas localidades que estão nas mãos de partidos políticos nos quais nunca votei em 34 anos (ou seja a minha análise nada tem a ver com a componente político-partidária) : Esposende e Ponte de Lima.

Pedro Fraga

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Viaturas dos CTT de Seia ocupam passeios

O Blogue feito pelos leitores

De Miguel Krippahl recebi a seguinte mensagem / reclamação e foto, a propósito do abuso dos responsáveis dos Correios de Seia na ocupação da via publica com as suas viaturas:


"Uma vez iniciadas as aulas, continuam os funcionários do Centro de Distribuição Postal de Seia a estacionar as viaturas de serviço sobre o passeio, bloqueando-o, conforme atesta a imagem em anexo tirada ás 08.40 de 19/09/2008.


Fazem-no exactamente à hora de entrada dos alunos, obrigando-os a circular pedonalmente no meio da via automóvel.


Deste facto já tinha dado conhecimento, conforme se pode ver no email enviado aos CTT.

Uma vez que os CTT se apresentam impotentes para resolver a situação, e tendo em conta o perigo que esta representa para as centenas de crianças que circulam nesta via diariamente, resta-me apenas a solução de notificar outras entidades locais do sucedido, como seja o Município, a GNR e os orgãos de comunicação social.


Com os meus melhores cumprimentos
Miguel Krippahl"

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Beiralã - a Voz dos trabalhadores

O Blogue feito pelos leitores
a propósito da crise instalada na Beiralã recebi mais duas mensagens que passo a publicar, porque entendo que se deve dar voz aos trabalhadores que estão a passar uma fase difícil, que se agravará com a chegada do Natal e do fim do ano.
Caros Amigos
Fomos chamados a atenção por alguns dos nossos colegas que seria importante também comunicar-vos o seguinte:
a) A sede da empresa Beiralã sempre foi na Covilhã, desde a sua constituição. No final do passado mês de Agosto, o Rui Cardoso alterou a sede para SEIA. Deverão perceber porquê e para quê.
b) Vários colegas nossos afirmam que estão a ser censurados no forum do Porta da Estrela, embora nós também sabemos que de isento não tem nada, estando ao serviço de uma minoria.
c) No final de 2005, de acordo com o IEFP de Seia e através deste, foram realizados, na empresa, vários cursos de formação ao abrigo do Programa FACE, tendo sido atribuído á empresa um subsídio de mais de 300.000 euros. Como contrapartida a empresa teria de manter o mesmo número de postos de trabalho até final de 2008. Agora perceberão os caros amigos, porque é foram suspensos, até final do ano, os contratos de 170 trabalhadores e ainda não foi pedida a insolvência da empresa. E esta, Hem!!!!!
E mais poderia ser dito, mais à frente e dependendo dos desenvolvimentos e depois do medo de retaliação passar a alguns dos nossos colegas, irão surgir mais novidades.
Cumprimentos e muito obrigado
Trabalhadores da Beiralã

Ainda a Beiralã - algumas verdades dos trabalhadores

O blogue feito pelos leitores
Amigos João Tilly e Mário Branquinho
Ainda é cedo para estarmos a apresentar todas as nossas futuras medidas de acção. Oficialmente e legalmente, ainda ninguém foi despedido, mas sabemos que será esse o objectivo.
Para meditarem, lançaremos apenas umas breves notas, de si já elucidativas, sobre o tal "embuste".
a) Em finais de 2005, foi criada uma empresa, "Texwool" de seu nome, em que os sócios e "testas de ferro", são os filhos do accionista e Presidente do Conselho de administração da Beiralã.
b) Esta empresa, sem equipamento produtivo e quase sem imobilizado nenhum, tem o mesmo ramo de actividade da Beiralã, os mesmos clientes, e os mesmos produtos.
c) Por incrível que pareça, contrariamente a todas a boas práticas actuais de gestão, esta nova empresa fez e faz concorrência directa à Beiralã, visitando os mesmos clientes e vendendo os mesmos produtos, tendo no último ano, "roubado" os clientes e encomendas à Beiralã, que suportando quase todos os custos de produção, ficou numa situação financeira caótica.
d) Todos sabemos que a maioria de nós, trabalhadores da Beiralã, temos em média, mais de 30 anos de antiguidade na empresa, que de acordo com a lei e no caso de despedimento sem justa causa, teríamos que ser ressarcidos ou indemnizados, que segundo cálculos feitos por quem sabe, rondaria os cerca de dois milhões e meio a três milhões de euros.
e) Na nossa empresa, passaram ao longo destes últimos 4 a 5 anos, quadros superiores, altamente competentes e com passados impolutos, no que respeita a seriedade e honestidade, que quando confrontados com "algumas coisas" optaram por ir embora.
f) Porque é nosso conterrâneo e é do conhecimento geral, perguntem ao Sr. Engº. João Fernandes, porque é que em 2006, quando foi convidado pelo Rui Cardoso para assumir o cargo de Director Geral e tendo aceite, no dia seguinte deu o dito por não dito?? Para um bom entendedor…meias palavras bastam…
g) A seguir entrou um ex-Director da Maconde com percurso académico e profissional de relevo. Que lhe aconteceu??? Abandonou o "barco" desolado, triste e acima de tudo revoltado (segundo se consta, foi despedido por E-mail pelo Rui Cardoso).
h) Mais recentemente, foram embora os dois últimos quadros, um deles há 5 anos na empresa, pessoa competente, leal, credível, com boa aceitação na Banca e instituições externas, amiga dos trabalhadores e motivadora dos mesmos, tendo outro entrado em Setembro de 2007 e apesar de ser extremamente competente e tecnicamente muito bom, não conseguiu singrar, pois foi muitas vezes, "apunhalado" pelas costas pela família e accionista.
i) Porque é que o Sindicato, a Comissão Sindical da empresa, a CM de Seia, e o Governo não fazem nada????
j) Porque vamos ter eleições legislativas e autárquicas e todos sabemos que a bandeira deste governo é o emprego, lembram-se dos 150.000 empregos, e todos sabemos o que convém ao PS neste momento, o silêncio e o faz de conta que não se passa nada.
k) Porque razão todas a televisões privadas, deram relevo á nossa luta e à situação na empresa, tendo a RTP, estação pública, optado também pelo silêncio, apesar de diversas vezes a termos contactado???
l) Porque razão o IAPMEI e as capitais de risco, a quem o Rui Cardoso, deve cerca de 4 a 5 milhões de euros, isto desde 1998 /99, não o executam, desde a "compra" da ex-Fisel.???
m) Os edifícios fabris são do BCP, por causa do contrato de leaseback, algumas máquinas são da CCAM de Seia (leasing), resumindo, empresa quase sem património.
n) Por último e agradecemos a autorização do Mário Branquinho, transcrevemos o que alguém lá escreveu no blog, que nos parece uma antevisão do guião do filme, sobre o fim da Beiralã:
1-"Estamos perante um grande embuste!!!Sindicato em silêncio é mau sinal.Este Rui Cardoso "canta" melhor que a falecida Amália, mas o povo já conhece as letras todas das músicas dele. Efectivamente isto é uma história para contar, mas no local próprio e com depoimentos credíveis das pessoas lesadas".

2-"Pois é,... o silencio ensurdecedor do Sindicato! E da CMSEIA!Este sindicalismo anda muito crédulo e crente e agachado.Insolvência, sindicato na comissão de credores, proposta de um sócio da empresa comprar por "tuta e meia" a "sua" empresa (agora limpa de encargos) com a promessa de alguns poucos trabalhadores ficarem (por algum tempo e para tapar os olhos, com o amen do SR SINDICALISTA o patrão da manipulação. Julgo já ter visto este filme!!ABRAM OS OLHOS."
Por últimos resta-nos agradecer a vossa ajuda e esperamos contar com vocês neste processo doloroso, talvez mais, do que quando foi da ex-FiSEL. Como compreenderão, não nos podemos ainda identificar até o processo estar mais evoluído, vivemos numa terra pequena e temos medo de ser alvo de perseguição e intimidação, quer política, social e até familiar.
Muito Obrigado e Melhores Cumprimentos
Trabalhadores da Beiralã

Ainda a crise da Beiralã

O problema da Beiralã é uma questão muito grave que nos está a bater à porta e que merece no mínimo a maior atenção por parte de todas as forças vivas do concelho.

Na notícia que aqui dei logo em devido tempo, alertava para a gravidade da situação e manifestava humilde solidariedade. Já procurei saber mais pormenores. Mas o que me parece mais estranho é de facto a aparente calmaria em torno deste caso que arrasta para o desemprego quase 200 trabalhadores. Lembro-me dos momentos quentes da FISEL, no início da década de 90, em que houve grande alarido e a situação foi-se atenuando, como se dizia na altura, com almofadas, para atenuar a crise.
Na altura até uma Comissão de Acompanhamento foi criada no âmbito da Assembleia. Por isso, e porque dia 30 de Setembro está marcada uma sessão, irei desde já propor a constituição de uma Comissão, para dar alguma força e alento aos trabalhadores. Pode não adiantar muito, mas,... enquanto há vida há esperança!

De resto, têm-me enviado para o blogue e para o mail particular mensagens preocupantes.
Recupero duas delas:

"Estamos perante um grande embuste!!!Sindicato em silêncio é mau sinal.Este Rui Cardoso "canta" melhor que a falecida Amália, mas o povo já conhece as letras todas das músicas dele. Efectivamente isto é uma história para contar, mas no local próprio e com depoimentos credíveis das pessoas lesadas".

"Pois é,... o silencio ensurdecedor do Sindicato! E da CMSEIA!Este sindicalismo anda muito crédulo e crente e agachado.Insolvência, sindicato na comissão de credores, proposta de um sócio da empresa comprar por "tuta e meia" a "sua" empresa (agora limpa de encargos) com a promessa de alguns poucos trabalhadores ficarem (por algum tempo e para tapar os olhos, com o amen do SR SINDICALISTA o patrão da manipulação. Julgo já ter visto este filme!!
ABRAM OS OLHOS."

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Cine’Eco aposta em actividades paralelas para aproximar o Festival à Comunidade

A Direcção do Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente de Seia está a preparar um conjunto de actividades paralelas com vista à aproximação do festival à comunidade.

A primeira iniciativa vai ter lugar já nos próximos dias 4 e 5 de Outubro, com a realização de um Workshop designado “Filmar o Ambiente”. Orientado por Frederico Corado, esta iniciativa terá como objectivo tratar junto dos jovens de Seia e da região as problemáticas formais dos conteúdos e história do documentarismo ambiental e a realização de um vídeo sobre a Serra da Estrela.

Relativamente a animação, está previsto um concerto com Rodrigo Leão & Cinema Ensemble na abertura oficial do Cine’Eco, dia 18 à noite, na Casa Municipal da Cultura e um concerto com Viviane (ex ”Entre-Aspas”), dia 25 à noite no encerramento do Festival. Ainda em matéria de animação está assegurada a presença da Funfarra, para animar as ruas, na tarde do dia da abertura e na manhã de 22 de Outubro, quarta-feira, dia de feira em Seia. Neste dia, está prevista a realização de um “Corredor Verde”, que é uma espécie de cordão humano com mais de mil pessoas a ligar a Casa da Cultura e o CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, locais onde decorre o Festival. Com esta iniciativa, que contará com muitos efeitos coreográficos, a organização pretende dar visibilidade ao Cine’Eco e ao CISE.

No dia 19 está previsto a apresentação do livro de Denise Godoy – “Língua Travada” e no dia 24 a exibição extra-concurso do documentário “Para além do Fogo” de Francisco Manso, seguido de um debate com a presença do Prof. Doutor Francisco Rego, Coordenador Europeu do Programa “Fire Paradoxe”. Iniciativa dirigida a escolas e corporações de bombeiros e Parque Natural da Serra da Estrela.

No dia 25, e à semelhança do ano passado decorrerá no Auditório do CISE uma Conferência que este ano terá como tema “Territórios de baixa densidade”, em colaboração com o ICNB (Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade) e Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia.

No âmbito das actividades paralelas está ainda previsto um concurso escolar designado “Pensar o centro urbano da tua cidade”, com o apoio da Movijovem e destinado aos alunos da Escola Secundária de Seia, Escola Profissional da Serra da Estrela e Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia.

Em colaboração com a Associação Empresarial da Serra da Estrela decorrerá igualmente um Concurso de Montras, designado “O cinema e o ambiente no comércio tradicional” para o qual foi elaborado um Regulamento que está a ser enviado aos comerciantes da cidade.

Quanto à programação dos filmes a concurso e diversos ciclos temáticos, será anunciada muito brevemente, numa altura em que o Director Técnico do festival, o realizador e crítico de cinema, Lauro António, está a concluir esta “árdua tarefa”.

sábado, 13 de setembro de 2008

Pensar Seia. Por Seia

O mundo está em constante mutação. Tudo muda. E as realidades de ontem são bem diferentes das de hoje. Tudo se transforma e nada escapa à voragem dos tempos, das ideias e das modas. Por isso, tantos falam das mudanças de paradigma. Chegam até a gastarem a palavra de tanto a usarem. Mas pronto, seja como for, nós por aqui, que falamos de Seia como quem fala da nossa casa, da nossa família, dos nossos problemas, realidades, forças e fraquezas, lançamos o desafio a quem nos lê.

Pensar Seia.


Exactamente. Vamos todos pensar Seia e dizê-lo aqui, cara-a-cara, no blogue Seia Portugal. E não é nada de mais, porque no fundo, isso já todos nós fazemos diariamente, tipo treinadores de bancada, que têm ideias e soluções para os problemas todos do concelho. A questão é que a grande maioria das vezes se recorre a fóruns anónimos, despejando ódios ou arquitectando estratégias “maneirinhas” de querer chegar a um sítio sem “molhar o rabo”.


Pensar Seia é no fundo um exercício de cidadania, informal e despretensioso, elaborado com alguma consistência e coerência, para procurar caminhos e respostas. No fundo são reflexões, partilhadas em conjunto, até ver onde nos leva a ousadia e a criatividade.


Também para alguma coisa devem servir os blogues, que não seja apenas espreitar para ver se há sangue, deslize ou matreirice, como parece às vezes querer fazer parecer. Afinal a vida é feita de exercícios e este é mais um, que pode ser feito de pequenos nadas.


Da minha parte, e porque sou uma pessoa desassossegada interiormente, como os que me conhecem sabem, vou procurar contribuir para este exercício, de teoria politica à escala local, como contributo positivo para o debate. Há tanto para dizer, tanto para acrescentar. E se no final, tudo espremido deitar pouco sumo, que é o mais provavel, não faz mal. Também qual é o mal! Pelo menos a nós não nos deve fazer mal o tal exercício. Quando muito mantém-nos mais vivos e mais activos, em forma e em alta.

Vamos então Pensar Seia. Por Seia.

Do Brasil se procura familiares de Vale de Igreja

Do senhor José Alves, no Rio Grande do Sul, Brasil, recebi a seguinte mensagem:
"Ilmo Sr Mário Jorge Branquinho
Me chamo José Alves, sou brasileiro e estou a procura de parentes de minha avó Nazaré dos Santos, nascida no dia 27 de Fevereiro de 1895, filha de José dos Santos e Joaquina Gonçalves. Ela era natural do Vale de Igreja, Freguesia de Paranhos, Concelho de Seia. Minha avó casou-se com João Alves Rodrigues, natural do Seixo do Everdal e veio para o Brasil no ano de 1928 e aqui viveu ate falecer no ano de 1987. Sei que é muito difícil conseguir tais informações mas conto com vossa ajuda. Talvez o senhor consiga alguma informação através dos registros de batismo na igreja local. Desde já agradeço imensamente a vossa atenção.
José Alves Canopas - Rio Grande do Sul-Brasil".
Deste modo, lanço o desafio aos leitores do blogue para ajudarmos o senhor José Alves a encontrar os seus familiares de Vale de Igreja. Quem souber que diga.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Esta sexta há teatro, com chuva ou sem ela

Esta sexta à noite, se o tempo permitir, teremos teatro no Largo da Câmara, se não, terá lugar no cineteatro da Casa Municipal da Cultura, em substituição do filme “Procurado” que passará no Sábado e Domingo.

Como já se sabe, na passada sexta-feira o espectáculo “Catavento” do Teatro das Beiras foi cancelado devido ao mau tempo, mas desta vez, chova ou faça sol, teremos teatro!

O importante é desfrutar. No Largo da Câmara, ou mesmo ao lado, na Casa da Cultura.
Este ano o tempo parece não querer nada com os eventos de Seia. Primeiro foi o concerto do Jorge Palma adiado, depois foi a tristeza do tempo no alto da Torre que não deixou promover Seia na Televisão e agora este pequeno espectáculo, a caminhada nocturna do clube de montanhismo e até o senhor José Malhoa que era esperado na sexta em Figueiredo, teve de passar para esta sexta.

Workshop. Cinema. Seia. Cise. Cine'Eco

Até ao próximo dia 19 de Setembro estão abertas as inscrições na Câmara de Seia para os interessados em participar num Workshop de cinema designado “Filmar o Ambiente”.

Esta iniciativa, integrada no Cine’Eco, decorrerá nos dias 4 e 5 de Outubro no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela e será orientada por Frederico Corado.

Dividido em duas partes, o Workshop terá uma primeira parte teórica onde serão tratadas as problemáticas formais dos conteúdos e história do documentarismo ambiental e uma segunda parte prática com a realização de um vídeo sobre a Serra da Estrela. Em todo o workshop será dada importância ao facto de como o cinema deu forma à maneira como vemos, pensamos, consumimos e tratamos a natureza tanto nas sociedades actuais como passadas.

Pretende-se com esta iniciativa estimular as pessoas de Seia e da região e particularmente os jovens, para o documentarismo ambiental e assim poderem futuramente concorrer ao Festival. Já em Janeiro deste ano decorreu um workshop de documentarismo, que contou com a participação entusiasta de cerca de 30 participantes.

Curiosamente este ano, regista-se um leque mais alargado de filmes feitos a partir de Seia e da região, concorrentes ao Cine’Eco. De resto, esta é uma das muitas actividades paralelas desenvolvidas este ano pela organização para aproximar o festival da comunidade. Dentro de dias darei conta.

Eduardo Brito para Presidente da Federação do PS Guarda

Há cerca de dois anos e meio disputei a presidência da concelhia de Seia com Eduardo Brito, porque entendia que este não devia ser Presidente da Câmara e do Partido, simultaneamente, condicionando muito a actividade política local. Os militantes de Seia inscritos nessa altura deram a vitória a EB e eu perdi por pouco. Passados dois anos, não me recandidatei e justifiquei-o na altura porquê, mas também não integrei a lista do Presidente, pelas mesmas razões invocadas anteriormente.
Feita esta declaração de interesse, apraz-me dizer que no momento actual em que Eduardo Brito se candidata à Federação do PS da Guarda lhe darei o meu modesto contributo pessoal.
Faço-o de forma convicta e serena, na medida em que acredito que o autarca de Seia é a pessoa certa para ajudar o Distrito da Guarda a sair da crise em que se encontra, além de admirar a coragem de tal candidatura. Ou seja, Eduardo Brito dispõe-se a por a sua experiência enquanto autarca com cerca de 30 anos de carreira e muitas provas dadas, ao serviço do Distrito.
Com este gesto, tem dado igualmente sinais de que não se recandidatará à Presidência da Câmara de Seia, permitindo a tal abertura que nestes últimos anos se impõe e reclama por cá.
A ser assim, e fazendo fé de que neste mês de reentre política, Eduardo Brito fará uma comunicação importante às pessoas do concelho de Seia, julgo que há razões ainda mais do que suficientes para redobrar o empenhamento na sua corrida à Presidência da Federação.
Depois de ter posto muita da sua capacidade de trabalho, experiência e conhecimento ao serviço do concelho de Seia, está agora disponível, para a Guarda. Tem feito muito por Seia e quer agora subir um degrau e fazer pelo Distrito. E ao anunciar a sua intenção, contribuiu desde logo para enriquecer o debate da campanha, onde são indispensáveis ideias prática e objectivas para melhorar as condições de vida das nossas populações. Onde são imperiosas novas soluções para velhos problemas. Onde é urgente reinventar estratégias assentes simultaneamente na experiência feita e na criatividade realista. Onde as questões aparelhisticas serão secundárias em relação aos interesses efectivos do Distrito.
Porque é urgente ultrapassar e vencer sérios obstáculos que se deparam hoje nas nossas comunidades, dos quais o desemprego e a desertificação são os principais. Enfim, estou certo que a experiência do Eduardo Brito em muito contribuirá para ultrapassar todos estes desafios e repor a Guarda no mapa por boas razões.
Fica assim registada a minha inequívoca posição sobre esta matéria para que não restem dúvidas!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Uma nova era na saúde do distrito

A partir do dia 1 de Outubro, a saúde no distrito da Guarda vai conhecer uma nova fase. Os dois hospitais e os centros de saúde do distrito passam a fazer parte de uma única estrutura, a Unidade Local de Saúde.
A estrutura será gerida por um único Conselho de Administração, a nomear pelos ministérios da Saúde e das Finanças.
O decreto-lei que cria esta estrutura, publicado a semana passada em Diário da República, extingue os hospitais da Guarda e de Seia.
O diploma confere também à ULS o estatuto de entidade pública empresarial (EPE), o que se irá traduzir na criação de um novo modelo organizativo e económico-financeiro.

2º Workshop de Danças Europeias em São Romão

A Casa da Juventude D. Ana Nogueira, de São Romão vai organizar nos dias 4 e 5 de Outubro o 2º Workshop de Danças Europeias.

Esta iniciativa, orientada por Alexandre Matias, decorrerá no Salão da Casa do Povo daquela vila do concelho de Seia e destina-se a todos os interessados que queiram participar.

Para inscrições e informações, os contactos são: telemóvel - 966165411 (Ana Reis) e 965115770 (Xana Fonseca); E-mail: cjan@netvisao.pt

Num destes dias à noite actuarão os Mosca Tosca, que são um Grupo de música tradicional, para bailes/danças de tradição europeia.

As músicas que tocam, terão sempre a finalidade para o público dançar. O repertório será: valsas, mazurkas, scottisch, jig, círculos, chappelloises, branle e outras técnicas para dançar em grupo.

Beiralã manda 160 trabalhadores para casa até Dezembro

A partir de 2ª feira, dia 15 de Setembro, cerca de 160 trabalhadores da Beiralã vão ficar em casa até ao fim do ano sem trabalho, tendo de ficar à espera 4 meses para ver se surgem encomendas.

Ao que parece não havia muitas soluções. Corria a leve esperança de que Fábrica pudesse vir a ser viabilizada, mas as encomendas não têm justificado a laboração normal. Agora a alternativa é esperar 4 meses, ou como alguns dizem, adiar a agonia.

Nesta emblemática empresa de Seia, ficam assim pouco mais de 40 trabalhadores até ao fim do ano.

Neste cenário, há quem admita que este pode ser o principio do fim da Beiralã, mas há outros que têm esperança em melhores dias no início de 2009.

Para já, o aviso à administração por parte dos trabalhadores que vão para casa é que não conte mandá-los para o fundo de desemprego. Um aviso partilhado pelo sindicato, que também não tem grandes alternativas.

Nesta hora difícil para os trabalhadores, importa manter firme determinação e sem desânimo aguardar pelo desenrolar dos acontecimentos, mas sempre vigilantes. Da minha parte, manifesto humilde solidariedade e disponibilidade para a “luta” que se avizinha.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

"A Filha do Capitão"

Nem sempre lemos quando devemos ler. Nem sempre lemos o que devemos e nem sempre sabemos se o que lemos está ou não fora do prazo ou da onda dos que lêem compulsivamente. E nestes entretantos e intróitos, dei comigo neste querido mês de Agosto a ler o romance “A Filha do Capitão” do José Rodrigues dos Santos, cujo ano de edição é 2004. É certo que já tinha lido o “Sétimo Selo”; que tinha gostado muito, pelo enredo, pelo estilo e sobretudo pelos alertas dados no que se refere à defesa na vida na terra. Uma forma inteligente de trazer à luz do dia que um universo imenso de leitores aproveita, as grandes preocupações ambientais decorrentes do aquecimento global e da exiguidade das reservas de petróleo.

Posto isto resumido, e munido do calhamaço que requisitei na Biblioteca Municipal de Seia, parti então na aventura de saber como um jovem português, Afonso Brandão se cruza com uma bonita francesa em plena Primeira Guerra Mundial, na Flandres, mergulhando assim nas 636 páginas que dão corpo à “Filha do Capitão”. Salvo seja! E leu-se bem e dei-me bem, com o estilo e com a forma, num enredo que deixa laivos de previsibilidade quanto ao andamento da dita história. E fica-se a saber muito de História. E ficamos a perceber melhor sobre aquele período em que os soldados portugueses, onde se incluiam alguns de Seia, se viram forçados a combater os alemães, sem meios e sem vontade, em nome de uma Grande Guerra, de que nem o senense Afonso Costa os livrou, nem o Sidónio os safou.

É óbvio que já carradas de pessoas leram o livro e que eu cheguei tarde para agora contar a história, fazer comentários bacocos ou acrescentar o que quer que seja. Nem sempre lemos quando devemos e nem sempre podemos,...

Nesse sentido e sem preconceitos, registei e sublinhei os momentos de descrição pormenorizada, às vezes até de mais, do ambiente daquela época, do ambiente rural e atrasado de Portugal, das luzes e modas de Paris, das descobertas da época, dos feitos e dos defeitos, dos encontros e desencontros, de amores e desamores e até do fado de ser português.

Provavelmente já muitos disseram esta frase espantosamente simples, ou o seu contrário, mas estou em crer que "estamos perante um grande romance"! Ai se estamos, e com a agravante positiva de poder ser transformado num grande filme à Hollywood. Tem todos os ingredientes, incluindo amor em tempo de guerra.

Por outro lado e acima de tudo, paralelamente, julgo eu de que, com esta obra, as letras portuguesas prestam finalmente homenagem a todos os homens esquecidos do Corpo Expedicionário na Flandres.

Quanto ao resto, não é preciso dizer mais nada, que nestas coisas não sou de grandes falas e o importante é ler o livro, ou como diz o letreiro lá da biblioteca de Seia, “Ler é saber +”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Teatro de rua adiado em Seia, devido ao mau tempo

Afinal confirmou-se: - o espectáculo “Catavento” do Teatro das Beiras que estava agendado para esta noite (5 de Setembro) no Largo da Câmara Municipal de Seia, foi cancelado devido ao mau tempo.

O referido espectáculo foi adiado para a próxima sexta-feira, dia 12 de Setembro, pelas 21:45 horas, igualmente para o Largo do Município. Se nesse dia não houver condições climatéricas favoráveis, o mesmo terá lugar no Cine-Teatro da Casa Municipal da Cultura de Seia.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Mau tempo pode adiar teatro ao ar livre no largo da câmara

Segundo o jornal Sol citando a agência Lusa, esta sexta-feira, dia 5 de Setembro vem aí muito mau tempo, dando conta, inclusivamente que “a Autoridade Nacional de Protecção Civil aconselha a que se feche portas e janelas e retire os objectos soltos que se encontrem nas varandas, que se preste atenção a andaimes, toldos, tendas e telhados, bem como a uma possível queda de árvores».

Quem conduz, deve «reduzir a velocidade e ter atenção especial aos lençóis de água que podem formar-se nas vias e à diminuição de visibilidade».A Protecção Civil aconselha ainda que se «desobstrua os sistemas de escoamento das águas pluviais e retire objectos que possam ser arrastados e que se limpe os bueiros, algerozes, caleiras e respectivos sistemas de escoamento».
Perante isto, o que é que se há-de fazer com o teatro ao vivo que está previsto para o Largo da Câmara.

Óbviamente que terá de ser adiado, já que no Cine-teatro há cinema e a peça “Catavento” está mesmo preparada para o ar livre e não para auditório, incluindo cenários.

Depois da (possível) tempestade falamos.

Pequenos reparos, grandes remédios

Os blogues também servem para isto – para ouvirmos os desabafos das pessoas e dar-lhe eco, no intuito de se poder ajudar. Ouvir falar de pequenos reparos e grandes remédios. E eu, sempre que posso procuro ouvir e agir, "levando a carta a Garcia" sempre que posso, neste modesto espaço lido por um pequeno punhado de pessoas da nossa praça, porque o blogue é de “paróquia”, onde todos nos conhecemos e onde todos podemos contribuir para melhorar o que tiver de ser. É óbvio que além deste espaço, procuro também, sempre que posso, outros espaços para ajudar quem solicita, e na medida do possível persisto até ver resultados. Como em tudo na vida, às vezes resulta, outras nem por isso.

Neste contexto, falaram-se hoje em dois pequenos assuntos. Um sobre as obras da Visabeira em Seia, para instalação do gás natural, que causam transtorno aos automobolistas. É óbvio que as obras são necessárias e que os transtornos também são inevitáveis. O que é preciso é que os efeitos sejam atenuados, e em Seia até têm sido uma realidade. O pior tem sido agora no Largo Marques da Silva, porque confluiu ali muito trânsito, mas não tarda, tudo passa. A empresa até é diligente e ordenada.

Outro caso foi sobre a existência de uma faixa amarela na estrada em frente à padaria Mimosa e Farmácia Manaia, que dificulta a vida a quem quer parar dois minutos para comprar pão ou aviar um remédios. Parece simples e ridículo, mas não é, porque dá direito a pesada multa. É uma situação que, obviamente não agrada nem a clientes nem aos donos das lojas, por isso o que se pede é que a faixa amarela, seja ao menos pintada de branco. Para se parar e andar, sem ter de estacionar por muito tempo.

Fica aqui a anotação e o compromisso de também falar lá na Câmara sobre o assunto pelo menos deste pequeno reparo, que se for atendido é um bom remédio.

Esta sexta à noite, há teatro no Largo da Câmara

Esta sexta feira à noite, dia 5 de Setembro há teatro no Largo da Câmara Municipal de Seia.

Se não chover, o Teatro das Beiras apresenta “Catavento”, a partir das 21:45 horas, em frente à Câmara, onde haverá pelo menos 100 cadeiras para o público. É preciso é que apareça gente! E nisto o que dá, para além da muita promoção é o boca-a-boca. Dizermos uns aos outros. Sair mesmo. Não ver tanta novela. Aproveitar o pretexto para arejar. Sair à noite e voltar cedo. Pode até fazer uma certa brisa, mas também pode ser agradável. E o Largo é confortável. Tem casas de quase todos os lados.

A “entrada” é livre, porque a rua é do povo, e por isso acho mesmo que é um bom pretexto para sair à noite à rua. Mas se não fôr paciência. A função e a missão é ir proporcionando acessos aos tais "bens culturais", na medida dos possíveis e das possibilidades. E a cidade bem precisa de animação. Faz parte da vida.

O desdobrável promocional da peça, resume assim a históra:

“Entre a mitologia e a ciência "Catavento" relata de uma forma popular e enérgica, brejeira até, o conflito entre o velho e o novo, o tradicional e o inovador, o antigo e o moderno, com toda a força de um choque frontal. À primeira vista, nada sugere ao Engenheiro, que esta pequena mulher, enrugada e de maneiras mansas, representa o maior obstáculo do que qualquer um dos serranos, que lhe venderam, doaram, alugaram pedaços de montanha, rochosas e inférteis, para a implantação da mais alta das tecnologias, para a vitória rompante da energia eólica. Mas engana-se… O que se segue é uma batalha titânica. Desde David e Golias que não se via um confronto desta envergadura. Toda a temerosa força do poder multinacional, contra a frágil individualidade de uma só mulher em fim de vida… E acabada a história, o que fica para a posteridade? Só o tempo e o vento nos saberão dizer. E estes, ao contrário de muita gente, sabem muito bem guardar segredo…”

Ficha Técnica:
Encenação: Graeme Pulleyn; Cenografia: Kevin Plumb; Figurinos: Helen Ainsworth
Interpretação: Fernando Landeira, Paulo Miranda, Sónia Botelho e Teresa Baguinho

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Depois das férias, a reentré promete, no regresso à civitas sena

Depois das férias, aí estamos, arregaçando mangas para o trabalho. Para trás ficou o descanso, a reflexão, as viagens, os mergulhos, a vida familiar mais intensa e mais próxima e por aí fora. Retemperaram-se forças, repensou-se a vida e os rumos que ela pode trilhar, revisitaram-se memórias, anseios, desejos, enfim, férias.

Aqui no blogue demos azo e espaço às notícias antigas de Seia, trazidas a lume pela responsável do Arquivo Municipal, Drª. Filomena Carvalho, a quem agradeço em meu nome e dos muitos leitores que sei que apreciaram os recortes históricos das nossas terras.

Agora voltamos ao trabalho. E Setembro promete ser um mês em cheio a todos os títulos, como se verá. Da minha parte, profissionalmente estarei envolvido nos vários eventos já programados e divulgados para a Casa Municipal da Cultura, com destaque para o teatro e para a música sinfónica. Tudo isto enquanto se ultima o programa do Cine’Eco, o festival de cinema que marca encontro com o público de Seia, todos os anos em Outubro, desde 1995.

Fora disso e na minha condição de cidadania, já que sou Presidente de uma IPSS – Associação de Beneficência do Sabugueiro - estarei envolvido na inauguração do Lar de Idosos, cujas obras de remodelação entraram na fase final de construção.

Há depois a política, onde tenho um pé na Assembleia Municipal, órgão que reúne obrigatoriamente em Setembro, proporcionando espaço para o debate e reflexão sobre questões locais.
Fora da Assembleia, mas politicamente falando, o mês também promete ser quente já que irá haver reentres dos partidos, registando-se neste momento, pelo menos dois acontecimentos que se aguardam com expectativa. As eleições para a Federação da Guarda do PS, onde há pelo menos dois senenses como principais protagonistas na corrida – Eduardo Brito e André Figueiredo; e as eleições para a Concelhia de Seia o PSD, onde parece haver “espaços em branco” à espera de se saber se o actual Presidente da Câmara se recandidata ou não. Esta última questão virará tabú, como é costume de quatro em quatro anos nesta altura e por isso será também com grande expectativa que os senenses aguardarão o desenlance neste mês. Ou não!

No panorama desportivo há a registar o surgimento do Seia Futebol Clube, liderado por Helder Barreiras, que apostará nas camadas jovens de futebol e na 2ª Divisão Distrital, já que a União Desportiva de Seia terá deixado de existir e há um Estádio para usar!

Quanto ao resto, registo igualmente expectativa em torno do futuro da Banda de Seia, enquanto agremiação de elevado relevo cultural, histórico e social da urbe senense, sabendo-se das enormes dificuldades com que se debate.

Por fim, entre muitas outras questões, realço a curiosidade natural em volta da Escola Profissional da Serra da Estrela, de onde foi afastada Fátima Oliveira...

Enfim, depois das férias, a reentre promete, no regresso à civitas sena!

domingo, 31 de agosto de 2008

Notícias de algum tempo atrás.... em Seia - Cabeça (30)

Epidemia das bexigas ataca Cabeça


O Pároco da Freguesia da Cabeça ( Emidio José Freire Figueiredo) escreve ao Sr. Presidente e ao Subdelegado de Saúde de Seia pedindo a urgência de uma atitude no que concerne á vacinação dos habitantes e desinfestação dos locais onde aquela doença prolifera a grande escala.

Já faleceram várias pessoas e neste momento encontram-se 48 infectadas.
Há que tomar uma atitude o mais rápido possível.

Filomena Correia de Carvalho
Vide: C/A de 06 de Out. de 1906
Lv. de actas nº 20, de 18 de Out. 1906, fl. 59

Notícias de algum tempo atrás.... em Seia - Paranhos da Beira (29)

Paranhos revoltado com a Câmara


A Junta da Paróquia de Paranhos precisa de fomentar o bem público, na medida em que esta é uma freguesia que está saturada de ser passada para trás.

O Presidente da Junta da Paróquia, Sr. Francisco Manuel Rocha, escreve ao Sr. Presidente da Câmara mostrando o seu desagrado, no sentido que verifica que a Câmara realiza obras em todas as freguesias menos em Paranhos. Os seus habitantes queixam-se da falta de água, da fonte pública que nunca mais é transferida para o centro da vila e dos péssimos caminhos públicos.

Refere ainda, o Presidente da Junta, que o estado em que se encontra aquela vila não é só mau para os habitantes mas também para os munícipes em geral que ali passam diariamente.
Fartos da situação apenas pedem que a Câmara financie as obras já que a mão de obra será a deles próprios.

Filomena Correia de Carvalho
Vide: C/A de 23 de Dezembro de 1861
Sessão de 30 de Dezembro de 1861

Notícias de algum tempo atrás.... em Seia - Alvoco (28)

Alvôco da Serra caiu no esquecimento

O Presidente da Paróquia de Alvôco da Serra (José Joaquim dos Santos ) encontra-se desiludido com o Sr. Presidente de Câmara, na medida que este já muito esqueceu daquela Freguesia, no que diz respeito à compostura dos caminhos essenciais à boa viação.
As gentes de Alvôco, em total desespero e fartos de esperar que a Câmara conceda o montante financeiro (80 mil reis) para a realização da obra, propôs ao Sr. Presidente que forneça apenas o material necessário para a construção do caminho. Visto que serão os próprios habitantes de Alvôco que de enxada na mão a vão construir para demonstrar ao Sr. Presidente que a vontade de um povo nunca deverá ser subestimada.
Filomena Correia de Carvalho
Vide: C/A de 15 de Abril de 1861

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Notícias de algum tempo atrás... em Seia (27)

Mutatis Mutantis - mudando o que tem de ser mudado

O Município de Fornos de Algodres, tendo tomado conhecimento que os expostos do concelho de Seia usavam ao pescoço uma medalha distintiva com os dizeres – Mutatis Mutantis (mudando o que deve ser mudado)- pede ao Sr. Presidente de Câmara de Seia que lhe mande fazer 50 das mesmas, na medida que não existe naquele concelho um artista capaz.

Alega também que estas medalhas que a Câmara de Seia usa, são mais bonitas e distintas para estas crianças usarem.
Filomena Correia de Carvalho / A.M.
Vide : Cx.: 3 B – C/A 08 de Agosto 1861

Noticias de algum tempo atrás... em Seia - Sandomil (26)

Calceteiros recusam-se a compactuar com a política do “faz e desfaz”

Os membros da Comissão encarregada dos trabalhos das calçadas de Sandomil pedem para serem substituídos, no seu trabalho, ao Administrador do Concelho.

Referindo que ao fim dos trabalhos estarem concluídos, ao fim de tantas horas de árduo trabalho e dedicação, é que se lembraram de abrir valas, não se sabendo muito bem porquê, na rua da casa da Cândido Augusto Fragoso.

Declarando que não querem compactuar com este tipo de política do “faz e desfaz” esta comissão pede para ser substituída o mais rápido possível.

Filomena Correia de Carvalho / A.M.
Vide : Cx: 3 B – C/A 29 de Março 1861

Noticias de algum tempo atrás... em Seia (25)

O Administrador do Concelho de Seia quer ir aos banhos

O Administrador do Concelho de Seia, José da Mota Veiga Sénior, estando fisicamente muito cansado consequência das correrias que a vida política exige, comunica ao Presidente da Câmara de Seia que já recebeu a autorização do Governador Civil da Guarda para se ausentar durante algum tempo, a fim de ir aos banhos nas Felgueiras. Referindo, também que será o Dr. Albino Calheiros que o irá substituir.

Filomena Correia de Carvalho/ A. M.
Vide :Cx: 3B, mç 1 - C/A de 29/ VIII/ 1861

Notícias de algum tempo atrás... em Seia (24)

È necessário desinfestar o Município de Seia

O subdelegado de saúde, José Albano do Couto Tavares, previne o Sr. Presidente da Câmara ( ) da cólera que está a assolar o nosso País. Esta terrível doença
Contagiosa teve a sua origem no Báltico e chegou a Portugal pelos seus portos.
Assim o subdelegado pede ao Sr. Presidente para adquirir o respectivo material de desinfecção de forma a mandar limpar as casas das famílias pobres e todos os lugares públicos do município de Seia.
Filomena Correia de Carvalho / A.M.
Vide: Lv. n.º 20, acta da sessão 8 de Novembro de 1905, fl.30
C/A de 26 de Outubro de 1905

Notícias de algum tempo atrás.... em Seia (23)

A Tesouraria da Câmara de Seia COMPRA RATOS

A comissão Municipal de Seia ( que tomou conta da Câmara após a implantação da República) em prol do fomento da salubridade colectiva decidiu empreender uma guerra contra os ratos.
Assim incumbiu a Câmara Municipal de Seia de promover a desratização. Uma das medidas foi instituir o prémio de 10 réis por cada rato colhido no concelho e apresentado na Tesouraria.
Só que tal medida veio a ser revogada pois a campanha teve tal sucesso, que do dia 4 Dezembro a 23 do mesmo mês, foram apresentados na Tesouraria cerca de quatro mil ratos, ficando muito dispendioso no orçamento geral da Câmara.

E assim os problemas de limpeza desta vila continuaram.

Filomena Correia de Carvalho
Vide: C/B de 03 de Novembro de 1910
Actas de Sessão de C.M. de 02/12/1910

Notícias de algum tempo atrás... em Seia (22)

Reclamações a favor da elevação do Liceu de Seia a “ Liceu Central”

È de alta conveniência para os alunos deste concelho de Seia que o Liceu seja elevado a Liceu Central.
Sabendo nós que o governo da Sua Majestade vai brevemente discutir a reforma de instrução secundária de habilitação dos cursos superiores, lembraram-se os principais chefes de família desta cidade fazer um abaixo assinado, solicitando este tão grande beneficio para os senense.
Assim pedem ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Seia ( Dr. António Augusto Fonseca Saraiva) que tão bem sabe compreender os interesses dos seus munícipes que tome as providências necessárias Junto ao Administrador da Guarda.

Filomena Correia de Carvalho/ A.M
Vide: Cx. n.º 12, mc.6; C/A de 9/VIII/ 1905

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Notícias de algum tempo atrás... em Seia (21)






Construção de uma linha férrea em Seia

Amandio Leonardo Mota Veiga manifesta o seu descontentamento ao Sr. Presidente da Câmara de Seia, António de Almeida Melo e Senna, no que diz respeito á construção do caminho de ferro em Seia.
Acha muito bem que seja aprovado o projecto da construção do caminho de ferro entre o Mondego e o Tejo, vindo de Lisboa, Coimbra e passando apenas por Nelas, Mangualde indo até á Guarda.
Discordando com a opção desta linha partir de Arganil, ir até Ceia, Gouveia e ligar a Mangualde.
Referindo que este último projecto é resultado da febre ou loucura que neste momento se está a viver, em imaginar criar caminhos de ferro por toda a parte e para a porta de cada um.
Dizendo ainda, que é uma pena se o Presidente compactuar com esta fantochada.

Filomena Correia de Carvalho
Vide: Cx. n.º 11- Mc 14- C/A de 16 de Abril de 1904
Lv. de actas n.º 19 – acta da sessão de 29 de Abril de 1904

leituras de verão - o apocalipse dos trabalhadores, de valter hugo mãe

nestas férias que estão a terminar, dei comigo a sair das rotinas do dia-a-dia, entrando noutros mundos, através da leitura. e foi o que aconteceu mais precisamente ao ler “o apocalipse dos trabalhadores”, de valter hugo mãe. logo a primeira impressão que fica é a de que não há letras maiúsculas, é tudo seguido, num estilo novo, porventura controverso para os ciosos da perfeição linguística, mas não menos interessante e refrescante. saramago, chama à escrita de valter hugo mãe um “tsunami” não no sentido destrutivo mas da força”. por isso não é de estranhar o facto do romance “o remorso de baltazar serapião” ter sido o prémio literário josé saramago 2007.
é verdade, estamos perante um fenómeno novo na literatura portuguesa, com esta inovadora forma de escrita, polida, refrescante e rica, de valter, um jovem de 37 anos, nascido em angola, morador em vila do conde, caxinas, terra de sofrimento, ali, onde a uma mãe morrem os filhos e o marido no mar, e vive, e luta e resiste; mas dizia eu, neste linguarejado abusivamente sem maiúsculas, o valter hugo vive em vila do conde desde 1981, é licenciado em direito, é pós graduado em literatura portuguesa moderna e contemporânea e quem quiser saber mais pode espreitar no site do escritor em
http://www.valterhugomae.com/
Quanto ao “o apocalipse dos trabalhadores”, um livro que recomendo ainda para este final de verão, o resumo da história que se pode fazer é aquela que vem na capa do livro, de 182 páginas:

“a maria da graça – mulher a dias em bragança esquecida do mundo – tem a ambição, não tão secreta comi isso, de morrer de amor; e por essa razão sonha recorrentemente com a entrada no paraíso, aonde vai à procura do senhor ferreira, seu antigo patrão, que apesar de sovina e abusador, lhe falou de goya, rilke, bergman ou mozart, como homens que impressionam o próprio deus. mas às portas do céu acotovelam-se mercadores de souvenirs em brigas constantes e são pedro não faz mais do que a enxotar dali a cada visita.
tal como a maria da graça, todas as personagens deste livro buscam o seu paraíso; e, aflitas, com a esperança, ou esperança nenhuma, de um dia serem felizes, acham que a felicidade vale qualquer risco, nem que seja para as lançar alegremente no abismo.
“o apocalipse dos trabalhadores” é um retrato do nosso tempo, feito da precariedade e da esperança difícil. um retrato desenhado através de duas mulheres-a-dias, um reformado e um jovem ucraniano que reflectem sobre os caminhos sinuosos do engenho e da vontade humana, num portugal com cada vez mais imigrantes e sobre a forma como isso parece perturbar a sociedade.”

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O blogue feito pelos leitores, algumas mensagens entre tantas

Estas são algumas das inúmeras mensagens que me têm chegado ao blogue. De várias correntes e feitios, de amigos e desconhecidos. A todos, um grande abraço de amizade.

Notícias de Torroselo

Boa tarde Mário Jorge;
Em primeiro lugar deixe-me dizer-lhe que estou a gostar muito da rubrica do seu blogue intitulada "Noticias de algum tempo atrás...".
Se tiver alguma aí no "bolso" de Torroselo gostava que a publicasse é que devemos olhar para o futuro mas nunca devemos esquecer o passado.
Um abraço e parabéns pela ideia;
Luis Silva

Resposta: Aí vai uma notícia antiga de Torroselo, no post a seguir a este.
Literatura sobre história da nossa terra

Amigo Mário Jorge. Lhe mandei uma mensagem pelo seu blog dizendo que fiquei muito contente em te-lo descoberto . Descobri o seu endereço através do Jornal de Santa Marinha. Escrevo do Rio de Janeiro e acho muito interessante suas crónicas de acontecimentos passados.
Gostaria de saber se eu teria acesso a alguma literatura sobre a historia, costumes e tradições de nossa terra. Agradeço sua ajuda e estou ao seu dispor do outro lado do oceano. Um abraço
. Eduardo Reis
Resposta:
Olá caro Eduardo. É um prazer muito grande trocar informação com o senhor, que ainda por cima está do outro lado do Atlântico, na grande metrópole que é o Rio de Janeiro, cidade que nunca visitei. Fui duas vezes ao Brasil uma a Salvador da Baía e outra a Natal.
Quanto a literatura sobre a nossa terra, recomendo “A Monografia da cidade e concelho de Seia” de J. Quelhas Bigotte, “O Concelho de Seia em tempo de Mudança – dos finais do séc. XIX ao dealbar da 1ª República” de Maria Lúcia de Brito Moura, e “O Marcelismo e o 25 de Abril vistos em dois jornais locais” de Luis Rente, entre muitos outros.
Promoção de São Romão
Bom Dia
Ao navegar nestas águas...deparei com este belíssimo testemunho (Viagens pelas nossas terras – SÃO ROMÃO). Não posso ficar indiferente sendo eu, uma "filha" da boa gente de S.Romão. Faço minhas as palavras do António Pina, (com a sua permissão, obviamente)
Eu pergunto:

Porque há tão pouca informação desta terra linda e poderosa, das suas gentes, da sua gastronomia, da sua localização junto á nossa Serra da Estrela ???
Uns são filhos, outros enteados??? SÓ brilham os que vão na vanguarda???Por vezes, os grandes heróis, são precisamente os que estão na rectaguarda, mas porque ñ têm ninguém que os ajude, ali ficam eternamente, acontece isso com S.Romão, não é verdade???
A toda a minha boa gente de S.Romão vos quero dizer; que jamais vos esqueço e de todo o carinho que de vós recebi e o quanto meus pais foram felizes nesse torrão a beijar a Estrela.

Elisabete Correia
Resposta: Eu entendo que quem está longe gosta de saber noticias da sua terra. De a ver promovida, fazendo sobressair e evidenciar o barrismo de cada um. De forma equilibrada, este sentimento até nem faz mal nenhum, daí eu perceber pessoas como Elisabete Correia, que estando longe, querem estar perto. Por ventura, ligam muito mais à terra do que muitos dos que por aqui vivem.
Todavia, São Romão tem sido muito promovida no exterior e estou certo que continuará a ser muito mais.
Cumprimentos de amizade
compra de terrenos

Noticias que marcam a actualidade - 200 Mil contos da moeda antiga por um lote, com um pedaço de terreno superiormente localizado numa zona especialmente bem ordenada, com um Edifício de 2 pisos amplos de infraestruturas generosas, actuais e funcionais ao suposto fim pretendido e cuja aprovação, face à actual conjuntura económica, pauta pela por unanimidade... Meus senhores é caso para dizer
"onde é que está o Wally?"
Os binóculos.
Anónimo
Resposta: Pois, e depois?...

Noticias de algum tempo atrás... em Seia - Torroselo (20)

Conduta moral do Presbítero de Torroselo Posta em Causa
O Governador Civil da Guarda, José Cardoso Braga, pede ao Sr. Presidente da Câmara de Seia, que o informe da conduta moral, civil e religiosa do Presbítero Joaquim Mendes Alves, residente em Torroselo. Alegando que o Presbítero é um sério opositor á cadeira de ensino primário de São Romão.
Pede também para o informarem, confidencialmente, se este Presbítero se “aproveita” dos alunos, na medida que, existem algumas queixas de populares. Como este assunto é muito melindroso pedimos a maior descrição.

Filomena Correia de Carvalho / A.M.
Vide: Cx. 5 – ms-16, C/A de 18 Maio 1860